Nascida em Luanda, Luzia Pereira de Souza Inglês Van-Dúnem é filha de Guilherme Pereira Inglês, um importante pastor metodista que participou dos primórdios da resistência angolana ao colonialismo Português, sendo assinado em 1961. Este acontecimento trágico influenciou a decisão de Van-Dúnem, ainda adolescente, de se exilar no Congo, em 1964, onde completou o estudo secundário e juntou-se ao Movimento Popular de Libertação de Angola – MPLA em Brazzaville, tornando-se uma das pioneiras da Luta de Libertação Nacional. Ela perdeu vários membros de sua família durante a luta armada, incluindo uma irmã e um irmão – mortos na década de 1960.
Entre 1964 e 1967, Van-Dúnem esteve em Kinshasa (República Democrática do Congo) com o MPLA, e depois em Brazzaville (República do Congo), onde recebeu instruções para ser combatente. Passou a maior parte da luta armada na província Moxico (Angola) ministrando aulas de alfabetização. Identificada nos documentos da polícia política portuguesa, a PIDE, pelo pseudônimo de “Nina”, recebeu instrução militar e treinamento técnico especializado em curso de rádio e telecomunicações realizado na União Soviética (1969-1970).
Com a formação técnica recebida no exterior, teve destacada atuação nos setores de logística, organização financeira e inteligência militar. Em 1973 foi designada como Chefe de Comunicações de Cassamba e logo passou a chefiar todas as comunicações do MPLA em Dar-es-Salaam (Tanzânia). Com a independência, foi a chefe de gabinete do Centro de Comunicações do Governo de Agostinho Neto. E a partir de 1979 ocupou postos estratégicos no governo de José Eduardo dos Santos. Neste período, transformou o Centro de Telecomunicações em um órgão específico de gestão e refinamento de informações de caráter militar.
Entre 1991-1999 acompanhou o marido, que é um diplomata, em serviços de representação da República de Angola na ONU, onde coordenou o Grupo de Mulheres Africanas naquela instituição. De retorno ao país, foi eleita Secretária Geral da Organização da Mulher Angolana – OMA, a ala feminina do MPLA criada em 1961, tomando uma série de iniciativas para que a representatividade das mulheres fosse ampliada no governo.
Em 2014 tornou-se a primeira mulher a ser promovida ao posto de oficial General, e em 2017 foi eleita para a Assembleia Nacional como deputada.
BIBLIOGRAFIA
BATSÎKAMA, Patrício. A mulher na Luta de Libertação e na construção do Etado-nação em Angola: o Caso de Luzia Inglês Van-Dúnem. História, n. 3, 2017: https://www.historia.uff.br/cantareira/v3/wp-content/uploads/2017/05/e25a06.pdf
MATEUS, Dalila Cabrita. Luzia Inglês: Antiga guerrilheira, dirigente da OMA, Angola. In: Memórias do Colonialismo e da Guerra. Porto, Portugal: Edições ASA, 2006, p. 427-443.
REDVERS, Louise. Politics-Angola: a tradition of strong women. IPS News, 2008: http://www.ipsnews.net/2008/11/politics-angola-a-tradition-of-strong-women/
SHELDON, Katleen. Luzia Ván-Dunem”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 112-113.
Última atualização em: 22/01/2021
































