Shajarat al-Durr (+ 1257)

Mulher do Egito (1683)
Fonte da imagem: Past Pages. Disponível em: http://www.pastpages.co.uk/site-files/prints-africa/Swp003.jpg. Acesso em: 20 de jan. de 2021.

Também referenciada como Shaja al-Durr, que em árabe significa “Árvore de Pérolas”. Seu nome completo era al-Malika Asmat ad-Din Umm-Khalil Shajarat ad-Durr, e por vezes aparece nomeada como Umm Khalil, a “mãe de Khalil. Nascida em local incerto, muito provavelmente no atual Turcomenistão, foi levada como escrava para a Síria, onde passou a integrar o harém do sultão a-Salih, da dinastia ayyubida, que governava o Egito desde 1238. Ela se tornou sua concubina favorita, teve um filho dele, e depois se tornou sua principal consorte.

Os historiadores são unânimes quanto a enorme habilidade política de Shajarat al-Durr, e que a mesma já exercesse alguma influência no governo do marido, mas sua influência e domínio político no Egito ocorreu em 1249-1250, quando um exército de cavaleiros cruzados francos, sob a liderança do rei Luís IX, atacou a cidade de Damietta. Com o apoio de generais e ministros de origem turca, conhecidos como mamelucos, ela ocultou a morte do marido, organizou a resistência e infligiu uma derrota ao invasor, que acabou derrotado e o rei francês, aprisionado e depois resgatado.

Com o fim da 7ª cruzada, sua autoridade ficou estabelecida. Com o apoio do general Aybeck ela venceu e eliminou o sucessor do sultão e se proclamou governanta única com o título de sultana, mandando cunhar moedas com a sua efígie e o seu nome como “rainha dos muçulmanos e mãe de Khalil”, fato raríssimo na história dos estados islâmicos. Sua ascensão despertou forte oposição na Síria, entre os membros da linhagem ayyubida, que a contestavam tanto por ser mulher quanto por ter origem escrava. Ela então, por conveniência, se casou com o general Aybeck, que assim foi elevado ao governo do sultanato, e permaneceu com forte influência na corte até o ano de 1257, quando foi assassinada – segundo as tradições orais, pelas mulheres o harém.  

Por sua atuação, ela foi figura chave na fase de transição entre a dinastia ayuubida e a dinastia de sultões mamelucos, que, como ela, eram de origem turca, e controlariam o Egito até o ano de 1516 – quando o país caiu sob domínio otomano. 

No século XX, Sharajat al-Durr se tornaria uma inspiração para as feministas árabes. Em discursos e publicações, figuras femininas excepcionais na história islâmica, como ela, foram lembradas para reforçar o apoio à ideia de que as mulheres deveriam ser educadas e envolvidas na vida pública. Uma das revistas da imprensa feminina egípcia na virada do século XXI traz seu nome, que também é invocado por feministas árabes contemporâneas como a marroquina Fatima Mernissi.

BIBLIOGRAFIA

DUNCAN, David. Scholarly views of Shajarat al-Durr: a need for consensus. Arab Studies Quarterly, v. 22, n. 1, p. 51-69, 2000.

 FARAH, Shoukry. The conservation history of the mausoleum of Shajarat al-Durr. Dissertação de Mestrado (Arte e Arquitetura Islâmica), The American University in Cairo, 2015: http://dar.aucegypt.edu/handle/10526/4537

HUFFAKER, Shauna. “Shajarat al-Durr”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 347-348.

WOLF, Caroline. “The pen has extolled her virtues’: gender and power within the visual legacy of Shajar al-Durr in Cairo. In: GharipourGHARIPOUR, Mohammed; SCHICK, Irvin (Eds.). Caligraphy and archicteture in the muslim world. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2013: http://www.academia.edu/download/41008518/GHARIPOUR_11_Proof_1.pdf

Última atualização em: 28/01/2021

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