Makheta Mantsopa (1793-1908)

Makhetha Mantsopa
Fonte da imagem: Sunday Times. Resolute prophet lives on as a 'saint'. 05 de nov. de 2006. Disponível em: https://www.pressreader.com/south-africa/sunday-times-1107/20061105/282454229489986. Acesso em: 14 de dez. de 2020.

Nasceu em Koena-li-fule, na região ocidental da área central do rio Caledônia, na atual África do Sul. Foi uma renomada vidente e curandeira do povo Soto, que habitava territórios das atuais África do Sul e Lesoto. Como era talentosa contadora de histórias, seu nome pessoal (Makheta) ficou associado ao do contador de lendas chamado Ntsopa.

Por volta de 1840 ela já era famosa por suas adivinhações sobre o destino das guerras travadas por seu povo contra o exército inglês às margens da Caledônia. Ela afirmava  que se os Basotho se unissem e fortalecessem suas tradições conseguiriam resistir aos colonizadores. Protestava contra os missionários cristãos enquanto viajava pelas terras do rei Moeshoeshoe I, que era seu primo, alertando e fazendo previsões.

Sua fama de vidente aumentou quando Maketa anunciou que as tropas de Moeshoeshoe iriam derrotar dois pelotões de Major Warden em Viervoet, em junho de 1851, e que depois derrotariam outra invasão em dezembro de 1852. Ela também especificou em 1853 onde ficavam as fortalezas de Sekonyela, um antigo inimigo do rei. A profecia de Viervoet foi a mais famosa porque ela anunciou uma chuva torrencial que realmente aconteceu durante a batalha. Além disso, uma derrota dos Basoto também foi prevista, em 1865, mas a essa altura Mantsopa estava ocupada se reconciliando com os missionários. Não mais os excomungava, mas louvava suas ações de caridade e a dedicação ao seu salvador, Jesus Cristo.

Embora não haja nenhum registro, Mantsopa parece ter-se convertido ao cristianismo em 1870, um dia depois do falecimento de Moeshoeshoe. Aparentemente ela se tornou uma anglicana bastante ativa, com diversas funções dentro da igreja. Os anglicanos a viam como uma “profetisa” que auxiliou estabelecer o pacto cristão entre os povos Soto. Seu nome de batismo passou a ser Anna Makheta, e quando morreu, foi queimada na seção branca do cemitério, ganhando uma tumba de estilo gótico. No imaginário popular, os poderes da época pré-cristã de Mantsopa têm ligação direta com o fato dela ter sido uma importante matriarca na igreja.

BIBLIOGRAFIA

CASALIS, Eugene. The Basutos, or twenty-three years in South Africa. Cape Town: C. Struik, 1965.

COPLAN, David. “Mantsopa” In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 91-92.

GERMOND, Robert. Chronicles of Basutoland: a running commentary on the events of the years 1830-1902. Morija: Morija Sesuto Book Depot, 1967.

Última atualização em: 22/01/2021

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