Adelaide Casely Hayford (1868–1960)

Adelaide Casely Hayford
Fonte da imagem: ROGERS, Brittany. ADELAIDE SMITH CASELY HAYFORD (1868-1960). Blackpast. 08 de mar. de 2009. Disponível em: https://www.blackpast.org/global-african-history/hayford-adelaide-smith-casely-1868-1960/. Acesso em: 21 de dez. de 2020.

Nascida como Adelaide Smith, em Freetown, durante o período de colonização inglesa em Serra Leoa. Pertencia a uma família originária da miscigenação de povos hauçá, fanti, de retornados  e britânicos, tendo pertencido a uma elite “crioula”, euro-africana. Passou boa parte de sua infância e adolescência na Inglaterra com a família, e  estudou música no Conservatório de Stuttgart, na Alemanha. Casou-se em 1903 com o ganês Joseph Ephraim Casely-Hayford, com quem teve uma filha, Gladys May. Separaram-se posteriormente, e ambos tiveram destacada atuação como nacionalistas e pan-africanistas.  

Na década de 1920 aproximou-se das ideias de Marcus Garvey. Em Nova Iorque, junto com a sobrinha, Gladys, ingressou e presidiu a divisão de mulheres negras, inteirando-se dos programas de promoção para educação industrial. Após o retorno a Freetown, criou a Girl’s Vocational School (EscolaVocacional para Meninas) em outubro de 1923, que funcionou sob sua direção até 1940. Nesta escola, defendeu a implementação de um nacionalismo cultural africano por meio de um currículo que continha elementos de história, folclore, música e dança tradicionais.  Ela propôs também a comemoração anual do Dia da África, quando as meninas deveriam comparecer vestidas com roupas de origem africana, de modo a evitar o assimilacionismo cultural.

Foi vice-presidenta do Congresso Internacional de Mulheres de Cor, presidenta da Associação de Jovens Mulheres Cristãs, presidenta da divisão local da Associação Universal do Progresso Negro (fundada por Marcus Garvey) e oradora na filial do Congresso Nacional do Oeste Africano Britânico em Serra Leoa, ajudando na recepção de W.E.B Dubois em 1924. Ela também teve a idéia de se criar uma universidade nacional com professores que ensinassem valendo-se das línguas africanas.

Publicava periodicamente no jornal de notícias de Serra Leoa assuntos sobre educação e nacionalismo africano, sendo uma figura com impacto significativo no movimento pan africanista. Também publicou suas memórias em uma série de artigos no West African Review, intitulada The life and times of Adelaide Casely-Hayford (A vida  e a época de Adelaide Casely-Hayford) (1953-1954).

BIBLIOGRAFIA

BAIR, Barbara. Pan-africanism as process: Adelaide Casely-Hayford, garveyism, and the cultural roots of nationalism. In: Lemelle, Sydney J; KELLEY, Robin D. G. (Eds.).  Imagining home: class, culture and nationalism in the african diáspora. Londres: Verso, 1994, pp. 121-144.

BAIR, Barbara. “Adelaide Casely-Hayford”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2,  p.  40-41.

CROMWELL, Adelaide. An african victorian feminist: the life and times of Adelaide Smith Casely-Haiford. Abington: Routledge, 2013 (or. 1986).

OKONKWO, Rina. Adelaide Casely Hayford cultural nationalist and feminist. Phylon, v. 42, n. 1, p. 41-51, 1981.

Última atualização em: 28/01/2021

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