Elissa (Dido)

Elissa em medalha em bronze (c. 1550)
Fonte da imagem: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Portrait_medal_of_Dido,_Queen_of_Carthage_(obverse);_A_View_of_Carthage_(reverse)_MET_DP-1241-011.jpg. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Lendária fundadora de Cartago, também chamada de Dido, Deido e Theiosso. Embora certamente tenha sido uma figura mitológica, foi imortalizado nos versos da Eneida, de Virgilio.  O mais antigo registro literário sobre ela provém de Timaios, no século IV a.C., e a versão histórica mais detalhada é a de Pompeu Trogus, do final do século I a.C.

Segundo tais relatos, com a morte de seu pai, Mutto, rei de Tiro, Elissa tornou-se governante da cidade com seu irmão Pygmalion, que prontamente matou seu marido Acherbas, supostamente por sua riqueza. Ela reuniu apoiadores e foi primeiro para Chipre e depois para o litoral norte-africano, estabelecendo-se em um lugar que veio a ser chamado Byrsa, que logo alcançou prosperidade e passou a ser chamada de Cartago. Teria sido desejada, cortejada e mesmo ameaçada por pretendentes locais, mas manteve-se fiel ao marido falecido, suicidando-se em sua própria pira funerária, sendo para sempre adorada em Cartago.

A história de Elissa reproduz elementos distintivos da tragédia grega, incluindo a rivalidade entre irmãos, fundação de cidades, e mesmo a caracterização das populações locais como ignorantes e os adventícios e invasores como engenhosos. Na versão de Virgilio, Dido teve contato com o herói Enéias, por causa de quem cometeu suicídio. A maior parte dos detalhes da Eneida provém da imaginação criativa de Virgílio, como a partida de Enéias para a Itália – algo significativo apenas para os romanos.

De modo geral, Dido,  ou Elissa vem a ser o modelo de esposa fiel, que preferiu o suicídio a viver com a difamação da memória do falecido marido. Nos tempos modernos, ela tem sido frequentemente retratada nas artes visuais, por artistas plásticos como Rubens e  Turner, por teatrólogos como Christopher Marlowe,  e especialmente na ópera, em que foi retratada em mais de uma dúzia de versões, de Cavalli a Berlioz e Massenet.

BIBLIOGRAFIA

MARTIN, René. Enée et Didon. Paris: Editions  du CNRS, 1991.

SCHEID, J.; Svenbro, J.. Byrsa. la ruse d’Élissa et la fondation de carthage. Annales. Histoire, Sciences Sociales, v. 40, n.2, p. 328-342, 1985.

Última atualização em: 28/01/2021

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