• Capítulo 01: O que é isso aqui em cima?

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Nossa jornada se inicia bus­cando com­pre­en­der o que compõe o nosso uni­verso e como fomos capazes de iden­ti­fi­car os astros que nos cercam. Para isso, par­ti­mos da breve his­tó­ria de nossas pri­mei­ras obser­va­ções astronô­mi­cas, no espec­tro visível, até as mais pro­fun­das obser­va­ções pro­du­zi­das por radiotelescópios.

Pare e Pense… Para algumas pessoas os signos dos Zodía­cos, deter­mi­na­dos pelo ali­nha­mento do sol e dos astros no dia do seu nas­ci­mento, deter­mi­nam suas esco­lhas e com­por­ta­mento. É algo tão popular nos dias atuais, que o horós­copo é infor­mado em jornais, revistas…

No prin­cí­pio, obser­vá­va­mos o céu com certo entu­si­asmo. A busca plena por com­pre­en­der o que há na vas­ti­dão do uni­verso nos faz romper a bar­reira visível, bus­cando imple­men­tar objetos para elevar a nossa visão do des­co­nhe­cido. Em um pri­meiro momento, com o vis­lum­bre do Sol, da Lua e das estre­las foram criados os pri­mei­ros mapas, calen­dá­rios e até mesmo reló­gios, que uti­li­za­vam a posição desses astros como refe­rên­cia. Porém, a natu­reza dos objetos astronô­mi­cos per­ma­ne­cia des­co­nhe­cida, criando uma atmos­fera mito­ló­gica, fator comum em diver­sos povos. Essas crenças que incluíam desde cri­a­tu­ras mágicas até alte­ra­ções de com­por­ta­mento no coti­di­ano, esta segunda deu origem a Astro­lo­gia, popu­la­ri­zada pelos gregos.

Graças às pri­mei­ras obser­va­ções, tem origem a Astro­no­mia, na qual foram obser­va­dos alguns pla­ne­tas do Sistema Solar (Mer­cú­rio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), ini­ci­al­mente tra­ta­dos como estre­las erran­tes, pois apre­sen­ta­vam movi­mento dife­rente da “cúpula de estre­las”. Ainda na anti­gui­dade, outros objetos astronô­mi­cos des­co­ber­tos foram os cometas, tra­ta­dos em um pri­meiro momento como pla­ne­tas e mais tarde como um mero efeito visual na atmos­fera ter­res­tre (pro­posto por Aris­tó­te­les, esse con­ceito per­du­rou por toda a idade média na Europa, des­car­tado somente com os estudos de Tycho Brahe (1546 — 1601) sobre um cometa em 1577 d.c.).

Durante a idade Média (entre os séculos V e XV), o conhe­ci­mento astronô­mico seguiu dois cami­nhos, o pri­meiro foi a con­ser­va­ção e ampli­a­ção dos conhe­ci­men­tos gerados pelos gregos e povos medi­ter­râ­neos, sob a tutela dos povos árabes, e o segunda se man­tendo preso aos cânones cris­tãos, seguido pelos euro­peus. Contudo, diante de con­fli­tos e trocas comer­ci­ais os conhe­ci­men­tos gregos come­ça­ram a ser difun­di­dos nova­mente na Europa, pro­mo­vendo ques­tões acerca das ideias astronô­mi­cas regen­tes. Espe­ci­al­mente, uma das ideias tocava fir­me­mente na con­cep­ção de mundo supra­lu­nar de Aris­tó­te­les, na qual as estru­tu­ras celes­tes são per­fei­tas e harmônicas.

No  limiar da Idade Moderna (1453 — 1789), entre os anos de 1609 e 1610, Galileu Galilei criou o seu próprio teles­có­pio (Pers­pi­cil­lum) a partir da imple­men­ta­ção do teles­có­pio paten­te­ado em 1608 por Hans Lip­pershey. Com seu teles­có­pio, Galileu obser­vou as imper­fei­ções da Lua, as manchas solares e des­co­briu as luas de Júpiter (Io, Europa, Gani­mede e Calisto). Contudo, suas cons­ta­ta­ções não agra­da­ram a Igreja Cató­lica, que obrigou Galileu (com ameaça de heresia perante a Inqui­si­ção) a negar suas pró­prias des­co­ber­tas. Ele as negou, porém os seus conhe­ci­men­tos  per­du­ra­ram por meio de seus livros, moti­vando seus sucessores.

Galileu Galilei mos­trando ao Doge de Veneza como usar o teles­có­pio — pintor Giu­seppe Bertini

Mais tarde, Isaac Newton (1643–1727) desen­vol­veu um teles­có­pio refle­tor em 1668, para tentar obter uma imagem mais precisa e sem o efeito das aber­ra­ções cro­má­ti­cas, é valido sali­en­tar que antes de Newton, James Gregory (1638 1675) já havia pro­posto o pri­meiro projeto de um teles­có­pio refle­tor. No entanto, em 1672, Laurent Cas­se­grain (1629–1693) criou o Teles­có­pio Cas­se­gra­ni­ano, sendo o seu prin­cí­pio uti­li­zado atu­al­mente de forma pro­fis­si­o­nal, enquanto o prin­cí­pio do teles­có­pio refle­tor é uti­li­zado de forma amadora.

Com o avanço do conhe­ci­mento astronô­mico e tec­no­ló­gico torna-se pos­sí­vel que Edmond Halley (1656–1742) cal­cu­lasse a peri­o­di­ci­dade de um cometa (mais tarde nomeado em sua home­na­gem de Cometa Halley). Mesmo diante desses avanços, um mis­té­rio ainda pairava sobre os céus: já se com­pre­en­dia o movi­mento dos pla­ne­tas e cometas, todavia a cúpula estelar con­ti­nu­ava intacta e  suas estre­las fixas no manto escuro do Universo. 

Uma “Ros­qui­nha” espa­cial!?
Pri­meira imagem de um buraco negro super­mas­sivo no centro da galáxia M87, divul­gada em 10 de abril de 2019, obtida pela a análise dos dados do Event Horizon Teles­cope. Esse equi­pa­mento con­siste em diver­sos radi­o­te­les­có­pios dis­tri­buí­dos pelo planeta, que detec­ta­ram ondas ele­tro­mag­né­ti­cas de baixa energia, invi­sí­veis aos olhos (como nos rote­a­do­res de inter­net sem fio).

Desse modo, William Hers­chel (1738 — 1822) buscou explo­rar a céu pro­fundo com seu próprio teles­có­pio, durante os anos de 1782 à 1802, no qual des­co­briu 2400 objetos astronô­mi­cos (nome­a­dos nebu­lo­sas, pois eram objetos visi­vel­mente inde­fi­ni­dos, sendo alguns reco­nhe­ci­dos como sis­te­mas extra­ga­lác­ti­cos em 1924, por Edwin Hubble (1889–1953)). Hers­chel também des­co­briu o planeta Urano, des­co­briu duas luas de Urano e duas de Saturno e propôs o termo aste­roide para estru­tu­ras que pare­ciam brilhar como estre­las, mas apre­sen­ta­vam movi­mento apa­rente. Outra impor­tante con­tri­bui­ção foi a des­co­berta de uma radi­a­ção que não era visível, a qual nomeou de “raios calo­rí­fi­cos” (radi­a­ção infra­ver­me­lha). É impor­tante sali­en­tar que essas des­co­ber­tas ele fez com o auxílio de sua irmã Caro­line Lucre­tia Hers­chel (1750–1848).

Em 1932, foram detec­ta­das as pri­mei­ras ondas de rádio oriun­das do espaço, pelo enge­nheiro Karl Guthe Jansky (1905–1950)  na Bell Telephone Labo­ra­to­ries, em Holmdel (Nova Jersei, EUA). Essa des­co­berta abriu uma nova e uma vasta área de pes­quisa na Astro­no­mia, sendo nomeada de Radi­o­as­tro­no­mia. Em 1937, foi criado o pri­meiro radi­o­te­les­có­pio, pelo radi­o­a­ma­dor e pio­neiro nessa área, Grote Reber (1911–2002). Com os avanços da ciência, muitos outros equi­pa­men­tos foram desen­vol­vi­dos, levando a inú­me­ras des­co­ber­tas e pos­si­bi­li­tando o sur­gi­mento de novas áreas de pes­qui­sas astronô­mi­cas. Cer­ta­mente a jornada na busca do des­co­nhe­cido, nos levou a um ponto que nunca pen­sa­mos em estar, porém estamos apenas no começo da “odis­seia” humana bus­cando des­ven­dar os mis­té­rios do espaço… 

Álisson Schneider / Equipe AMLEF 2021

Saiba mais:


Referências:

  1. https://www.if.ufrgs.br/ast/solar/portug/meteor.htm (Acesso em: 2/08/2021)
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Planeta (Acesso em: 2/08/2021)
  3. http://www.bramonmeteor.org/bramon/cometas-uma-breve-historia-parte‑i/ (Acesso em: 2/08/2021)
  4. http://astro.if.ufrgs.br/telesc/node1.htm (Acesso em: 2/08/2021)
  5. http://site.mast.br/multimidia_instrumentos/luneta_atualidade.html (Acesso em: 2/08/2021)
  6. http://astro.if.ufrgs.br/telesc/node4.htm (Acesso em: 2/08/2021)
  7. http://www.observatorio.ufmg.br/Pas90.htm (Acesso em: 2/08/2021)
  8. http://astro.if.ufrgs.br/antiga/antiga.htm (Acesso em: 2/08/2021)
  9. https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_astronomia (Acesso em: 2/08/2021)
  10. https://en.wikipedia.org/wiki/William_Herschel (Acesso em: 2/08/2021)
  11. https://super.abril.com.br/ciencia/sairam-imagens-do-buraco-negro-m87-em-raios-x-gama-e-ultravioleta/ (Acesso em: 2/08/2021)

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