Pintora e escultora moçambicana, nasceu em Lourenço Marques (atualmente Maputo), de pai português e mãe africana. Realizou o estudo primário na escola colonial e depois passou a ser educada em Portugal, onde recebeu o diploma em pintura e escultura.
Em 1953, retornou a Moçambique e ensinou em uma escola técnica até 1962. Ela influenciou a poesia de Noémia de Sousa, era amiga de José Craveirinha, Rui Nogar, e outros ativistas, e desde cedo incorporou temas sociais em suas obras de arte. Casou-se com o poeta Virgílio de Lemos, o pai de seus filhos. Viajou à Portugal para estudar cerâmica com uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian, mas devido ao aumento da intransigência do colonialismo português nos anos 1960, preferiu permanecer no exílio, mudando-se para Roma, onde residiu até seu falecimento.
Ela foi uma das primeiras artistas moçambicanas, junto com Malangatana, a incorporar abordagens modernas da arte em suas pinturas. Elas são conhecidas por evocar o passado africano através de cores vibrantes e estilo marcante, que frequentemente inclui figuras abstratas como máscaras. Um exemplo é o retrato de uma mulher, Fanisse era minha avó, uma colagem que ela fez em 1967 em homenagem a um poema de Craveirinha.
Sua primeira exibição internacional foi em Roma (1969) e desde então sua arte foi exposta internacionalmente em Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos, Alemanha, Rússia e muitos outros países. Foi premiada pela primeira vez em âmbito internacional pelo Centro Internacional de Arte e Cultura Mediterrânea, localizado em Corfu (1975).
Bertina voltou a Moçambique após a independência do país, expondo suas obras no Museu Nacional de Arte, em Maputo.
Nos últimos anos de vida pintou imagens mais abstratas, como As luzes e as chaminés das fábricas”, uma série de marrom, amarelo, vermelho e outras cores feita em um formato entremeado (1988). Também começou a criar esculturas em bronze de figuras humanas e de máscaras africanas reimaginadas. Em 2002 em Roma, uma exibição de sua arte, intitulada Fragmentos de terras distantes, comemorou o décimo aniversário do acordo de paz que encerrou o conflito em Moçambique.
Bertina foi agraciada em 1988 com o Grand Prix d’Honneur da União Europeia de Críticos de Arte; em 1991, com o Prêmio Mundial da Fundação Rachel Carson Memorial, e em 1998, com o prêmio internacional de arte La Pleiade.
BIBLIOGRAFIA
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SCHROTH, Mary Angela; Capricciol, Francesca. Bertina Lopes. Nka: Journal of Contemporary African Art, n. 3, p. 18-21, 1995: https://muse.jhu.edu/article/422450/pdf
SHELDON, Katleen. “Bertina Lopes”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 518.
Última atualização em: 04/02/2021
































