Personagem que se confunde com as lendas de fundação de seu povo, a princesa berbere Suda foi imortalizada como a protagonista da saga dos Banu Hilali no texto escrito em língua árabe denominado Sira al Hilaliyya, que descreve a chegada de um ramo do povo árabe no Magrebe no século XI.
Segundo consta na parte deste livro denominada taghriba, os Banu Hilali teriam sido enviados à região da atual Tunísia como forma de punição aos berberes por sua insubmissão ao califado Fatímida no Cairo. Apresentada como filha de al-Zenati, um rei mítico berbere, Suda se apaixona pelo príncipe árabe Mari, que era prisioneiro de seu tirânico pai, e tenta ajudá-lo contra a vontade do pai.
A narrativa, encontrada em diversas versões, apresenta variantes do enredo. Na versão egípcia, quando o pai da princesa falece, ela é cortejada pelo general árabe Diyab, que é amigo do prisioneiro Mari, ambos passam a disputá-la, e o destino de Su’da acaba sendo decidido em uma corrida de cavalos. O general vence, mas ela o rejeita e ele a mata.
A taghriba de Su’da é de grande valor histórico devido ao seu retrato da luta entre os árabes e os berberes. A personagem representa um arquétipo da mulher berbere e da relação tensa e complexa deste povo com os árabes.
Existe ainda uma relação de analogia entre a princesa e a personagem Dido, rainha mítica de Cartago, amante do príncipe troiano Enéias, conforme narrado na Eneida, obra prima do escritor latino Virgílio. Da mesma forma que na narrativa da princesa cartaginense, a princesa Suda incorpora o mito formador do povo berbere.
BIBLIOGRAFIA
BERQUE, Jacques. Du nouveau sur les Bani Hilal. Madrid: Instituto de Estudios Africanos, 1995.
FROMHERZ, Allen J.. “Su’da”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 465-466.
NORRIS, H.T. The berbers in arabic literature. Londres: Longman, 1982.
Última atualização em: 28/01/2021
































