Estação Espacial é uma estrutura construída com a finalidade de permitir a permanência humana no Espaço. Ela se diferencia das naves espaciais por não ter sistema de propulsão ou aterragem próprio. As estações são, também, importantes núcleos de pesquisa científica sobre o Espaço e suas interações com nossa casa, a Terra, além de pesquisas sobre comportamentos físicos em microgravidade. Como é concebida para suportar a vida fora da Terra, possibilita estudar o comportamento do corpo humano, de plantas e outros organismos vivos nestas condições, por longos períodos (semanas, meses, anos).
As estações podem ser separadas, basicamente, em dois tipos:
- Monolíticas: são formadas apenas por um módulo. Possuem uma construção mais simples, pois são lançadas prontas ao espaço. Este módulo único deve conter todo o aparato científico e suprimentos que será utilizado em suas missões. A tripulação é enviada em missões subsequentes, realiza seus experimentos e regressa, deixando a estação em órbita. Quando os recursos da estação acabam, ela é abandonada, podendo se tornar lixo espacial ou cair de volta na terra, se destruindo na reentrada.
- Modulares: Estações formadas pela junção de diversos módulos. O lançamento de cada módulo é independente e a montagem da estação é realizada no espaço. Este design mais complexo permite o lançamento de partes menores e com mais flexibilidade no projeto, exigindo menos capacidade do foguete de lançamento. Este modelo de design prevê o reabastecimento de recursos e a instalação de novos módulos, atualizando o projeto inicial, o que possibilita o uso de uma mesma estação por maiores períodos de tempo.
Na história recente tivemos algumas estações espaciais importantes. Apresentamos aqui algumas delas com as suas características.
Salyut 1 (do russo: Saudação ou Fogo-de-artifício)
A estação soviética Salyut 1 foi a primeira estação espacial lançada pelo homem, em abril de 1971, como parte do Programa Salyut de estações espaciais. A estação monolítica possuía quatro compartimentos:

- transferência, para ancoragem de espaçonaves tripuladas;
- principal, com espaço para oito tripulantes em bancadas de trabalho;
- auxiliares, com equipamentos de controle e comunicação, suporte à vida e outros equipamentos auxiliares;
- Observatório Astronômico Orion 1, equipado com um telescópio e espectrógrafos, com os quais foram obtidos os espectrogramas ultravioleta de estrelas.
Apesar do sucesso do lançamento, apenas duas missões foram enviadas à Salyut 1, as Soyuz 10 e 11. A primeira teve problemas ao atracar na estação e a missão foi abortada, já a segunda obteve sucesso e a tripulação realizou experimentos por 23 dias. Durante a reentrada na atmosfera terrestre, uma válvula da cápsula de reentrada da Soyuz 11 apresentou um problema e toda a tripulação morreu asfixiada, resultando no cancelamento de missões até a correção de problemas no projeto Soyuz. A estação foi intencionalmente destruída em reentrada atmosférica após 6 meses em órbita.
Skylab 1 (do inglês: Laboratório do Céu)

Skylab foi a primeira estação espacial lançada pelos Estados Unidos (EUA) em maio de 1973, sendo também o nome das 3 missões tripuladas que utilizaram a estação. Em 1979 sua órbita declinou e a estação acabou reentrando na atmosfera e destruindo-se prematuramente, espalhando detritos pelo Oceano Índico e Austrália.
O projeto envolvia aproximadamente 80 experimentos, que seriam realizados durante as missões tripuladas, separados nas seguintes categorias: efeitos em organismos, física solar e astronomia, recursos terrestres, ciência dos materiais e adaptabilidade humana ao espaço. Devido aos danos sofridos pela estação em seu lançamento, a primeira tripulação (Skylab 2) teve que realizar diversos consertos para garantir a segurança de uso da estação, resultando em uma menor quantidade de experimentos científicos executados. As missões seguintes, no entanto, conseguiram realizar uma grande quantidade de experimentos.
Salyut 6 e 7
A segunda geração de estações espaciais soviéticas foi um grande salto para as expedições espaciais. Estas estações tinham como objetivo sua ocupação contínua, pela primeira vez na história. Além dos avanços nas tecnologias de suporte à vida, estas estações monolíticas possuíam mais de uma doca de ancoragem, possibilitando troca de tripulantes e missões de abastecimento, mesmo com outra espaçonave ancorada à estação. Junto a esse projeto, foi desenvolvida a espaçonave Progress, um módulo não tripulado de reabastecimento para as estações espaciais; as espaçonaves Progress tiveram atualizações em seu design, mas continuam em uso até hoje, abastecendo as estações espaciais.

A Estação Salyut 6 foi lançada em setembro de 1977 e se manteve em uso até 1982. Após o lançamento da Salyut 7, foi retirada de órbita, com 5 anos de serviços prestados. A Salyut 6 recebeu 16 tripulações, sendo 6 delas de longa duração, a mais longa delas durando 185 dias. Entre seus tripulantes, recebeu cosmonautas de países parceiros do Pacto de Varsóvia.
A estação Salyut 7, lançada em abril de 1982, permaneceu em órbita até fevereiro de 1992, mas foi utilizada pela última vez em 1986. Essa estação era muito similar à anterior e também recebeu diversas visitas por espaçonaves tripuladas e não tripuladas. O maior período de permanência de um cosmonauta nessa estação foi de 237 dias. A Salyut 7 foi a última das estações monolíticas do programa Salyut e um passo importante em direção às estações modulares que vieram na sequência.
Estação Espacial MIR (do russo: Mundo ou Paz)

Em sequência a Salyut 7, com o sucesso dos processos de ancoragem, foi possível projetar uma estação espacial cujos módulos se encaixam no espaço. A estação soviética (posteriormente russa) MIR foi a primeira estação espacial modular, montada em órbita, entre 1986 e 1996. Os seis módulos lançados foram os seguintes:
- Módulo Principal Mir (1986). Baseado nos projetos Salyut 6 e 7, com expansões que incluíam 6 pontos de ancoragem. Tinha como uso principal ser a área de convivência da estação.
- Kvant‑1 (1987). Módulo de astrofísica contendo telescópios e câmeras variadas. Utilizado principalmente para realização de experimentos.
- Kvant‑2 (1989). Módulo de expansão com diversos equipamentos e ferramentas, incluindo um traje de caminhada espacial e uma incubadora utilizada para chocar e criar codornas.
- Kristall (1990). Módulo tecnológico para diversos experimentos, como processamento de materiais, biotecnologia e observações astronômicas. Além disso, continha mais dois pontos de ancoragem que futuramente foram adaptados para a parceria Shuttle-Mir, com o programa de ônibus espacial da NASA.
- Spektr (1995). Primeiro módulo da parceria Shuttle-Mir. Utilizada como acomodação para os astronautas americanos e para experimentos da NASA, incluindo observações climáticas e ambientais da Terra. Seus painéis solares abasteciam metade da energia da estação.
- Priroda (1996). Módulo de sensores terrestres contendo equipamentos de 12 países diferentes. Capacitado para realizar sondagens nos espectros de microondas a visível.

Na Mir, diversos recordes foram estabelecidos, como a mais longa permanência humana contínua no espaço (3644 dias), quebrado em 2010 pela ISS, e mais longo voo por uma pessoa (437 dias). Nela, foram realizados 14 mil experimentos, em 25 missões russas e 30 missões internacionais. Em 1997 começaram os problemas de manutenção da estação, refletindo as transformações políticas e econômicas da recém extinta União Soviética. Pequenos acidentes começaram a acontecer e acabaram por tornar impossível o conserto da MIR. Depois de 15 anos e mais de 85 mil voltas ao redor da Terra, em março de 2001, a MIR declinou sua órbita, entrou na atmosfera terrestre e seus restos caíram ao sul do Oceano Pacífico. A Mir ficou marcada como um símbolo de paz, pois tornou-se uma estação espacial de cooperação internacional após o final da Guerra Fria e o declínio da União Soviética, abrindo caminho para novas parcerias internacionais de exploração espacial.
Estação Espacial Internacional

A Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) começou a montagem de seus módulos no espaço em 1998; tendo sua primeira tripulação residente, a Expedition 1, apenas em novembro de 2000. Como a estação é modular, muitos novos módulos foram instalados e alguns ainda serão. Hoje a estação conta com mais de 15 módulos pressurizados.
A ISS é um laboratório espacial envolvendo vários programas espaciais de diversos países sendo um projeto conjunto da Agência Espacial Européia (ESA), Agência Espacial Canadense (CSA/ASC), Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), Agência Espacial Federal Russa (ROSKOSMOS), Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) dos Estados Unidos da América (EUA) e até mesmo a Agência Espacial Brasileira (AEB), entre outros.
A ISS encontra-se em órbita baixa e viaja a uma velocidade aproximada de 27.700km/h, perfazendo 15,7 órbitas ao dia. Ela abriga até 6 pessoas e o abastecimento de energia é obtido através de 6 painéis solares. Foi concebida para ser um laboratório de pesquisas espaciais, observatório e futuramente base para operações para exploração da Lua, Marte e outros corpos celestes. Até agosto de 2021 recebeu 244 visitantes de 19 países, alguns deles mais de uma vez.
Programa Tiangong (Palácio Celeste)
O programa espacial chinês Tiangong consiste em um projeto para criar uma estação espacial modular independente da ISS. As estações monolíticas Tiangong 1 e 2 foram lançadas em setembro de 2011 e 2016, respectivamente, como antecessores da futura Estação Espacial Tiangong, atualmente em desenvolvimento. Seus objetivos principais eram de pesquisa científica e para testar capacidades necessárias para uma estação modular. As duas estações foram retiradas de órbita com reentradas em 2018 e 2019.

A Estação Espacial Tiangong consiste em um projeto de estação modular em construção. Essa estação permanente deve servir para estadias prolongadas e pesquisas espaciais. Seu projeto, atualmente, conta com três módulos:
- Tianhe (2021). O módulo principal. Consiste em três setores: alojamento, serviços e ancoragem.
- Wentian. Com lançamento planejado para maio de 2022, será o primeiro módulo de pesquisa, servindo também como backup para a estação.
- Mengtian. Planejado para setembro de 2022, será um segundo módulo de pesquisas.
Os primeiros três módulos do projeto contam com laboratórios para mais de mil experimentos, mas esses números ainda podem mudar. Já existe um quarto módulo em desenvolvimento que será um telescópio espacial orbitando junto à estação, permitindo seu acoplamento e facilitando possíveis reparos.
Curiosidade
Qual a diferença entre astronauta, cosmonauta, taikonauta?
- Astronauta é pessoa treinada para uma viagem espacial, é o termo usado pela maioria do mundo. ‘Ástron’ significa estrela, em grego e ‘nautes’, navegante ou marinheiro.
- Cosmonauta é o termo usado pelos russos; deriva da palavra russa “kosmonavt” e dos termos ”kosmos” (universo) e nautes (navegante ou marinheiro)
- Taikonauta é o termo usado pelos chineses; vem da palavra híbrida “taikong”, significando “espaço”.
Silvana Fraga e Gabriel Cury Perrone / Equipe AMLEF 2021
Saiba mais:
- Onde está a ISS? Confira aqui (EN) ou aqui (PT)
- Youtube: Filmagem da queda da Estação Espacial MIR
- Youtube: Acompanhamento ao vivo da ISS
Referências:
- Wikipedia: Space Station
- Wikipedia: Salyut Programme
- Wikipedia: Skylab
- Wikipedia: Mir
- InfoEscola: Estação Espacial Russa (Mir)
- Russia Beyond: 10 coisas que você não sabia sobre a famosa estação espacial Mir
- Wikipedia: International Space Station
- NASA: International Space Station
- Wikipedia: Tiangong Program
- CanalTech: Astronauta, cosmonauta, taikonauta… é tudo a mesma coisa, ou tem diferença?