Luzia Van-Dúnem (1948)

Luzia Van-Dúnem
Fonte da imagem: Wizi-Kongo. O caso de Luzia Inglês Van-Dúnem na luta de libertação e na construção do Estado-Nação. 13 de mai. de 2017. Disponível em: http://wizi-kongo.com/luta-de-libertacao-de-angola/o-caso-de-luzia-ingles-van-dunem-na-luta-de-libertacao-e-na-construcao-do-estado-nacao/. Acesso em: 27 de dez. de 2020.

Nascida em Luanda, Luzia Pereira de Souza Inglês Van-Dúnem é  filha de Guilherme Pereira Inglês, um importante pastor metodista que participou dos primórdios da resistência angolana ao colonialismo Português, sendo assinado em 1961.  Este acontecimento trágico influenciou a decisão de Van-Dúnem, ainda adolescente, de se exilar no Congo, em 1964, onde completou o estudo secundário e juntou-se ao Movimento Popular de Libertação de Angola – MPLA em Brazzaville, tornando-se uma das pioneiras da Luta de Libertação Nacional. Ela perdeu vários membros de sua família durante a luta armada, incluindo uma irmã e um irmão – mortos na década de 1960.

Entre 1964 e 1967, Van-Dúnem esteve em Kinshasa (República Democrática do Congo) com o MPLA, e depois em Brazzaville (República do Congo), onde recebeu instruções para ser combatente. Passou a maior parte da luta armada na província Moxico (Angola) ministrando aulas de alfabetização. Identificada nos documentos da polícia política portuguesa, a PIDE, pelo pseudônimo de “Nina”, recebeu instrução militar e treinamento técnico especializado em curso de rádio e telecomunicações realizado na União Soviética (1969-1970). 

Com a formação técnica recebida no exterior, teve destacada atuação nos setores de logística, organização financeira e inteligência militar. Em 1973 foi designada como Chefe de Comunicações de Cassamba e logo passou a chefiar todas as comunicações do MPLA em Dar-es-Salaam (Tanzânia). Com a independência, foi a chefe de gabinete do Centro de Comunicações do Governo de Agostinho Neto. E a partir de 1979 ocupou postos estratégicos no governo de José Eduardo dos Santos. Neste período, transformou o Centro de Telecomunicações em um órgão específico de gestão e refinamento de informações de caráter militar.

Entre 1991-1999 acompanhou o marido, que é um diplomata, em serviços de representação da República de Angola na ONU, onde coordenou o Grupo de Mulheres Africanas naquela instituição. De retorno ao país, foi eleita Secretária Geral da Organização da Mulher Angolana – OMA, a ala feminina do MPLA criada em 1961, tomando uma série de iniciativas para que a representatividade das mulheres fosse ampliada no governo.

Em 2014 tornou-se a primeira mulher a ser promovida ao posto de oficial General, e em 2017 foi eleita para a Assembleia Nacional como deputada.

BIBLIOGRAFIA

BATSÎKAMA, Patrício. A mulher na Luta de Libertação e na construção do Etado-nação em Angola: o Caso de Luzia Inglês Van-Dúnem. História, n. 3, 2017: https://www.historia.uff.br/cantareira/v3/wp-content/uploads/2017/05/e25a06.pdf

MATEUS, Dalila Cabrita. Luzia Inglês: Antiga guerrilheira, dirigente da OMA, Angola. In:  Memórias do Colonialismo e da Guerra. Porto, Portugal: Edições ASA, 2006, p. 427-443.

REDVERS, Louise. Politics-Angola: a  tradition of strong women. IPS News, 2008: http://www.ipsnews.net/2008/11/politics-angola-a-tradition-of-strong-women/

SHELDON, Katleen. Luzia Ván-Dunem”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 112-113.

Última atualização em: 22/01/2021

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