Tin Hinan (século V)

Legendária líder dos povos de língua tamaxeque, teria vivido perto do oásis de Abalessa, a oeste de Hoggar localizado na Argélia. Ela é tida como a ancestral dos povos tuaregues do deserto, e o significado literal de seu nome pode ser “aquela que vive em tendas”, mas o significado real seria “mãe da tribo” ou “rainha dos que acampam”. Segundo as tradições orais, teria sido uma mulher de grande beleza, rosto perfeito, olhos grandes e luminosos, em tudo evocando beleza e autoridade.

Ela teria chegado em Hoggar e no Tafilalet depois de ter atravessado o deserto em companhia de uma serva pessoal chamada Takamat. O filho da rainha, chamado Kella, é lembrado como fundador da confederação tribal dos Kel Rela, de alta linhagem. Já os dois filhos de Takamat, Dag Rali e Ait Loaien, são os fundadores de linhagens consideradas menos nobres. A centralidade de sua imagem é um indicativo da importância da matrilinearidade e do matriarcado entre os povos do deserto, o que contrasta com as tradições berberes e árabes, onde prevalecem mitos de origem vinculados a organização social de tipo patriarcal.  Outras lendas saarianas sobre descendência por linha matrilinear, através da imagem de nobres rainhas, aparecem na obra do erudito tunisino Ibn Khaldun, e na crônica de Agadez, colocada por escrito no século XVII, consta que os povos de Air, ao sul do Saara, teriam sido descendentes de uma mulher chamada Bashan.

Durante o período da colonização francesa uma missão arqueológica identificou em Abalessa, a oeste de Hoggar, no sul da Argélia, um túmulo dentro da qual se encontrava um esqueleto, peças de moedas romanas com a efígie do imperador romano Constantino, joias de ouro e prata e mobiliário funerário. O túmulo, datado do século IV, divide opiniões. Para alguns, o local poderia ter sido simplesmente um qasr, isto é, um palácio ou mesmo uma habitação nobre transformada em tumba. Outros acreditam que tenha sido construído especificamente para o corpo da legendária rainha.

A história de Tin Hinan não é a única de uma ancestral feminina dos povos saarianos de língua tamaxeque. Segundo antropólogos, ela reflete a posição de prestígio das mulheres saarianas nas composições familiares e nas relações sociais.

BIBLIOGRAFIA

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