
O copo de Pitágoras é uma demonstração clássica de hidrodinâmica baseada no princípio do sifão. Este instrumento parece apenas uma taça comum, mas quando enchemos a taça todo o líquido se esvai.
Perceba que dentro da taça há um tubo que inicia na parte baixa do reservatório e sobe, para então fazer uma curva e descer até o pé da taça. O copo pode ser usado normalmente, desde que o líquido não alcance a curva do tubo, momento no qual o copo esvazia pelo tubo.

O funcionamento do instrumento é bastante simples. Enquanto enchemos o copo, o líquido vai se acumulando e subindo tanto no reservatório quanto no tubo, pelo princípio de Pascal dos vasos comunicantes. Quando o líquido atinge a curva do tubo, a ação da gravidade sobre o líquido faz com que este seja expelido pelo orifício no fundo do copo.
Este mesmo princípio é utilizado ainda hoje em vasos sanitários e pias, para impedir a passagem de cheiro, e muitos outros equipamentos. Entender funcionamento do sifão é extremamente importante para dominar as tecnologias de hidráulica e transporte de líquidos.
Sobre o funcionamento do sifão
Para entender o funcionamento de um sifão é importante estudar um pouco sobre hidrodinâmica, mais especificamente o princípio (ou teorema) de Bernoulli. Este princípio descreve o comportamento de um fluido em movimento e pode ser deduzido a partir da conservação de duas grandezas: massa e energia.
Considerando um fluido incompressível e sem atrito, o seu movimento é descrito pela equação de Bernoulli, dada por: , onde
é a velocidade de escoamento do fluido,
é a pressão atmosférica,
é a densidade do fluido,
é a aceleração da gravidade,
é a altura da coluna de líquido e
uma constante. O primeiro termo da equação se refere à energia cinética, o segundo à pressão e o terceiro à energia podencial gravitacional.
Aplicando esta equação para um sifão podemos considerar uma linha de fluxo que parte da superfície do reservatório e vai até o orifício no final do sifão. Para esta linha de fluxo, o valor é constante e podemos igualar as equações nos diversos pontos de interesse e obter os valores de velocidade para o escoamento, assim como observar os limites para os quais o escoamento acontece.

Brincando com as equações e considerando a aproximação de que o reservatório seja muito grande, obtemos os seguintes resultados interessantes:
demonstra que a velocidade de escoamento depende apenas da aceleração da gravidade e da diferença de altura entre o nível do reservatório e a saída do tubo do sifão.
mostra que a velocidade máxima de escoamento depende da pressão atmosférica, da densidade do líquido, da aceleração da gravidade e da diferença de altura entre o nível do reservatório e o ponto mais alto do tubo do sifão.
- A profundidade da entrada do tubo do sifão não faz diferença para os resultados da dinâmica. É claro que isso só se aplica no caso ideal em que estamos tratando, mas é uma boa aproximação para o que acontece na realidade.
Pesquisa: Gabriel Cury Perrone; Físico UFRGS / Agosto 2019 e Lara Elena Sobreira Gomes; Física UFRGS / Agosto 2019