Nehanda (+1460)

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Também conhecida como Nehanda Nyamhita Nyakasikana, é uma personagem em parte lendária e em parte histórica; detalhes sobre a sua vida, incluindo onde ela viveu, são imprecisos, mas acredita-se que tenha vivido no nordeste do atual Zimbabwe. Ela permanece viva nos discursos históricos por causa de muitas mulheres que reivindicam incorporar o seu espírito ao longo dos séculos. Porém, a história das sucessivas médiuns que a reivindicam não é bem documentada, e foram muitas:  algumas eram mais poderosas ou memoráveis que outras.

Embora não haja consenso entre os historiadores sobre o surgimento da lenda de Nehanda, de acordo com a lenda seu nome próprio seria Nyamhita que era filha de Mutota, o fundador da dinastia do Monomotapa. Mutota decidiu que sua filha seria a nova líder da dinastia, mas para isso acontecer um de seus filhos teria que consentir em herdar o título de líder da dinastia participando de ritual de incesto com Nyamhita, sua irmã. Quando todos os outros filhos desistiram, o mais novo, Nyanhehwe Matope, mais tarde conhecido como Nebedza, aceitou participar do ritual. Uma vez promulgado o ritual, a dinastia Mutapa nasceu, dinastia que veio a se tornar um poderoso reino.

Nyamhita, antes de ser tornar Nehanda, participou de um ritual incestuoso enquanto ainda era virgem, daí o nome Nyakasikana, que significa “A jovem virgem”, ou literalmente “A detentora da pureza feminina”. Acreditava-se que que o ritual incestuoso com uma virgem produziria sangue e água que se misturariam com a terra em que o ato foi consumado. Essa mistura, então, se torna uma medicação protetora e sela a reivindicação e o apego da dinastia com a terra colonizada ou conquistada.

Como resultado de sua participação no ritual, Nyamhita se tornou a guardiã e transmissora do conhecimento sagrado e dos segredos da dinastia, que incluía um importante papel como “a pessoa que fazia chover”. Essa posição era crucial, já que não era comum mulheres herdarem títulos na dinastia. Nesse caso, Nyamhita, atuou como uma regente entre reis ou como mediadora em uma série de disputas, participando do conselho consultivo do reino. Vale notar que tais lendas fundadoras eram comuns em muitas outras sociedades daquela região na África.

Nyamhita Nehanda, então, foi a mãe fundadora da dinastia Mutapa, dinastia que veio a se tornar um poderoso reino. Historiadores divergem sobre o fato de Nyamhita não ter tido filhos de Nebedza ou mesmo se ela continuou a ter relações sexuais com ele após o ritual de incesto, sendo esse assunto um tabu n tradição Xona.

A mais influente das médiuns que incorporaram o espirito de Nehanda foi Nehanda Charwe Nyakasikana, conhecida como Charwe, uma das mais destacadas opositoras da presença europeia nos territórios dos Xonas e Matebeles da Africa do Sul no século XIX.

BIBLIOGRAFIA

CHARUMBIRA, Ruramisai. “Nehanda”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 437-438.

LAN, David. Guns and rain: guerrillas and spirit mediuns in zimbabwe. Londres: James Currey, 1985.

RODRIGUES, Eugénia. “Rainhas, princesas e donas: formas de poder político das mulheres na África oriental nos séculos XVII-XVIII”. Cadernos Pagu (Florianópolis), nº 49, 2017.

Última atualização em: 22/01/2021

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