Tag: Napata

Abar (século VII a.C.)

Rainha de Kush, mãe de Taharqa, que governou de 690 a 664 a.C., durante o período da dominação Kushita no Egito. Por vezes é referida com os nomes de Abala, Abale, Abalo, Abiru e Ibart.

As principais fontes sobre ela são várias estelas encontradas durante escavações em Gematen, sítio localizado nas proximidades da atual comunidade de Kawa, ao sul da terceira catarata do Nilo, um dos maiores santuários de Kush. A imagem esculpida em relevo em uma das estelas retrata a rainha Abar em duas cenas simétricas, atrás de Taharqa tocando o instrumento musical conhecido como sistrum enquanto ele oferece pão e vinho ao Deus Amon. Representações similares foram encontradas em um relevo de parede no Templo B300 em Jebel Barkal, o principal complexo de templos da Núbia Antiga, situado entre a terceira e quarta cataratas, e no Templo de Amon em Sanam – próximo a Barkal, na margem oposta do Nilo.

Acredita-se que Abar era sobrinha pelo lado materno de Alara, fundador da 25ª dinastia e semi-lendário governante do Reino cuxita. Também tem sido considerado que ela era filha de Kashta, o primeiro rei cuxita comprovado, e irmã-esposa do rei Piankhy, o conquistador do Egito e primeiro dos faraós da Dinastia “núbia”.

As referências a Abar nas estelas tratam da visita dela à Taharqa, episódio comparado ao reencontro da deusa Ísis com seu filho Hórus. É provável que a “reunião” do rei com sua mãe foi realizada como uma confirmação de seu direito de sucessão ao trono. Pela maneira como são representadas, fica sugerido que a ascensão de Taharqa ao governo foi predeterminada por uma velha petição de Alara que, talvez, para celebrar sua vitória sobre rivais tinha “prometido” várias de suas irmãs ao Deus Amon de Gematen. Neste caso, fica bem estabelecido que a relação, através de Abar, com seu glorioso ancestral Alara, foi o mais importante argumento da legitimação de Taharqa. O precedente de Abar é particularmente importante como a mais antiga das evidências a respeito da instituição das rainhas-mães na vida política de Kush.

BIBLIOGRAFIA

LOHWASSE Rhwasser, A. Queenship in Kush: status, role and ideology of royal women. Journal of the American Research Center in Egypt, v. 38, p. 61-76, 2001.

TROY, L. Patterns of queenship in ancient Egyptian myth and history. Uppsala: Almquist and Wiksell, 1986.

VINOGRADOV, A. K.. “Abar”.  In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 04-05.

Amenirdis II (século VII a.C)

Princesa núbia da 25ª dinastia de governantes do Egito, sediados na cidade de Tebas, foi a filha de Taharqa. Ascendeu ao poder por volta de 670 a.C. e governou até 640 a.C. pela autoridade que lhe era conferida como “esposa de Amon”.

Seguindo uma antiga tradição núbia de sucessão, Amenirdis II tinha sido adotada por  Ankhshepenupet, sua tia,  e mesmo após a derrubada de Taharqa do trono ela permaneceu com autoridade no governo. Ela “adotou” como sua sucessora a Nitocris, que era filha de Psamético – governante que deu início à 26ª dinastia de governantes do Egito.

Dessa maneira, uma dinastia feminina paralela, mais ou menos exclusiva, frustrou as reivindicações dos rivais à autoridade de Tebas. As “esposas de Amon” eram pessoas que tinham sangue real, eram consideradas como uma “mãe superior divina” e detinham poder efetivo em Tebas. As mulheres detentoras desse título não podiam se casar com qualquer homem porque eram consideradas formalmente casadas com a poderosa divindade que era Amon.

BIBLIOGRAFIA

DODSON, Aidan. The problem of Amenirdis II and the heirs of the office of God’s Wife of Amun during the Twenty-sixth Dynasty. Journal of Egyptian Archaeology. v. 88, p. 179–186, 2012.

Ankhshepenupet II (710-650 a.C.)

Princesa núbia da 25ª dinastia que recebeu o título de “esposa de Amon”, que acumulava funções sacerdotais e funções de governo. Era filha de Piankhy, o fundador da dinastia, e viveu durante os governos dele, de Shabaka, Shabatarka e de Taharqa.  Ela foi “adotada” por Amenirdis I, a irmã de Piankhy que tinha sido designada por este como cantora e adoradora do deus Amon em Tebas.

O seu complexo funerário está localizado em Medinet Habu, e nela foi encontrado um sarcófago policromado, junto com frascos e estátuas funerárias. No Museu Nacional, em Alexandria, Egito, pode-se ver o seu busto esculpido em granito, portando na cabeça um ornamento da deusa Hator.

No governo de Taharqa, seu intendente Montuemath, sacerdote de Amon, foi colocado pelo soberano como responsável pela administração do Baixo Egito, e este governou Tebas em conjunto com Ankhshepenupet II. Por volta de 670 ela “adotou” sua sobrinha Amenirdis II, a filha de Taharqa, que deu continuidade ao costume das adoradoras divinas de Amon até o período de governo de Psamético, na 26ª dinastia.

BIBLIOGRAFIA

DAFA’ALLA, Samia. Succession in the kingdom of Napata, 900-300 B.C. The International Journal of African Historical Studies, v. 26, n. 1, p. 167–174, 1995. 

REISNER, G. A. Discovery of the tombs of the egyptian XXV.dinasty. Sudan Notes and Records, v. 2, n. 4, p. 237–254, 1919.

Theme: Overlay by Kaira.