Líder política, nacionalista e autora zimbabuense. Nasceu na Missão Dadaya, durante o período da dominação colonial britânica na então Rodésia do Sul, atual República do Zimbabwe. Seu pai, Garfield Todd, foi governador colonial no período de 1953-1958, e sua mãe, Jean Gac Todd, projetou e implementou o sistema educacional africano na Rodésia.
Na década de 1960, começou a participar de protestos políticos. Juntou-se ao movimento do nacionalismo negro da Rodésia, filiando-se ao National Democratic Party – NDP (Partido Nacional Democrático). Quando o regime de Ian Smith baniu este partido, ela se juntou ao Zimbabwe African People’s Union – ZAPU (União do Povo Africano do Zimbábue), e quando este foi banido, juntou-se ao People’s Cartaker Council – PCC (Conselho do Povo Cartaker) e ajudou a organizar os estudantes da University College of Rhodesia (Colégio Universitário da Rodésia).
No processo de libertação colonial, ela foi uma das mais fervorosas opositoras do governo de minoria branca, o que a levou em 1964 a ser presa e condenada por liderar uma manifestação em frente ao Parlamento. Alguns anos mais tarde publicou o seu primeiro livro, An act of treason: Rhodesia 1965, a survey of the background of the Unilateral Declaration of Independance (Um ato de traição: Rodésia 1965, um levantamento dos antecedentes da Declaração Unilateral de Independência) (1966).
O governo de Ian Smith mandou prendê-la novamente em 1972 sob a acusação de ameaça à segurança e ordem pública. Foi confinada em uma prisão de homens negros, onde fez greve de fome. O governo, após repercussão internacional, a transferiu para a Prisão de Chikurubi, um estabelecimento prisional destinado a mulheres brancas em Harare, e ao ser libertada foi expulsa do país. No exílio em Londres ela escreveu o seu segundo livro: The right to say no (O direito de dizer não) (1972), e em 1978 foi trabalhar para o Zimbabwe Project Trust – uma Organização Não Governamental que oferecia suporte e apoio a refugiados, com sede na Zâmbia e em Moçambique;
Em abril de 1980, após a queda de Smith, o Zimbábue se tornou uma nação independente e Robert Mugabe assumiu o cargo de Primeiro-Ministro. Judih pode voltar para casa depois de quase oito anos de exílio e deu continuidade ao trabalho do Zimbabwe Project Trust. Teve a oportunidade de concorrer ao parlamento, em franca oposição ao ZANU-PF, o partido governo, e logo caiu em desgraça junto ao regime por denunciar esquemas de corrupção e favorecimentos no jornal Daily News, que ela fundou em 1999.
Suas ideias, memórias e opiniões sobre o país que ela ajudou a criar estão registradas em seu último livro Through the darkness: a life in Zimbabwe (Através da escuridão: uma vida no Zimbábue) (2007). A obra foi escrita na África do Sul, onde ela passou a residir depois de ter perdido a cidadania por uma determinação do governo de Mugabe em 2003.
BIBLIOGRAFIA
CHENNELS, Anthony. The authority of presence: reading Judith Todd’s Through the darkness as a diary. Journal of Literary Studies, v. 25, n. 1, p. 98- 115, 2009.
CHUNG, Fay. Re-living the second Chimurenga: memories from Zimbabwe’s Liberation Struggle. Harare: Weaver Press, 2006.
ZUKAS, Lorna Lueker. “Judith Todd”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 36-37.
Última atualização em: 22/01/2021
































