Não mencionada nos livros de história, mas presente na memória dos griots da Guiné, foi a esposa favorita do líder oeste-africano Samori Turê (Samoy Touré) (1830-1900), que de 1878 a 1898 organizou e liderou um império militar dos povos mandingas da atual Guiné-Conacri que se estendia da região do curso superior do rio Volta até o Futa Djalon.
Entre os mandingas, onde prevalecia a poligamia, algumas mulheres dos soberanos gozavam de prestígio, poder e autoridade. Uma delas eram as primeiras-esposas, e outras eram as esposas favoritas, distinguidas pelo título de baramuso. Era este o caso de Saran Kegni, filha de um dos chefes mandingas capturados e executados por Samori. Segundo os tradicionalistas, além de rara beleza e encanto, tinha inteligência e astúcia incomparáveis. Sua fama devia-se à capacidade de convencer o marido em diversas situações, algumas das quais contra a vontade inicial dele.
Saran tinha acesso aos conselheiros reais, que a respeitavam por estarem cientes de sua influência na corte. Em certa ocasião, obteve o apoio desses conselheiros para contestar a opinião de Karamoko, filho mais velho de Samori, que se manifestou favorável ao estabelecimento de paz com os franceses durante as guerras de ocupação colonial da Guiné. Em outra oportunidade, obteve sucesso na indicação do próprio filho, Saranké Mory, o “Filho de Saran”, como chefe dos exércitos.
Porém, segundo as tradições, quando o marido, vencido pelos franceses foi enviado ao exílio e pediu que ela o acompanhasse, ela teria negado, e lhe dito: “Fafaga dein tê gnina”, isto é, “Nunca se pode esquecer o assassino do pai”.
BIBLIOGRAFIA
PALA, Achola; LY, Madina. La mujer africana en la sociedad precolonial. Barcelona: Serbal; UNESCO, 1982: https://unesdoc.unesco.org/images/0004/000402/040262sb.pdf
Última atualização em: 28/01/2021
































