Gisèle Halimi (1927)

Gisèle Halimi
Fonte da imagem: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/ File:Gisele_Halimi_Front_de_Gauche_2009-03-08.jpg. Acesso em: 14 de dez. de 2020.

Ativista, advogada e escritora tunisiana. Nasceu em Halq al-wadi (La Goulette), porto de Tunis, filha de pais judeus do clã Taieb.

Ao contrário de seus pais, que não tinham escolaridade formal, ela demonstrou paixão pela leitura e estudos desde cedo, frequentando a Biblioteca Pública de Tunis. Já que a maior parte da renda da família foi para a escolaridade de seu irmão mais velho, ela decidiu fazer um teste para uma bolsa de estudos, conseguindo a maior nota e ficando apta a frequentar o ensino médio, o que daria e ela a chance de entrar em uma faculdade na França. Quando jovem, recusou a se casar com um homem mais velho e rico. Além de entrar em greve de fome contra o tratamento preferencial atribuído a seu irmão mais velho em sua casa.

A Tunis em que Halimi cresceu foi marcada pelo Protetorado Francês, imposto em 1881, e como colônia sofreu forte influência cultural francesa. No período da Segunda Guerra Mundial, quando a Tunísia foi ocupada por tropas alemãs e italianas e os efeitos do anti-semitismo se fizeram sentir, ela passou a se dedicar à política e aos direitos humanos. Quando, no período pós-guerra, foi estudar Direito na França, enfrentou o racismo e preconceitos, o que acirrou sua atuação anti-colonial. Passou a lutar pela independência de seu país, aliando-se ao movimento nacionalista Neo-Destour – liderado por Habib Bourguiba.

Durante a guerra de independência na Argélia ela denunciou inúmeros casos de abusos praticados por militares e policiais franceses. Um dos mais importantes foi o caso de uma mulher muçulmana, Djamila Boupasha, que ao ser capturada sofreu torturas terríveis que foram retratadas em um livro que Gisèle Halimi escreveu junto com Simone de Beauvoir em 1962.  Ela também presidiu uma comissão de inquérito contra os crimes norte-americanos cometidos durante a Guerra do Vietnã.

Como feminista, assinou em 1971 um manifesto em que 343 mulheres revelaram terem feito aborto, o que era considerado um crime. Ao mesmo tempo, ao lado de Simone de Beauvoir fundou a revista Choisir (Escolha), dedicada a descriminalização do aborto. Mais recentemente, abraçou a luta contra a globalização e participou da campanha em defesa do direito dos palestinos.

Além de atuar na Assembléia Nacional da Tunísia entre 1981-1984, foi a seguir indicada como representante francesa na UNESCO (1985-1986), e recebeu em 2006 a condecoração da Legião de Honra.

BIBLIOGRAFIA

ANGELOFF, Tania; MARUANI, Margaret. Gisèle Halimi. La cause du féminisme,Travail, genre et sociétés, v. 14, n. 2, p. 05-25, 2005

BEAUVOIR, Simone de; HALIMI, Gisèle. Djamila Boupasha. Paris: Gallimard, 1962.

CLANCY-SMITH, Julia A.. “Gisèle Halimi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 6-7.

HALIMI, Gisèle. La cause des femmes. Paris: Grasset, 1973.

PERRIN, Christophe; GAUNE, Laurence (Eds.).  Parcours d’avocat(e)s. Paris: Le Cavalier Bleu, 2010.

Última atualização em: 05/02/2021

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