• Termodinâmica: para onde vai o Calor?

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Figura 1. Ilus­tra­ção da Eolí­pila de Heron. Fonte: Domínio Público, via Wiki­me­dia Commons.

A Ter­mo­di­nâ­mica começou a ser pensada e desen­vol­vida por motivos prá­ti­cos: cons­truir máqui­nas capazes de dimi­nuir o esforço colo­cado em diver­sos tipos de tra­ba­lhos. Por volta de 5.000 anos atrás o ser humano já pensava sobre a Ter­mo­di­nâ­mica, asso­ci­ando o calor ao fogo e brin­cando com máqui­nas tér­mi­cas, como a Eolí­pila de Heron (10 EC a 80 EC). Apesar da noção dessa forma de energia ser muito antiga, sua apli­ca­ção ao tra­ba­lho, de fato, veio apenas cerca de 400 anos atrás, ainda no século XVII, quando Otto von Gue­ricke pro­je­tou o pri­meiro motor do mundo. É claro que, muito antes disso, domi­na­mos o fogo e apli­ca­mos seu poder à culi­ná­ria e à violência.

Abor­da­re­mos aqui uma área da física de natu­reza feno­me­no­ló­gica: suas leis são essen­ci­al­mente base­a­das em expe­ri­men­tos. Quando falamos em Ter­mo­di­nâ­mica, nos refe­ri­mos a quan­ti­da­des men­su­rá­veis como Volume, Pressão e Tem­pe­ra­tura. Os avanços teó­ri­cos nessa área, contra-intui­ti­va­mente, são essen­ci­al­mente abs­tra­tos, como veremos a seguir, tra­tando de gran­de­zas como Energia e Entropia. 

Figura 2. AMLEF095 — Termô­me­tro Dife­ren­cial de Leslie, para ana­li­sar dife­ren­ças de temperatura. 

A sen­sa­ção de “calor e frio” são intrín­se­cas ao ser humano e, por isso, nos acom­pa­nham por toda nossa exis­tên­cia, mas elas podem nos enganar, basta fazer um simples expe­ri­mento uti­li­zando 3 potes e água. A medida de tem­pe­ra­tura não é algo tão trivial. Con­si­dera-se Filão de Bizân­cio, no século III AEC, teria criado uma pri­meira versão de um meca­nismo para medir vari­a­ção de tem­pe­ra­tura, pos­te­ri­or­mente revi­si­tado por Galileu e outros cien­tis­tas do início da Idade Moderna. Cer­ta­mente outros meca­nis­mos simi­la­res foram desen­vol­vi­dos na África e Ásia, mas os regis­tros que temos têm sua origem na Europa. Foi no século XVIII que um médico e químico chamado Joseph Black deu origem ao termo “Calor”, que seria um fluido de peso des­pre­zí­vel que poderia pene­trar todos os corpos mate­ri­ais, de modo que suas tem­pe­ra­tu­ras aumentem. 

A ideia de Calor como um fluido con­ti­nuou sendo uti­li­zada por décadas por um dos maiores nomes da Ter­mo­di­nâ­mica: Sadi Carnot. Ele criou uma ana­lo­gia sobre o fun­ci­o­na­mento do motor a vapor que comparava‑a com um de uma roda d’água, na qual o tra­ba­lho é rea­li­zado pela queda de água de uma altura maior para uma altura menor. Isso levou Carnot a con­cluir que a quan­ti­dade de energia mecâ­nica gerada é pro­por­ci­o­nal à dife­rença entre as tem­pe­ra­tu­ras da cal­deira e do con­den­sa­dor do motor, assim como no exemplo ante­rior, porém subs­ti­tuindo a tem­pe­ra­tura por dife­rença de altura. Essa ana­lo­gia mais tarde seria reco­nhe­cida como o início da for­mu­la­ção da Segunda Lei da Termodinâmica.

O início da visu­a­li­za­ção do Calor como uma forma de energia, ao invés de uma subs­tân­cia mate­rial, só foi ocorrer no ano de 1798, quando o enge­nheiro militar Ben­ja­min Thomp­son apre­sen­tou a ideia de Calor como uma forma de movi­mento interno de um corpo mate­rial, e que era pro­por­ci­o­nal à energia mecâ­nica. A con­cei­tu­a­li­za­ção de Energia, a partir de medidas con­cre­tas, e o estudo da sua trans­for­ma­ção é o que forma a Ter­mo­di­nâ­mica (do grego, therme sig­ni­fica calor e dynamis potên­cia, ou poder), ou seja, a dinâ­mica das pro­pri­e­da­des térmicas.

Experimente em casa: Frio ou Quente? Sabemos diferenciar?

  1. Pre­pa­ra­ção:
    • Aqueça (não muito) um pouco de água e coloque no pote 1;
    • Coloque água em tem­pe­ra­tura ambi­ente no pote 2;
    • Coloque água com gelo no pote 3;
  2. O Teste:
    • Coloque a mão no pote 1 e se per­gunte: a água parece quente ou fria?
    • Man­te­nha a mão no pote 1 por 2 minutos. Agora, a água parece quente ou fria?
    • Trans­fira a mesma mão para o pote 2 e se per­gunte nova­mente: a água parece quente ou fria?
    • Coloque a mão no pote 3 e se per­gunte: a água parece quente ou fria?
    • Man­te­nha a mão no pote 3 por 2 minutos. E agora, a água parece quente ou fria?
    • Trans­fira a mesma mão para o pote 2 e se per­gunte nova­mente: a água parece quente ou fria?

O que podemos con­cluir desse teste? Afinal, o pote 2 con­ti­nha água quente ou fria? Será que nós con­se­gui­mos ter uma per­cep­ção correta da tem­pe­ra­tura de algo, ou será que temos apenas uma ideia rela­tiva entre dife­ren­ças de temperaturas?

Laila Berg da Nobrega e Gabriel Cury Perrone / Equipe AMLEF 2023

Referências:

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