Nzinga Mbandi (1583–1663)

Rainha Nzinga Mbandi com sua comitiva militar (1622)
Fonte da imagem: Slavery Images. Disponível em: http://www.slaveryimages.org/s/slaveryimages/item/2284. Acesso em: 18 de jan. de 2021.

Também referida popularmente como Rainha Jinga ou Rainha Ginga, ou como Dona Ana de Souza pelos portugueses. Nome pelo qual é conhecida Nzinga Mbandi Kia Mbandi, soberana dos reinos de Dongo e Matamba, de 1623 até o fim da vida,  no território da atual Angola.  Filha do Ngola Mbandi Kiluanji, em 1617 disputou o trono do Ndongo com seu irmão mais jovem ou” meio-irmão”, o qual, vencendo a disputa, foi entronizado com o nome Ngola Mbandi.

Em 1622 ela foi enviada a Luanda para negociar um tratado de paz com o governador português João Correia de Souza, permanecendo lá por cerca de um ano, tempo em que inclusive, recebeu os sacramentos do batismo católico e o nome cristão de Ana de Souza. Após seu regresso ao Dongo, com a morte de Ngola ela assumiu o trono, que ocupou por cinco anos, descumprindo não só o tratado assinado com os portugueses como o pacto cristão do batismo mas também bloqueando as rotas de comércio que levavam a Luanda. Atacada pelos portugueses  ela se refugiou nas ilhas do rio Kwanza e nos anos 1626-1627 se estabeleceu no reino de Matamba, onde passou a comandar grupos de guerreiros imbangalas e a liderar a guerra contra os portugueses no período que se estendeu de 1630 até 1656, quando aceitou a paz e se converteu pela segunda vez ao catolicismo.  

No contexto da independência angolana frente aos portugueses, na segunda metade do século XX. Nzinga aparece como heroína nacional, personificação maior da luta anticolonial, sendo enaltecida em romances, poesias, no teatro e no cinema. A preservação de sua memória na tradição oral assumiu na Diáspora  caráter religioso e político, com forte conotação de resistência cultural.

Sua imagem foi preservada e transmitida nas irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Lisboa ou de diferentes partes do Brasil,  onde por vezes, as rainhas Gingas (ou Jingas) são ritualmente coroadas.  Tais celebrações ocorreram (e por vezes continuam a ocorrer) em Minas Gerais, Goiás, Bahia, Paraíba e Pernambuco – e sobretudo na comunidade quilombola de Morro Alto (Rio Grande do Sul), em que desde pelo menos o fim do século XIX as rainhas Gingas são anualmente coroadas, ao lado dos reis do Congo, durante a festa do Maçambique de Osório.

BIBLIOGRAFIA

MATA, Inocência (Org.). Nzinga Mbandi: história, memória e mito. Lisboa: Edições Colibri, 2012

PANTOJA, Selma.  Nzinga Mbandi: mulher, guerra e escravidão. Brasilia: Editora Thesaurus, 2000.

PANTOJA, Selma. “Nzinga a Mbandi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 527-528.

PARREIRA, Adriano. Economia e sociedade em Angola na época da Rainha Jinga. Lisboa: Editorial Estampa, 1990.

PANTOJA, Selma. Jinga de Angola: a rainha guerreira da África. São Paulo: Todavia Editora, 2019.


Última atualização em: 28/01/2021

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