Fadhma Ait Mansour Amrouche (1882-1967)

Fadhma Aît Mansour Amrouche
Fonte da imagem: Ouest-France. Rennes: hommage à la poétesse kabyle Fadhma Aït Mansour Amrouche. Disponível em: https://www.ouest-france.fr/bretagne/ rennes-35000/rennes-hommage-la-poetesse- kabyle-fadhma-ait-mansour-amrouche-4863612. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Escritora argelina, era a filha de uma camponesa Berber pobre e analfabeta. Muçulmana por nascimento, ela se converteu ao cristianismo, produziu uma das primeiras, se não a primeira, autobiografia escrita por uma mulher argelina, tornou-se uma cidadã francesa naturalizada, e criou dois filhos que se tornaram escritores(as) franceses(as) famosos(as): Marguerite Taos Amrouche (conhecida como Taos Amrouche), uma poetisa, cantora, e romancista, e Jean Amrouche, romancista e poeta.

Nasceu em uma aldeia situada na região de Kabylia, depois que integrantes da comunidade tentaram matar sua mãe, durante a gravidez, por ela ser mãe solteira, conforme ditava o costume. Esta se salvou apelando às autoridades coloniais e denunciou os atacantes, inclusive de sua própria família. Talvez para evitar que tal ato se repetisse em nome do islã, a mãe, Fadma Aini, matriculou a filha em uma escola de freiras missionárias, e em uma escola secular, onde foi aluna de Madame Malava – conhecida educadora de meninas “indígenas”.  Quando completou o secundário, trabalhou na Missão Católica Francesa, onde conheceu Belkacem, com quem se casou (1899), convertendo-se, como ele, ao catolicismo.

Como o clã familiar de Belkacem, de fé islâmica, dificultou o relacionamento com o casal, e a situação de Fadhma e o marido ficou difícil, ambos se mudaram para Túnis, na Tunísia, antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial. Ao todo, ela teve oito filhos(as), mas muitos não sobreviveram, o que a inspirou a escrever, durante a Segunda Guerra Mundial, o poema L’Hirondele (A andorinha). Em 1946, a convite do filho, Jean, que já era escritor conhecido na França, ela foi incentivada a escrever suas memórias, o que fez, mas só as publicou após a morte do marido, em 1958.

Fadhma ficou também conhecida pelo seu talento como cantora, e através da música ela divulgou o extenso repertório das tradições orais de Kabylia – suas canções, poesias, lendas e folclore, então em grave perigo de desaparecer. Foi ela quem incentivou a filha, Marguerite, a se interessar e valorizar tais tradições, algo que esta fez ao publicar o livro Le grain magique (O grão mágico) (1960) e ao interpretar canções populares argelinas.

Seus últimos anos foram passados na França, onde faleceu. A história de Fadhma Amrouche, retratada em suas memórias, constitui um capítulo único na história das mulheres em situação colonial; ela incorpora tanto a dura realidade da sociedade local e as contradições da França-Argélia, particularmente como a vida era experienciada por mulheres de origem humilde. Exemplifica a abertura de pequenas frestas no patriarcado, e o esforço para preservar as tradições orais berberes que alimentaram a identidade cultural desse grupo.

BIBLIOGRAFIA

AMROUCHE, Fadhma.  Histoire de ma vie. Paris: Maspero, 1968.

CLANCY-SMITH, Julia A.. “Fadhma Amrouche” In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1,  p. 222-223.

DIRECHE-SLIMANI, Karima. Chrétiens de Kabylie: histoire d’une communauté sans histoire. Une action missionaire d’Algérie coloniale. Paris: Bouchène, 2004.

MALTI, Nathalie. Voix, mémoire et écriture: transmission de la mémoire et identité culturelle dans l’oeuvre de Fadhma et Taos Amrouche. Doctoral Dissertations, Louisiana State University and Agricultural and Mechanical College, 2006:  https://digitalcommons.lsu.edu/gradschool_dissertations/3839  

Última atualização em: 22/01/2021

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