UFRGS e a Covid-19

‘Beleza que Mata’, imagem de doutorando da UFRGS, conquista terceiro lugar no Prêmio Fotografia-Ciência & Arte do CNPq

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Foto: William Lopes/Prêmio Fotografia-Ciência/CNPq

O registro do fungo ‘Cryptococcus gattii’ foi feito com microscópio de varredura de alta resolução

A imagem que conquistou o terceiro lugar na categoria “Imagens produzidas por instrumentos especiais (ópticos, eletrônicos e eletromagnéticos)”, na nona edição do Prêmio Fotografia-Ciência & Arte do CNPq, é de microscopia de varredura de alta resolução de Cryptococcus gattii. O autor da foto, intitulada Beleza que mata, é William Lopes. O doutorando em Biologia Celular e Molecular explica que o fungo foi cultivado por fixação química, “importante para observar a amostra no estado mais próximo possível ao que se encontra naturalmente”, depois pós-fixado, desidratado e seco.

A amostra foi montada em suporte adequado para o microscópio, recoberta com uma fina camada de metal condutor e, por fim, visualizada no microscópio eletrônico de varredura do Centro de Microscopia e Microanálise da UFRGS.

A premiação, segundo William, comprova a possibilidade de tirar do laboratório o que se produz ali e reafirma a relevância do campo científico em diálogo com o restante do tecido social.

“Quando nós conseguimos ter a oportunidade de transmitir os resultados das investigações que fazemos no laboratório para além da comunidade científica é incrível. O prêmio representa a importância do fomento à pesquisa nas universidades brasileiras em um momento em que a educação é frequentemente atacada. Eu acredito que esse reconhecimento simboliza a qualidade da pesquisa que fazemos, especialmente agora que a humanidade deposita a sua esperança na ciência”, completa.

Beleza que mata

A criptococose é uma infecção pulmonar responsável por mais de 180 mil mortes por ano em todo o mundo. O estudo da estrutura dos fungos Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gatti, causadores da doença, demanda uso de microscopia e imagens aumentadas em milhares de vezes.

Foi durante uma pesquisa nesta área, em um cenário laboratorial, longe dos estereótipos do que se entende como propício para a produção de arte, que William começou a explorar a ciência por outro ângulo.

Em 2017, foi selecionado para expor na ArtBio – Mostra de Arte Científica Brasileira, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Depois disso, William e sua orientadora, Marilene Vainstein, organizaram a exposição Beleza que Mata, com imagens dos micro-organismos que estudam. “A partir daí, novas imagens foram produzidas exclusivamente para a exposição, priorizando ângulos, magnificações e composições que são tanto científica quanto artisticamente fascinantes”.

O prêmio

O prêmio Fotografia-Ciência & Arte, uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi criado em 2011 para incentivar a criação de imagens com a temática de Ciência, Tecnologia e Inovação e, assim, contribuir com a divulgação e a popularização da ciência e tecnologia. Além disso, visa à ampliação do banco de imagens do CNPq. Estudantes de graduação e pós-graduação podem se inscrever anualmente no concurso, que tem duas categorias: imagens de câmeras fotográficas e imagens produzidas por instrumentos especiais (ópticos, eletrônicos e eletromagnéticos). Os ganhadores recebem ainda uma premiação em dinheiro.

As imagens premiadas nas edições anteriores estão disponíveis em: http://www.premiofotografia.cnpq.br/web/pfca/imagens-premiadas.

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