De acordo com as tradições orais dos povos Mossi, da atual República de Burkina Faso, uma grave ameaça pairou sobre o reino quando o naba (rei) Nassibiri morreu. Era um dos sucessores de Ouedrago, que governara muito tempo antes e dera início à linhagem real. O falecido tinha dois filhos que poderiam sucedê-lo: Koundoumié, que era o seu favorito, e Yadega, o mais velho, que era o sucessor por direito.
Durante o período de sucessão, era costume atribuir temporariamente o poder à filha mais velha do governante morto, que adquiria o título de napoko, isto é, de “soberana”. A ela eram entregues os namtibo, isto é, os amuletos e demais emblemas do poder real.
Pabré, a filha mais velha de Nassibiri, recebeu os fetiches das mãos do “senhor da terra” no palácio de Tenkodogo, e aguardava o retorno de Yadega para proceder à sua investidura. Conforme o costume, Koundoumié teria que, após a entronização, abandonar o reino.
Os chefes dos clãs que integravam o conselho real resolveram reunir-se e indicaram Koundoumié como sucessor, contrariando o costume, e sem consultar Pabré. O que não sabiam é que ela, por desconfiar da manobra, já tinha entregue os fetiches e insígnias à Yadega, que, assim, embora tenha sido preterido na sucessão do reino Mossi, fundou o reino de Yatenga tendo a legitimidade dos símbolos da monarquia tradicional.
A lenda de Fabré, a princesa guardiã dos fetiches reais, é narrada para explicar a divisão entre os mossi e o aparecimento de Yatenga – divisão que de fato ocorreu por volta de 1540, no século XVI.
BIBLIOGRAFIA
SOREL, Jacqueline. Femmes de l’ombre: Pabré, la gardienne des fetiches, 2002: http://www1.rfi.fr/fichiers/MFI/CultureSociete/650.asp
Última atualização em: 22/01/2021
































