Perpétua e Felicidade (século III d.C.)

Duas mártires do cristianismo. Viveram em Cartago, região onde atualmente é a Tunísia, durante o período do Império Romano. Foram executadas em uma arena na celebração de aniversário de Geta, filho do Imperador Sétimo Severo. Elas não foram as primeiras cristãs a serem executadas, porém ficaram conhecidas pois durante a sua prisão Perpétua escreveu um diário relatando seus sonhos e experiências pessoais, texto que ficou conhecido como Passio sanctarum Perpetuae et Felicitatis (paixão das Santas Perpétua e Felicidade).

Perpetua nasceu por volta de 182 d.C. e pertencia a uma família rica, os Vibii. O pai era provavelmente um oficial do governo e tinha três irmãos.  Felicidade era escrava de Perpétua e assim como sua senhora era catecúmena, isto é, adotou o cristianismo e preparava-se para ser batizada.

Em 202, com a criminalização do judaísmo e do cristianismo, os seguidores dessas crenças ficaram sujeitos à prisão e pena de morte, o que levou a que alguns anos mais tarde ambas tenham sido presas – inclusive estando Felicidade grávida. Após um breve julgamento, as duas e demais pessoas aprisionadas foram sentenciadas à morte, e toda a circunstância do processo, prisão e julgamento aparecem em seu diário, cuja leitura se tornou muito popular na comunidade cristã. O seu martírio foi amplamente divulgado em textos hagiográficos, que detalham a forma cruel com que foram executadas publicamente.

O fato de que no diário Perpétua tenha descrito sonhos e visões celestiais e paradisíacas aumentou a popularidade de seu escrito, mas gerou desconfiança nas autoridades cristãs, como Santo Agostinho, que teceu uma série de comentários e interpretações sobre como considerar a experiência mística vivida e narrada pela mártir. 

Sua popularidade e influência representam a voz de uma mulher africana educada do terceiro século.

BIBLIOGRAFIA

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VON FRANZ, Marie-Louise; SHAR, Daryl. The passion of Perpetua: a psychological interpretation of her visions. Toronto: Inner City Books, 2004.

WALSH, Joseph (trad). What would you die for? Perpetua’s passion. Baltimore: Apprentice House, 2006.