Nossa jornada se inicia buscando compreender o que compõe o nosso universo e como fomos capazes de identificar os astros que nos cercam. Para isso, partimos da breve história de nossas primeiras observações astronômicas, no espectro visível, até as mais profundas observações produzidas por radiotelescópios.

No princípio, observávamos o céu com certo entusiasmo. A busca plena por compreender o que há na vastidão do universo nos faz romper a barreira visível, buscando implementar objetos para elevar a nossa visão do desconhecido. Em um primeiro momento, com o vislumbre do Sol, da Lua e das estrelas foram criados os primeiros mapas, calendários e até mesmo relógios, que utilizavam a posição desses astros como referência. Porém, a natureza dos objetos astronômicos permanecia desconhecida, criando uma atmosfera mitológica, fator comum em diversos povos. Essas crenças que incluíam desde criaturas mágicas até alterações de comportamento no cotidiano, esta segunda deu origem a Astrologia, popularizada pelos gregos.
Graças às primeiras observações, tem origem a Astronomia, na qual foram observados alguns planetas do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), inicialmente tratados como estrelas errantes, pois apresentavam movimento diferente da “cúpula de estrelas”. Ainda na antiguidade, outros objetos astronômicos descobertos foram os cometas, tratados em um primeiro momento como planetas e mais tarde como um mero efeito visual na atmosfera terrestre (proposto por Aristóteles, esse conceito perdurou por toda a idade média na Europa, descartado somente com os estudos de Tycho Brahe (1546 — 1601) sobre um cometa em 1577 d.c.).
Durante a idade Média (entre os séculos V e XV), o conhecimento astronômico seguiu dois caminhos, o primeiro foi a conservação e ampliação dos conhecimentos gerados pelos gregos e povos mediterrâneos, sob a tutela dos povos árabes, e o segunda se mantendo preso aos cânones cristãos, seguido pelos europeus. Contudo, diante de conflitos e trocas comerciais os conhecimentos gregos começaram a ser difundidos novamente na Europa, promovendo questões acerca das ideias astronômicas regentes. Especialmente, uma das ideias tocava firmemente na concepção de mundo supralunar de Aristóteles, na qual as estruturas celestes são perfeitas e harmônicas.
No limiar da Idade Moderna (1453 — 1789), entre os anos de 1609 e 1610, Galileu Galilei criou o seu próprio telescópio (Perspicillum) a partir da implementação do telescópio patenteado em 1608 por Hans Lippershey. Com seu telescópio, Galileu observou as imperfeições da Lua, as manchas solares e descobriu as luas de Júpiter (Io, Europa, Ganimede e Calisto). Contudo, suas constatações não agradaram a Igreja Católica, que obrigou Galileu (com ameaça de heresia perante a Inquisição) a negar suas próprias descobertas. Ele as negou, porém os seus conhecimentos perduraram por meio de seus livros, motivando seus sucessores.

Mais tarde, Isaac Newton (1643–1727) desenvolveu um telescópio refletor em 1668, para tentar obter uma imagem mais precisa e sem o efeito das aberrações cromáticas, é valido salientar que antes de Newton, James Gregory (1638 1675) já havia proposto o primeiro projeto de um telescópio refletor. No entanto, em 1672, Laurent Cassegrain (1629–1693) criou o Telescópio Cassegraniano, sendo o seu princípio utilizado atualmente de forma profissional, enquanto o princípio do telescópio refletor é utilizado de forma amadora.
Com o avanço do conhecimento astronômico e tecnológico torna-se possível que Edmond Halley (1656–1742) calculasse a periodicidade de um cometa (mais tarde nomeado em sua homenagem de Cometa Halley). Mesmo diante desses avanços, um mistério ainda pairava sobre os céus: já se compreendia o movimento dos planetas e cometas, todavia a cúpula estelar continuava intacta e suas estrelas fixas no manto escuro do Universo.

Primeira imagem de um buraco negro supermassivo no centro da galáxia M87, divulgada em 10 de abril de 2019, obtida pela a análise dos dados do Event Horizon Telescope. Esse equipamento consiste em diversos radiotelescópios distribuídos pelo planeta, que detectaram ondas eletromagnéticas de baixa energia, invisíveis aos olhos (como nos roteadores de internet sem fio).
Desse modo, William Herschel (1738 — 1822) buscou explorar a céu profundo com seu próprio telescópio, durante os anos de 1782 à 1802, no qual descobriu 2400 objetos astronômicos (nomeados nebulosas, pois eram objetos visivelmente indefinidos, sendo alguns reconhecidos como sistemas extragalácticos em 1924, por Edwin Hubble (1889–1953)). Herschel também descobriu o planeta Urano, descobriu duas luas de Urano e duas de Saturno e propôs o termo asteroide para estruturas que pareciam brilhar como estrelas, mas apresentavam movimento aparente. Outra importante contribuição foi a descoberta de uma radiação que não era visível, a qual nomeou de “raios caloríficos” (radiação infravermelha). É importante salientar que essas descobertas ele fez com o auxílio de sua irmã Caroline Lucretia Herschel (1750–1848).
Em 1932, foram detectadas as primeiras ondas de rádio oriundas do espaço, pelo engenheiro Karl Guthe Jansky (1905–1950) na Bell Telephone Laboratories, em Holmdel (Nova Jersei, EUA). Essa descoberta abriu uma nova e uma vasta área de pesquisa na Astronomia, sendo nomeada de Radioastronomia. Em 1937, foi criado o primeiro radiotelescópio, pelo radioamador e pioneiro nessa área, Grote Reber (1911–2002). Com os avanços da ciência, muitos outros equipamentos foram desenvolvidos, levando a inúmeras descobertas e possibilitando o surgimento de novas áreas de pesquisas astronômicas. Certamente a jornada na busca do desconhecido, nos levou a um ponto que nunca pensamos em estar, porém estamos apenas no começo da “odisseia” humana buscando desvendar os mistérios do espaço…
Álisson Schneider / Equipe AMLEF 2021
Saiba mais:
- Telescópio caseiro — https://minasfazciencia.com.br/infantil/2017/03/14/aprenda-a-fazer-um-telescopio-caseiro/
- Descoberta dos pulsares — https://www.youtube.com/watch?v=NDW9zKqvPJI
- Astrologia X Astronomia - https://www.youtube.com/watch?v=_dvIkvlnZZM
- Astronomia nas Culturas — https://www.youtube.com/watch?v=qnAa8mtyJbo
Referências:
- https://www.if.ufrgs.br/ast/solar/portug/meteor.htm (Acesso em: 2/08/2021)
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Planeta (Acesso em: 2/08/2021)
- http://www.bramonmeteor.org/bramon/cometas-uma-breve-historia-parte‑i/ (Acesso em: 2/08/2021)
- http://astro.if.ufrgs.br/telesc/node1.htm (Acesso em: 2/08/2021)
- http://site.mast.br/multimidia_instrumentos/luneta_atualidade.html (Acesso em: 2/08/2021)
- http://astro.if.ufrgs.br/telesc/node4.htm (Acesso em: 2/08/2021)
- http://www.observatorio.ufmg.br/Pas90.htm (Acesso em: 2/08/2021)
- http://astro.if.ufrgs.br/antiga/antiga.htm (Acesso em: 2/08/2021)
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_astronomia (Acesso em: 2/08/2021)
- https://en.wikipedia.org/wiki/William_Herschel (Acesso em: 2/08/2021)
- https://super.abril.com.br/ciencia/sairam-imagens-do-buraco-negro-m87-em-raios-x-gama-e-ultravioleta/ (Acesso em: 2/08/2021)