Como bolsista de iniciação científica somos desafiados a desenvolver um projeto de pesquisa durante o período de orientação, estudando assuntos que dialogam com os andamentos dos trabalhos do grupo. Assim busquei informações e dados sobre as plataformas de mídias sociais que ganharam um certo protagonismo no nosso cotidiano e cada vez mais no campo da arte. A interação proporcionada pelas plataformas estimularam o mercado de arte a ter contato com um público direcionado à cultura online. Partindo desse ponto, o projeto de pesquisa que estou realizando como bolsista se propõe a compreender as mudanças tecnológicas que cercam as instituições culturais do sul do país, assumindo a importância dessas diversas redes digitais como criadoras de tendências no mundo da arte.
Idealizado em 2010 por Kevin Systrom e Mike Krieger, a rede Instagram já possui mais de um bilhão de usuários e continua crescendo constantemente, e hoje pertencendo ao grupo Facebook a rede social permite compartilhar fotos e vídeos, tendo como recursos o uso e filtros, boomerang, transmissões ao vivo e e-commerce. Por se tornar um dos principais veículos de marketing e interação, a plataforma permite que o usuário tenha acesso a dados de interação e engajamento com seu público contribuindo para a identificação do anunciante com o receptor do produto, isso resulta em uma forte inclinação de jovens em buscar a ferramenta digital para venda e compra de obras de arte, e também pensar na plataforma como suporte para a criação de novas narrativas estéticas por auxiliar na criação de linguagens visuais a partir das redes sociais como uma própria visão do mundo.
Além de permitir um consumo gratuito de conteúdos artísticos, o instagram permite que o gerenciador do perfil crie padrões visuais “Instagramaveis”, ou seja, uma estética atrativa que visa a reverberação do compartilhamento nas redes. Para isso, é preciso adotar estratégias que descubram as novas tendências de desejo do seu público a fim de criar conteúdos e olhares a partir dessa estética, para que a proposta do gerenciador tenha um maior alcance e engajamento.
Mesmo com uma certa facilidade no acesso às redes digitais, o Brasil e ainda mais o Sul tem limitações no uso profissional dessas ferramentas para a construção de uma imagem digital que se propõem a expressar e captar novos olhares para si. Para isso é preciso investimento em profissionais de marketing e comunicação que olhem para o visitante com potencial de colaboradores dessa imagem. Neste contexto, o marketing se destaca por assumir juntamente com a comunicação, o sentido de estimular os públicos a uma maior participação. Como podemos ver na pandemia de COVID – 2019, as instituições de arte não estavam preparadas para a imersão no mundo digital e diversas delas precisaram se desdobrar na construção de conteúdos para não perder seu vínculo com o público.
Fora a construção de uma identidade visual, também podemos pensar nas mídias sociais como um espaço de galeria virtual, sendo a melhor maneira de exibir trabalhos para um público grande e jovem, libertando artistas do modelo tradicional de galerias e feiras. Tais desdobramentos são importantes para os próximos passos do mercado nacional, para entender que a apropriação desses elementos e ofertas comerciais vindo de plataformas globais como as mídias sociais amparam a comunicação, enfraquece limites físicos da realidade geográfica e projeta alterações culturais.
A partir destes pontos citados a pesquisa busca compreender o mercado de arte do Rio Grande do Sul a partir das tendências digitais, analisando o comportamento digital das galerias Bolsa de Arte e Mamute, que utilizam o Instagram como ferramenta para auxiliar a circulação de obras e artistas no mercado de arte.
A pesquisa está organizada em três etapas, a primeira coleta informações sobre o fenômenos da era das redes no Rio Grande do Sul, com o propósito de familiarizar seu contexto desde o momento experimental da ferramenta ao seu ápice como um instrumento de negócio. É nessa etapa que buscarei compreender suas funcionalidades que dialogam com o mercado de arte a partir de entrevistas e estudos de caso com as galerias citadas anteriormente. Partindo da compreensão desse instrumento como uma ferramenta de trabalho, o projeto se encaminha para a segunda etapa, na qual será analisado o comportamento das instituições com as plataformas digitais, ou seja, pensar o fenômeno como uma estrutura dentro do sistema que movimenta o cenário artístico, enquanto circulação, mercado e criação de obras de arte. Observando esses movimentos passamos para a terceira etapa, que tem como objetivo identificar padrões nas práticas exercidas pelas instituições e artistas, como recurso de estratégia de marketing, de negociações, e instrumento criativo do trabalho artístico, e para isso, desejo analisar o cotidiano digital de galerias.
Os recursos digitais proporcionaram diversas mudanças no modo de consumir arte, porém, apesar das facilidades que as plataformas carregam, não presumo que seja o fim do mercado, e dos seus processos de legitimação que conhecemos hoje. Modelos híbridos, entre o virtual e o presencial, poderão ser dominantes em um futuro próximo.
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Referências:
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