Futuro do trabalho traz novas perspectivas aos graduandos e desafios para a organização social

Profissões | Professores de sete áreas analisam as possibilidades do mercado de trabalho para os jovens a partir da pandemia e indicam como podem se preparar para o futuro
Por Jacira Cabral da Silveira e Júlia Provenzi / Jornal da Universidade
Na esteira da quarta revolução industrial, que altera a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos, transformações que já estavam em curso no mundo do trabalho foram aceleradas pela pandemia do novo coronavírus, que trouxe consigo uma crise econômica e social. Para especialistas, isso agrava a precarização. Para quem ainda está na graduação, entretanto, conhecer essas mudanças e as habilidades necessárias para o futuro do trabalho pode ajudar na inserção no mercado. Nesta reportagem, conversamos com professores de diferentes cursos da Universidade para entender quais são os desafios e as possibilidades para cada área de atuação.
Na indústria, a revolução tecnológica – responsável por implantar inovações como impressão 3D, inteligência artificial e microeletrônica – é associada a uma nova lógica de produção e consumo. No comércio, havia uma ascensão do uso dos marketplaces (plataformas de comércio eletrônico) inclusive para a prestação de serviços. Com a pandemia, processos como a ampliação do comércio eletrônico e do trabalho remoto e a automatização – com a suspensão dos contratos de trabalhos – se intensificaram.
Como consequência, Diego Monte Blanco, professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul-Câmpus Restinga e doutor em Sociologia pela UFRGS, aponta que haverá uma reorganização da dinâmica econômica e a necessidade de novas legislações trabalhistas adequadas às novas demandas e aos novos modelos de trabalho. Mudanças contratuais e fragilização das relações de trabalho impõem uma nova dinâmica para os trabalhadores: profissionais mais qualificados podem não sofrer com o desemprego, mas, sim, com a precarização.
A professora do PPG em Sociologia da UFRGS Lorena Holzman observa que a convivência em conjunto, a identificação de problemas comuns e a construção de uma identidade foram os fatores que possibilitaram a organização dos trabalhadores, sedimentando uma ação coletiva. Com o isolamento social e o trabalho remoto, esse cenário se altera e dificulta as resistências, sinaliza a docente, que organizou, junto com o professor Antonio David Cattani, o Dicionário de Trabalho e Tecnologia.
“O trabalho remoto tende a destruir essa convivência, o compartilhamento de experiências. Quanto mais diluído o trabalho estiver, menor a capacidade de reivindicação.”
Lorena Holzman
Atualmente, Diego coordena uma pesquisa sobre jovens do ensino superior e suas perspectivas de educação, trabalho, integração e mobilidade socioeconômica. Para ele, os estudantes serão afetados, mas surgem novas oportunidades. Na construção civil, por exemplo, a automatização de alguns processos afeta a mão de obra mais barata, mas não necessariamente a dos engenheiros e arquitetos. “Temos novas demandas para essa nova organização tecnológica. O e-commerce não demanda lojas, mas precisa de grandes galpões logísticos e de pessoas especializadas em gestão, TI e processos para coordenar isso. Qualificação e experiências inovadoras contribuem para a colocação desses profissionais no mercado”, avalia.
O docente, entretanto, afirma que a educação superior já não basta: além do diploma, futuros profissionais devem investir em competências e habilidades voltadas para inovação, criatividade e trabalho em equipe. Trabalhar por projetos, prestar serviços e fazer trabalhos autônomos não serão acompanhados de um ganho de renda: serão necessidades do mercado. Instituições de ensino também devem implementar espaços como incubadoras e laboratórios de inovação tecnológica e digital – sendo o Parque Zenit, na UFRGS, exemplo disso.
Para Lorena, a informalidade tende a crescer, uma vez que não estão sendo elaboradas políticas que garantam sobrevivência à massa de trabalhadores informais sem nenhuma proteção laboral. “Consequências derivadas da reforma trabalhista e da reforma da previdência, associadas ao gerenciamento precário da pandemia, aguçam as tendências que aumentam o desemprego e a precarização das proteções sociais do trabalho regulado, com carteira assinada”, sinaliza a socióloga.
As desigualdades sociais, segundo Diego, também vão aumentar. “Temos um sistema econômico baseado na acumulação e centralização de riquezas. À medida que se tem uma força de trabalho cada vez mais especializada e com menor número de trabalhadores, automaticamente as desigualdades aumentam. Isso não significa que a economia estará parada: ela estará crescendo, mas o nível de concentração tende a aumentar”, reflete o professor. Para ele, quando se aumenta a capacidade produtiva, a demanda pelos bens e serviços precisa continuar existindo.
“Vínhamos em uma dinâmica muito forte de governos de extrema direita sendo eleitos em todo o mundo com ideias de um Estado mais enxuto, com menos investimentos sociais. E, na verdade, a dinâmica pós-pandemia tende a exigir uma maior atuação do Estado nas áreas de educação, saúde e assistência social. Vamos precisar de um Estado mais forte.”
Diego Monte Blanco
Por outro lado, se discute há muito tempo a questão de uma renda mínima universal, como na cidade de Maricá, no Brasil, como forma de auxílio aos trabalhadores precarizados. “Um desafio que temos é o de batalhar por um estado mais forte, capaz de prover saúde, assistência, educação e trabalho digno”, afirma Diego
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:: Artes – O digital permite novas possibilidades

A professora do Instituto de Artes Paula Ramos lembra que foi depois de um surto de peste negra no final da Idade Média que surgiu o Renascimento Italiano. “As pessoas estavam tão ávidas por viver que fizeram transformações culturais e sociais importantíssimas”, diz a professora. Para ela, períodos pós-traumáticos são momentos que permitem quebras de paradigmas, e os artistas são os profissionais que estão à frente desses processos.
No Brasil, a cultura é um campo vasto e reconhecido internacionalmente. É uma área que vem dando múltiplas respostas à pandemia, não apenas em adaptações tecnológicas, mas colaborando também para que as pessoas consigam lidar com as circunstâncias desse período – “vejo que os artistas estão, mais uma vez, erguendo a sociedade com a sua produção”, atesta Paula. A literatura, o cinema, a música, por exemplo, têm encontrado caminhos no mundo digital.
Nas artes visuais, essas mudanças não são fáceis. “O contato com a obra de arte é diferente do contato com a sua imagem”, explica Ramos. Por outro lado, o digital permite novas possibilidades, como, por exemplo, a ampliação das imagens das obras e a observação de seus detalhes. Nesse sentido, ela reforça a importância dos profissionais de História da Arte: pesquisadores, curadores e restauradores são peças-chave na construção desses acervos digitais e na produção e disseminação de conteúdo para museus e para instituições.
Paula argumenta que quem entra no mundo das artes o faz por necessidade de se expressar, e continuará resistindo. Entretanto, para monetizar essas alternativas, os profissionais da cultura precisam criar suas formas de viver e trabalhar. Fortalecer as instituições que promovem a cultura também é importante para a revalorização da área em âmbito nacional. Para ela, a arte salva, e é fundamental não perder a esperança.
:: Ciências Humanas – Oportunidade para vencer resistências

Para Hélio Ricardo do Couto Alves, cientista político e vice-diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), não há como avaliar com clareza o quanto o evento da pandemia pode afetar o mercado ou os mercados de trabalho no futuro, até porque, segundo ele, há uma perspectiva de retorno em um tempo razoável, de cerca de um ano e meio, para tudo voltar ao normal. “É claro que nesse período específico, com essas restrições de convivência, há uma modificação, mas não vejo que a pandemia vá ter um efeito duradouro, uma vez acabada ou mesmo controlada, no futuro, do ponto de vista profissional e da inserção no mercado de trabalho.”
De acordo com o professor, a aflição de agora atinge aquelas pessoas que já estão vivenciando a precarização de seu trabalho ou mesmo perdendo suas vagas de emprego com o fechamento de empresas. Mas para os cursos concentrados no IFCH – História, Filosofia, Políticas Públicas, Ciências Sociais (Sociologia, Antropologia) – a inserção profissional dos egressos se dá sobretudo na docência: “Não altera mais do que já vinha alterando em função de mudanças tecnológicas, ou de não precisar tantos docentes de algumas áreas, ou mesmo em razão de os concursos para universidades federais já estarem mais estrangulados.” Entretanto, devido ao fato de a docência não ser pensada para uma atuação virtual, e sim para o exercício presencial, ele entende que haverá uma certa resistência.
Referindo-se a outras atividades profissionais para as quais as humanas preparam, como o desenvolvimento de pesquisa, Hélio acredita que essa é uma oportunidade de se vencer a resistência que havia por parte de órgãos de pesquisa. “Grande número das pesquisas são realizadas no computador, com acesso a bancos de dados. Isso acho que vai mudar um pouco, tenho uma previsão de que órgãos governamentais, empresas e a própria universidade vão começar a olhar com outros olhos a possibilidade do trabalho remoto. Essa situação nos mostrou o que é possível fazer sem comparecer no local de trabalho.” Ele ressalta, entretanto, a necessidade de se considerar a demanda que esses trabalhadores terão de acesso a uma rede de internet competente para realizar esse trabalho remoto assim como de equipamentos adequados.
:: Ciências Naturais, Biológicas e Agrárias – Aptidão para construir um futuro melhor

Para o professor do Departamento de Ecologia Demétrio Luis Guadagnin, ao projetar cenários possíveis é preciso considerar o contexto socioambiental global – que é um dos fatores que diferencia esta pandemia dos exemplos históricos anteriores. O uso dos recursos naturais aponta para os limites do crescimento econômico, e a tendência para o futuro é o colapso da economia, bem como a emergência climática. Estar atento a isso significa estar apto a construir um futuro melhor para todos, e a longo prazo.
O futuro que precisamos construir precisa ter foco na economia local e solidária e na sustentabilidade ambiental, econômica e social. É preciso inverter a lógica da produção verticalizada e centrada em grandes corporações. “É muito melhor uma sociedade em que cada um tem seu painel solar do que onde a produção e distribuição de energia sejam centralizadas”, exemplifica. Assim, haverá demanda por inovação tecnológica e negócios sustentáveis. O campo profissional se abre para serviços de manutenção, saneamento, saúde preventiva, monitoramento ambiental, reconhecimento das áreas verdes e de convívio. Para as ciências agrárias especificamente, a questão central é a soberania alimentar e a alimentação saudável, que vai na contramão da tendência de exportação de commodities.
“Se construirmos esse caminho, a sociedade precisará de profissionais capazes de pensar soluções novas”, afirma Demétrio. Segundo o docente, mais do que aprender a executar tarefas, os estudantes precisam ter capacidade de inovação e mente aberta, afinal é fundamental que os jovens sejam agentes dessa mudança.
:: Engenharias – Criatividade e poder de articulação

Pensando sobre a inserção futura no contexto pós-pandemia para as diferentes engenharias, a professora Carla Schwengber ten Caten, vice-diretora da Escola de Engenharia da UFRGS e coordenadora do laboratório de Inovação, analisa que será necessário um engenheiro com uma visão mais holística e humanística, mais centrado no ser humano. “É uma dicotomia: se por um lado estamos desenvolvendo muitas tecnologias, e o engenheiro está muito associado a essas novidades, por outro essa tecnologia tem que estar a serviço da sociedade. O ser humano volta a ser o centro no sentido de que é ele que define suas dores para que as tecnologias sejam desenvolvidas.”
Segundo a professora, essa nova exigência de uma abordagem profissional mais voltada para o indivíduo acarreta um processo de criação dessas novas tecnologias mais centrado na criatividade, considerando especialmente que os problemas serão mais complexos. “No passado, a gente resolvia o problema muito tecnicamente, sem estar tão preocupado com esses aspectos mais holísticos e humanos. Agora até o processo criativo pressupõe um maior foco na pessoa.” Ou seja, os engenheiros precisam estar atentos a questões como levantamento de usuários das tecnologias, de demandas e dores da sociedade. “Vamos necessitar ter muito mais atitude, com mais capacidade de planejamento e prevenção.”
Ao pensar a inserção no mercado de trabalho, Carla também chama a atenção para o aspecto do empreendedorismo e a viabilização de seus projetos. De acordo com a vice-diretora, enquanto a atividade empresarial pressupõe capital próprio, com investimento num sistema vertical do empresário para o negócio, o empreendedor, por muitas vezes não ter recursos financeiros, precisa se articular e trabalhar em rede e de forma cooperativa.
“O empreendedor tem que conhecer todos os atores de um ecossistema, tudo o que a cidade ou o estado pode oferecer, e se valer dessas conexões, dessa rede de apoio para montar o seu negócio”, pondera. Nesse contexto, o engenheiro empreendedor precisará ter essas habilidades de muita rede e muita conexão para viabilizar seus projetos a partir de um modelo de negócio baseado em parcerias. “Cada um contribuindo com uma parte se consegue fazer um projeto sair do chão.”
Esse aspecto colaborativo vai aparecer também no trabalho remoto, seja como funcionário ou como empreendedor. “Cada vez fica mais clara a importância do trabalho colaborativo e, para torná-lo viável, é necessária a digitalização”, argumenta a professora. Diante de um cenário em que os processos vêm sofrendo uma aceleração, Carla diz que se torna necessário o desenvolvimento de plataformas colaborativas – como os sistemas de software para a área da construção civil, possibilitando elaborar todas as etapas de um projeto (hidráulica, elétrica, etc.) – em um único software digitalizado. Com essas plataformas, todo o trabalho pode ser realizado de forma colaborativa: várias pessoas podem acessar com atualização constante das diferentes intervenções. “Fala-se muito também em inovação aberta, quando esses processos são colaborativos e todo o conhecimento é divulgado para quem quiser se apropriar.”
:: Licenciaturas – Estar alerta à desigualdade de conectividade

Evandro Alves, professor do departamento especializado da Faculdade de Educação (Faced) e coordenador da Comgrad de Pedagogia, acredita que a crise vem para fazer com que as licenciaturas repensem as múltiplas dimensões do trabalho pedagógico, e em especial o curso de Pedagogia, que forma profissionais para atuarem na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. “Nessa especificidade de atuação nas etapas iniciais de escolarização nem a legislação educacional tinha previsão disso acontecer de forma não presencial. Então a gente passou de um momento para o outro a ter que considerar a via remota não apenas para a formação inicial do curso de Pedagogia, mas acontecendo na ponta – já estamos com o sistema estadual com ambiente virtual de aprendizagem – para crianças nas fases iniciais de escolarização.”
“A Pedagogia e as licenciaturas como um todo têm várias questões relativas a suas práticas que deverão ser ressignificadas nesse contexto, porque elas formam para cursos presenciais. Não estávamos preparados para uma migração para o ensino remoto, isso não estava no horizonte.” Para além disso, Evandro refere o acirramento de uma desigualdade social que já existia e que agora assume grande visibilidade, aspecto também a ser considerado na prática docente. Ele ilustra com seu caso pessoal: seus filhos estudam em uma escola pública, e ele conta que de um grupo de 24 estudantes, apenas quatro entraram em contato para começarem o grupo de ambiente virtual. “Isso dá uma dimensão do quanto estávamos despreparados tecnicamente enquanto sociedade para conviver com uma situação em que a desigualdade social se aprofunda, se avoluma e se torna mais visível.”
Nesse sentido, o docente avalia que o mercado de trabalho vai exigir a compreensão desse contexto digital, o que já vinha acontecendo, mas que agora se intensifica. O educador ressalta, entretanto, que uma universidade pública tem o compromisso de defender o direito de todos ao acesso às condições de um ambiente de aprendizagem que venha a ser impactado por um contexto digital. “Talvez isso venha a ocorrer, não sabemos ainda, mas a gente não pode esquecer todo o processo educativo como um processo de inclusão social, senão a gente acaba abrindo mais o fosso da desigualdade social, que é anterior à pandemia e que ela só escancara de uma maneira muito doída.”
:: Saúde – Teleatendimento tende a permanecer

Não há dúvida de que na área da saúde as perspectivas profissionais sempre existem. É o que assegura a professora Ilaine Schuch, do Departamento de Nutrição. Segundo ela, os estudantes que estão sem aulas agora têm uma oportunidade de reavaliar as suas perspectivas dentro da profissão que escolheram. A pandemia está trazendo uma série de questões que o SUS e as políticas públicas de saúde precisam olhar, como a obesidade, a alimentação saudável e a falta de espaço para atividades físicas, que são importantes para a prevenção de doenças.
O teleatendimento foi liberado por vários conselhos profissionais e tende a permanecer. Por isso, os futuros profissionais da saúde precisam estar preparados para trabalhar remotamente. Ilaine comenta que durante a pandemia a tecnologia ajudou os profissionais a não perderem o vínculo com pessoas com quem vinham trabalhando, mas reforça: “É importante preservar a qualidade do vínculo com os pacientes e ter em mente a qualidade do cuidado em saúde”.
Além disso, Ilaine recomenda buscar uma formação múltipla, com projetos de extensão e cursos gratuitos. Habilidades como capacidade de comunicação, networking e trabalho em equipe e interdisciplinar também são fundamentais. “Olhe a sua profissão e busque experimentar, trabalhar e complementar a preparação para sua área”, aconselha.
“Vários momentos da história brasileira e mundial (crises, pandemias, guerras) fazem com que nos reorganizemos enquanto sociedade”, diz. Por isso, a professora orienta que os estudantes tenham preocupação em conhecer o SUS e as políticas públicas em saúde e, enquanto alunos de uma universidade pública, preocupem-se em prover saúde às populações mais vulneráveis.
:: Informática – Já era uma tendência crescente o trabalho remoto na área

De acordo com o professor do curso do Instituto de Informática João Cesar Netto, presidente da Câmara de Extensão, em muitas áreas de seu campo de conhecimento o trabalho remoto e mesmo outras formas de acesso remoto já vinham sendo utilizados antes da atual crise de saúde pública, ainda que parcialmente. Cita como exemplo o uso mais frequente de coworking, sem haver a necessidade de um local específico para as empresas. O desenvolvimento de software também é uma atividade que não necessariamente precisa ser presencial, argumenta o professor, muitas vezes envolvendo equipes fisicamente distantes, em diferentes países, todos trabalhando no mesmo produto.
Ainda que a prática do trabalho remoto não tenha “se popularizado” entre as empresas, João César avalia que muitas já o vêm adotando, especialmente para evitar perdas maiores em seus faturamentos. Prova disso é o fato de praticamente não ter parado o fluxo dos estágios em sua área desde o início da pandemia, mantendo a média de 80 estágios por período. Em maio eram 84 estágios ativos, e as empresas seguem renovando os contratos. “Estão todos trabalhando em casa”, destaca. Para ele, isso ocorre porque o perfil do curso não requer a presencialidade, mas uma conexão adequada à especificidade do trabalho a ser desenvolvido.
Nesse sentido, João César comenta que algumas empresas já começam a custear o plano de acesso à internet de seus colaboradores. “Aí eu não preciso ter uma supermáquina ou um ambiente de desenvolvimento completo em casa, porque eu acesso esses recursos remotamente.” Essa é uma forma, segundo ele, de mitigar o problema de ter que montar um laboratório em casa. Ele reconhece, porém, que esse é um desafio a ser enfrentado no mercado de trabalho.
“Eu entendo que o principal desafio que precisa ser atacado é efetivamente a disciplina de trabalhar em casa, de realizar suas atividades colocando a devida separação entre horário de trabalho, as atividades domésticas, a convivência com o seu círculo familiar, seja lá qual for a situação de cada um.” Ele lembra ainda a importância do cuidado com questões ergonômicas para garantir uma qualidade de saúde física, evitando doenças que são típicas de trabalhos de esforço repetitivo. “As pessoas estão preparadas para a tecnologia por força do próprio curso, mas não estão preparadas, ou nunca tiveram um alerta ou um preparo, para esse tipo de desafio específico que é ficar basicamente durante muito tempo no mesmo local.”
