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Anna Kingsley (1793 – c. 1870)

Anna Jai Magigdine Kingsley nasceu em 1793 em uma aldeia no atual Senegal. Detalhes sobre as circunstâncias do nascimento de Kingsley são vagos. Seu nome de nascimento era Anta Majigeen Ndiaye, e cresceu junto ao povo wolof até os treze anos de vida. Alguns argumentam ter sido provavelmente uma princesa.

No outono de 1806, aos treze anos, Anta foi aprisionada e revendida como escravizada no mercado de Havana, em Cuba. Ali, foi comprada por um fazendeiro e senhor de escravos dos Estados Unidos, Zephaniah Kingsley Jr., sendo levada de Cuba para uma plantation na Flórida (1806). Depois de algum tempo ela passou a viver maritalmente com o proprietário, e depois como sua esposa principal, embora ele tivesse filhos com outras escravizadas esposas e amantes. Ela foi legalmente emancipada, junto com os seus filhos (1811), e assumiu junto com ele a administração da propriedade. Ela própria recebeu formalmente uma terra na Flórida sob controle o governo espanhol (1812), converteu-se ao catolicismo, e adquiriu escravos(as) (1813).

Com o aumento da pressão das autoridades dos Estados Unidos sobre ex-escravos libertos Anna e sua família deixaram suas terras na Flórida e se mudaram para Cabaret Harbor, no Haiti (1838), onde ela continuou gerenciando as propriedades da família. Com a morte do marido (1843), ela lutou judicialmente durante três anos contra os familiares brancos dele para fazer valer os seus direitos, e o caso da disputa pelo testamento chegou ao Supremo Tribunal da Flórida.

Algum tempo depois, ela comprou uma fazenda com 22 acres de terra em St. John’s River perto de Jacksonville, transformada na maior comunidade de negros libertos de Arlington (1847-1862), temporariamente abandonada durante o período da guerra civil, mas logo reocupada por eles, que lá se fixaram definitivamente. Anna provavelmente foi enterrada no cemitério da família da filha, Mary Kingley Sammis, conhecido como Clifton Cemetery.

BIBLIOGRAFIA

BAUER, Deborah. “Anna Jai Magigdine Kingsley”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 384-386.

RIVERS, Larry E.. Slavery in Florida: territorial days to emancipation. Gainesville: University of Florida Press, 2000.

SCHAFER, Daniel. Anna Magigdine Jai Kingsley: african princess, florida slave and plantation slaveowner. Gainesville: University of Florida Press, 2003.

Njémbot Mbojé (c. 1800-1846)

Rainha-mãe (linger) e regente do reino senegalês de Walo.

Ela e sua irmã Ndaté, que a sucedeu no trono, presenciaram, quando crianças, uma tragédia que até hoje é relembrada e celebrada no Senegal como a “Terça-feira de Nder”. A mãe das duas, junto de outras mulheres da realeza decidiram pôr um fim às próprias vidas, em 1820, para não terem de servir como escravas aos invasores que derrotaram Walo naquele período. Apesar das circunstâncias da morte de sua mãe, Njebot viveu sua vida dedicada a proteger o seu povo, sobretudo contra a presença dos franceses.

Njémbot Mboj era forte e determinada, como revelava o seu nome. Na cultura Walo, os nomes das princesas eram escolhidos para trazer uma mensagem de esperança, Njebot significa “crescer”, “florescer”.

Deixou sua marca política entre 1830 e 1846, em um período que Walo sofria constantes invasões dos Trarzas – tendo inclusive de se refugiar em Kayor. Os reinos de Walo e Trarzas faziam fronteira e mantinham contato militar desde o século XVI. Apesar dos conflitos rotineiros, que por fim ameaçaram a economia de Walo, Njebot mantinha uma postura diplomática, chegando a se casar com Mohamed el-Habib, líder dos Trarzas. Uma das interpretações sobre esse casamento foi que Njebot tentou amenizar as constantes agressões de Trarzas sobre Walo, outra foi de que ela quis apenas ampliar seu poder. O que aconteceu de fato foi que os franceses aumentaram seu interesse sobre o território, inclusive chegando a interferir internamente.

Um mês após o casamento de Njebot, os franceses invadiram o reinado de Walo na intenção de quebrar a aliança com Trarzas, forçando-a a se refugiar no reino de Kayor novamente. Seu marido el-Habib assinou dois tratados, em um deles selou parceria comercial com os franceses e no outro abriu mão do trono de Walo tanto para si como para seus filhos. O acordo também implicava no retorno de Njebot para Walo. Lá, ela reforçou seu poder e suas alianças, deixando o reinado para sua irmã, ao morrer.

BIBLIOGRAFIA

BARRY, Boubacar. Ndyombot and Ndaté des reines qui n’ont jamais regné. Afrique-Histoire, n. 8, p. 60-64, 1983.

CREEVEY, Lucy. Islam, women and the role of the state in Senegal. Journal of Religion in Africa, v. 26, n. 3, 1996.

DIOUF, Sylviane.  Kings and queens of West Africa. Nova Iorque: Franklin Watts, 2000.

KONATÉ, Dior. “Njembot Mboj”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 161-162

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