Política chadiana e socióloga. Seu pai era um influente oficial de alto escalão do exército do regime de François Tombalbaye, que controlou o Chade do início dos anos 1960 até o golpe de estado de 1975. Ela tem nove irmãos, muitos dos quais tiveram oportunidade de formação educacional avançada. Ela própria estudou em Fort-Lamy, na capital de N’Jamena, obtendo formação em Sociologia (1980-1982). Casou-se com um oficial de alfândega protestante (1981), com quem teve dois filhos.
Agnès Allafi foi professora no período de 1981-1982, quando Hissène Habré tomou o poder e tanto o pai dela quanto o seu marido foram executados, o que a levou a fugir do país e buscar asilo na República de Camarões. Ela continuou os estudos na Universidade de Yaoundé, com o apoio de amigos, enquanto corriam rumores de que o regime de Habrè pretendia sequestrá-la e levá-la de volta ao Chade. Em 1985 mudou-se para Cotonou, onde completou a formação acadêmica com um Mestrado em Sociologia na Universidade Nacional do Benin, sobre os direitos das mulheres.
Agnès retornou ao Chade em 1990, após a queda de Habrè e a ascensão do governo de Idriss Déby. Ingressou então ao Conseil Provisoire de la République – CPS (Conselho Provisório da República) (1991), com participação nas comissões de saúde e serviços sociais. Também tornou-se uma das primeiras líderes mulheres do Mouvement Patriotique du Salut – MPS (Movimento de Salvação Patriótica), e permaneceu fiel ao governo de Déby por mais de duas décadas. Teve atuação no Ministério de Agricultura (1992), e desenvolveu projetos de desenvolvimento agrícola. Representou o seu país na Conferência Internacional das Mulheres em Pequim (1995), e ocupou o cargo de Ministra de Serviços Sociais em dois períodos (1998-1999; 2002-2003).
Durante sua gestão ministerial ela organizou a Semaine Nationale de la Femme Tchadienne – SENAFET (Semana Nacional da Mulher Chadiana) (1998), criou uma simulação de parlamento para jovens, e um comitê de mulheres no parlamento chadiano. Sua atuação demonstra as possibilidades abertas para algumas mulheres dotadas de boa formação no regime de governo de Déby, e a germinação do movimento de mulheres no Chade.
BIBLIOGRAFIA:
NGARTEBAYE, Eugène Leyota. La participation de la femme à la vie politique au Tchad, 1933-2003. Dissertação (Mestrado), Catholic University of Central Africa, 2004.
RICH, Jeremy. “Agnes Allafi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 179-180.
TUBIANA, Marie-José. Parcour de femmes: Les nouvelles elites, entretiens, 1997-2003. Paris: Éditions Sépia, 2004.
Última atualização em: 05/02/2021
































