Participantes ativas das formas arcaicas de organização da comunidade yoruba antiga, as mulheres não aparecem nas listas de reis, porém as tradições orais mantêm relatos de rainhas que detinham autoridade palaciana, sendo distinguidas com o título de anosin, primeiras-esposa dos reis, os quais tinham seu título designado pelo termo osin, Elas eram vistas como a “mãe” da comunidade, enquanto o seu cônjuge era tido como o “pai”.
Segundo os mitos de fundação de Ile-Ifé, os filhos e filhas dos oònis, os reis-sacerdotes que sucederam a Oduduwa, o progenitor mítico dos yorubas, constituíam categorias de príncipes e princesas distinguidos com o título de sòóko. A primeira portadora deste título, segundo as tradições, teria sido uma mulher chamada Núyìn, e quem o detinha dispunha de certas prerrogativas e autoridade. E entre as linhagens das famílias reais o governo podia se concentrar na linhagem feminina.
Embora não seja reconhecida nas listas oficiais dos oònis de Ifé, Lúwo Gbàgìdá é lembrada nas tradições mitológicas como a décima sexta governanta da cidade. Ela teria sido casada com o chefe Obaloran de Ilode, sendo mãe de Adekola Telu, o fundador da cidade e reino de Iwo, na atual Província de Osun. Em seu período de governo é que a cidade teria sido pavimentada, e o trabalho foi realizado por infratores e condenados a penas públicas. Devido a essa e outras medidas muito rigorosas, quando o seu reinado chegou ao fim, no momento da sucessão o conselho da cidade decidiu por não permitir mais o governo de mulheres.
É provável que o papel do mito de Lúwo Gbàgìdá seja explicar a posterior exclusão feminina nas regras de sucessão monárquica.
BIBLIOGRAFIA
SALAMI, Ejitoyosi Olayemi. The Complexity and Ironic Nature of Sòókò in Ife Praise Poetry. Africology: The Journal of Pan African studies, v.9, n. 6, p. 73- 84, 2016.
IKIME, O. Groundwork of Nigerian history. Ibadan: Heinemann Educational Books, 1980.
Última atualização em: 26/01/2021
































