• Metrologia: a ciência da medida

  • Voltar
 by 
Figura 1: Panelão de polenta mole. Fonte: Enzo Rippa, CC BY-SA 4.0, via Wiki­me­dia Commons.

Imagine um outro planeta, chamado Terra 2, igual ao nosso em todos os aspec­tos, exceto por uma coisa: não existem uni­da­des nem escalas de medidas. Digamos que você decide fazer uma bela polenta, mas a sua farinha acabou. Você pede ao seu vizinho um saco de farinha de milho e faz a sua receita de sempre, um saco de farinha e uma panela de água. A polenta fica ruim e aguada, e então você percebe que o saco de farinha do seu vizinho é menor do que o que você costuma usar.

Quem nunca pegou uma receita antiga e não con­se­guiu repro­du­zir, pois no livro da avó não havia uma medida uni­ver­sal? Afinal, quanto é uma xícara, colher de sopa ou colher de chá? É fácil per­ce­ber o quão difícil seria um mundo sem escalas de medidas, não é mesmo? Não é à toa que, durante a his­tó­ria da huma­ni­dade, dife­ren­tes métodos de medição foram inven­ta­dos e cada soci­e­dade foi criando seu sistema. É claro que cada uma uti­li­zava uma refe­rên­cia dife­rente, e é claro que isso trouxe outros problemas.

Figura 2: AMLEF325, Réplica do pro­tó­tipo inter­na­ci­o­nal do quilograma.

Acre­dita-se que o sur­gi­mento da mate­má­tica esteja rela­ci­o­nado à neces­si­dade de com­pa­rar objetos físicos, por exemplo, a quan­ti­dade de grãos em um saco que cor­res­ponde ao peso de três maçãs, qual o menor caminho para ir de uma cidade a outra ou até mesmo a quan­ti­dade neces­sá­ria de cada ingre­di­ente para uma receita dar certo. Para tais com­pa­ra­ções, a huma­ni­dade desen­vol­veu as formas de medição, que pos­si­bi­li­ta­ram rela­ci­o­nar números às carac­te­rís­ti­cas desses objetos (como peso, com­pri­mento et cetera). Isso se torna espe­ci­al­mente impor­tante quando envolve trocas ou a escrita e regis­tro de quantidades.

As medi­ções são sempre feitas em relação a alguma refe­rên­cia: as escalas. Porém, é pos­sí­vel rea­li­zar medidas com dife­ren­tes refe­rên­cias, isto é, pode-se esco­lher o que define sua escala e, havendo um valor de cor­res­pon­dên­cia entre elas, pode-se passar de uma escala para outra. Hoje é comum vermos as com­pa­ra­ções entre Milhas e Quilô­me­tros, com uma con­ver­são mul­ti­pli­ca­tiva simples, ou graus Célsius e Fah­re­nheit, cuja con­ver­são é um dos maiores ini­mi­gos dos alunos de ensino médio.

O que isso tem a ver com ciência?

A ciência é a “arte” de des­cre­ver a natu­reza em “pala­vras”. Com ela, podemos fazer pre­vi­sões de fenô­me­nos a partir de obser­va­ções prévias ou de “frases” e estru­tu­ras cons­truí­das seguindo certa lógica. A partir da obser­va­ção de repe­ti­ções desses fenô­me­nos por dife­ren­tes grupos, se as des­cri­ções se mantêm fiéis aos eventos, elas se esta­be­le­cem; quando as obser­va­ções não cor­ro­bo­ram a des­cri­ção, é neces­sá­rio desen­vol­ver uma nova descrição.

Assim a ciência evolui: algum cien­tista observa e estuda um fenô­meno e o des­creve meti­cu­losa e pre­ci­sa­mente, para que outros cien­tis­tas, em outros lugares e momen­tos, veri­fi­quem o mesmo fenô­meno, segundo a mesma des­cri­ção. A lin­gua­gem e a sintaxe uti­li­za­das para isso são a mate­má­tica, cujas pala­vras podem repre­sen­tar ope­ra­ções, quan­ti­da­des e rela­ções; assim, as dife­ren­tes uni­da­des de medida de uma mesma gran­deza são apenas sinô­ni­mos que podem ser tro­ca­dos, desde que seguindo suas pro­por­ções e relações.

Para além do diálogo pos­si­bi­li­tado pela mate­má­tica e pelas escalas, existe toda uma ciência dedi­cada à medida, chamada Metro­lo­gia. Esta con­siste no estudo dos aspec­tos teó­ri­cos e prá­ti­cos de medição, incer­te­zas e pre­ci­são. Suas impli­ca­ções para além da ciência são muito impor­tan­tes, com impac­tos diretos na indús­tria, comér­cio e até na legis­la­ção e fis­ca­li­za­ção. Ao longo deste capí­tulo, tra­ze­mos um pouco da his­tó­ria desta ciência e das escalas de medida, assim como algumas defi­ni­ções básicas de metro­lo­gia apli­ca­das à ciência e ao ensino de física.

Camila Raupp da Luz e Gabriel Cury Perrone / Equipe AMLEF 2022

Saiba mais:


Referências:

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *