Lendária fundadora de Cartago, também chamada de Dido, Deido e Theiosso. Embora certamente tenha sido uma figura mitológica, foi imortalizado nos versos da Eneida, de Virgilio. O mais antigo registro literário sobre ela provém de Timaios, no século IV a.C., e a versão histórica mais detalhada é a de Pompeu Trogus, do final do século I a.C.
Segundo tais relatos, com a morte de seu pai, Mutto, rei de Tiro, Elissa tornou-se governante da cidade com seu irmão Pygmalion, que prontamente matou seu marido Acherbas, supostamente por sua riqueza. Ela reuniu apoiadores e foi primeiro para Chipre e depois para o litoral norte-africano, estabelecendo-se em um lugar que veio a ser chamado Byrsa, que logo alcançou prosperidade e passou a ser chamada de Cartago. Teria sido desejada, cortejada e mesmo ameaçada por pretendentes locais, mas manteve-se fiel ao marido falecido, suicidando-se em sua própria pira funerária, sendo para sempre adorada em Cartago.
A história de Elissa reproduz elementos distintivos da tragédia grega, incluindo a rivalidade entre irmãos, fundação de cidades, e mesmo a caracterização das populações locais como ignorantes e os adventícios e invasores como engenhosos. Na versão de Virgilio, Dido teve contato com o herói Enéias, por causa de quem cometeu suicídio. A maior parte dos detalhes da Eneida provém da imaginação criativa de Virgílio, como a partida de Enéias para a Itália – algo significativo apenas para os romanos.
De modo geral, Dido, ou Elissa vem a ser o modelo de esposa fiel, que preferiu o suicídio a viver com a difamação da memória do falecido marido. Nos tempos modernos, ela tem sido frequentemente retratada nas artes visuais, por artistas plásticos como Rubens e Turner, por teatrólogos como Christopher Marlowe, e especialmente na ópera, em que foi retratada em mais de uma dúzia de versões, de Cavalli a Berlioz e Massenet.
BIBLIOGRAFIA
MARTIN, René. Enée et Didon. Paris: Editions du CNRS, 1991.
SCHEID, J.; Svenbro, J.. Byrsa. la ruse d’Élissa et la fondation de carthage. Annales. Histoire, Sciences Sociales, v. 40, n.2, p. 328-342, 1985.
Última atualização em: 28/01/2021
































