Amelia Seeiso (1902-1964)
Amelia Matsaba Mantsebo Seeiso foi a filha primogênita do chefe Sempe Nkorbe, uma das principais chefaturas do reino de Quthing, no Lesoto, conhecido na época como Basutolândia. Ela também é conhecida como Mofumahali, nome que designa as esposas dos chefes supremos, equivalente a rainha.
Após concluir a educação primária ela foi casada e instituída como primeira-esposa do chefe supremo Seeiso Grifith, de quem teve a filha chamada Ntsebo, e daí em diante recebeu o título de M’a rona, isto é, a “mãe da nação”. Depois da morte do marido (1941) ela determinou que fosse chamada de Ntale, isto é, “pai”, porque o ofício de governo era tradicionalmente considerado masculino.
Ela foi a primeira e única mulher do Lesoto a ocupar o cargo de Chefe Supremo, em uma das mais longas regências femininas da África Austral, pois governou efetivamente o seu povo de 1941 até 1960 em nome do sucessor legal, Constantine Bereng Seeiso, que tinha na ocasião de sua posse apenas dois anos. A ascensão ao governo ocorreu em meio a uma tensa luta pelo poder com o cunhado e seus partidários, e a sua vitória foi decidida e confirmada por um tribunal inglês.
Seu governo foi marcado por uma série de medidas de apoio ao governo colonial britânico. Durante a II Guerra Mundial ela deu suporte local aos europeus, arrecadou fundos de apoio e enviou 21.468 homens para prestar serviços militares de apoio e limpar os destroços de guerra, motivo pelo qual foi criticada por tira-los de suas famílias e enviá-los para morrer nas guerras dos homens brancos. Em contrapartida, suas iniciativas foram reconhecidas pela monarquia britânica. Durante uma visita ao Lesoto pelo rei Georges VI ela foi agraciada com a Ordem do Exército Britânico (OBE).
Também foram introduzidas uma série de medidas reformistas visando adaptar a sociedade ao mundo moderno que pavimentaram o caminho para a monarquia constitucional que hoje vigora no Lesoto, como o estabelecimento de conselhos distritais (1943), o Conselho Nacional da Basutolândia e a formação de um setor do Tesouro (1946). As campanhas de vacinação, muito impopulares, a o fortalecimento da Igreja Católica, e sobretudo o aumento do deslocamento de pessoas do Lesoto como trabalhadores migrantes nas minas, fazendas e indústrias sul-africanas, mesmo após a introdução do apartheid em 1948, por causa da negligência britânica de desenvolver o Lesoto, foram motivos de crítica ao seu governo.
Isto levou a que, na década de 1950, ela e o seu governo passassem a ser objeto de duras críticas tanto por nacionalistas quanto por monarquistas, que levaram à formação de partidos políticos modernos entre 1952 e 1959, que acabou por levar ao seu pedido de demissão em 12 de março de 1960, quando Constantinus Bereng Seeiso foi considerado legalmente como chefe supremo.
BIBLIOGRAFIA
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