Luiza Mahin (século XIX)

Mulher negra na Bahia (1835)
Fonte da imagem: Biblioteca Nacional Digital Brasil. Disponível em: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon94994/icon94994_084.jpg. Acesso em: 19 de jan. de 2021.

Nasceu em data incerta no Golfo da Guiné, em uma comunidade dos povos Mahi – também referenciados como Marrim, Maki, Makim ou Maquim. Este povo falante de língua gbé mesclada ao yoruba, cuja principal organização estatal era o pequeno reino de Savalu, rendia tributo ao estado de Oyó e era uma presa preferencial dos caçadores de escravos do reino de Daomé, e, junto com os povos de Quêto, Sabe e Idaisa, esteve na origem de milhares de pessoas transportadas em cativeiro para o Novo Mundo. Em 1823 a cidade mahi de Kpaloko foi atacada e invadida pelo rei Ghezo do Daomé, que em 1840 ocupou definitivamente o seu território.

Foi este o contexto de aprisionamento de uma cativa cuja existência histórica encontra-se envolvida pela lenda. Na carta escrita a Lúcio de Mendonça (1880), seu filho, Luiz Gama, diz que Luiza, de nação Nagô, era da Costa da Mina, uma africana livre, que sempre recusou o batismo cristão, pagã, uma quitandeira de espírito livre e rebelde, envolvida na revolta dos Malês de 1835 e da Sabinada de 1837 na Bahia, depois estabelecida (por, ou contra a sua vontade) no Rio de Janeiro.

O filho diz que a procurara, em vão, nos anos de 1847, 1856 e 1861, e que a última notícia que tivera dela era que anos antes vivia entre “malungueiros”, isto é, grupos de companheiragem de escravos, metida em atividades condenáveis pela lei da época. Sobre o seu aspecto e índole, afirma: “Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a neve, era muito altiva, generosa, insofrida e vingativa”.

Pouquíssimos(as) pesquisadores(as) que estudaram os movimentos sociais de que Luiza Mahin participou atestam sua existência devido a ausência de registros históricos, exceção a Arthur Ramos (1956) e José Honório Rodrigues (1961). O historiador Pedro Calmon a idealizou como a rainha que liderou o movimento dos Malês em seu romance intitulado Malês, a insurreição das senzalas (1933) e Ana Maria Gonçalves inspirou nela a protagonista Kehinde, uma princesa sequestrada ainda criança na Guiné e escravizada no Brasil, no romance Um defeito de cor (2006).   

Como quer que tenha sido, Luiza Mahin é lembrada na cultura negra brasileira como exemplo de resistência e determinação, sendo homenageada em músicas, poemas e na literatura de cordel. Em 2002 sua história foi retratada pelo bloco afro Ilê Aiyê, no carnaval de Salvador, o mesmo tendo ocorrido na homenagem que lhe foi feita pelos carnavalescos da Escola de Samba Mangueira, no samba-enredo Histórias para ninar gente grande, com os heróis e heroínas populares que a história não conta.

BIBLIOGRAFIA

GONÇALVES, Aline Najara da Silva. Luiza Mahin: uma rainha africana no Brasil. Rio de Janeiro : CEAP, 2011.

LIMA, Dulcilei da Conceição. Desvendando Luíza Mahin: um mito libertário no cerne do feminismo negro. Dissertação (Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura), Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2011. SILVA, Ana Maria Vieira. Um defeito de cor: escritas da memória, marcas da história. Anais do Siliafro, n. 1, 2012: http://www.ileel.ufu.br/anaisdosiliafro/wp-content/uploads/2014/03/artigo_SILIAFRO_4.pdf

Última atualização em: 28/01/2021

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