Nos últimos anos houve um crescimento de práticas artísticas que utilizam manifestações características do ambiente das redes sociais, como os memes, para emitir discursos críticos através de ironia, deboche e apropriação de imagens. De
forma que me interesso em produzir uma análise sistematizada de artistas, coletivos e perfis que estão trabalhando a partir desta lógica. A presente pesquisa busca apresentar, através de um estudo de caso, o coletivo britânico The White Pube que
traz o uso da memética como recurso para uma crítica de arte mais sagaz.
A análise acontece com foco nos posts do coletivo no Instagram, de março a agosto de 2020. Tenho por objetivo exemplificar, através do The White Pube, a inovação em termos de alcance e engajamento, que os memes tem propiciado na crítica de arte, e assim, contribuir para a difusão dos memes como recurso nessa prática. Mediante a análise dos posts no Instagram do coletivo e do diálogo traçado com os referenciais teóricos da pesquisa (SHIFMAN, 2013), é possível destacar os seguintes resultados
preliminares: a utilização dos memes como prática democrática de pensamento; forte ativismo com as causas sociais e políticas da contemporaneidade; o olhar decolonial na fala e criação dos memes publicados; bem como a formação de um público extremamente atento e engajado no consumo do conteúdo criado por esses atores. Há um sentimento em comum de que as instituições que sustentam o mundo da arte estão falhando, e os memes promovem tanto um senso de identificação quanto alívio cômico.
*Pesquisa de Malena Mendes, desenvolvida via bolsa pesquisa FAURGS em 2020, orientação por Bruna Wulff Fetter.