Iniciação Científica produz pesquisas em diversas áreas sobre a pandemia de covid-19
Um dos pilares fundamentais da Universidade, a pesquisa também se adaptou a este momento de isolamento. Alunas da graduação contam a experiência e os resultados das investigações nas áreas de empreendedorismo e de saúde no SIC

“Os empreendimentos femininos tiveram necessidade de investir mais na presença digital”, relata a estudante de Relações Públicas Krysley Coelho da Silva. Ela, que participa do Salão de Iniciação Científica (SIC) deste ano, é bolsista do projeto Mulheres e Inovação, da Escola de Administração da UFRGS. Em sua trigésima segunda edição, o SIC conta com pelo menos 27 trabalhos que tratam do tema da pandemia.
Krysley revela que as quatro entrevistadas para o seu trabalho, que ainda está em andamento, mencionaram um sentimento em comum: o medo. “As empreendedoras se assustaram, porque muitos negócios fecharam. Elas levaram um tempo para melhorar o desempenho e ter um rendimento mais saudável. Isso estava presente em todos os relatos”, conta a estudante, destacando que as mulheres pertencem a diferentes regiões do país.
Essa não é a primeira experiência de Krysley com a pesquisa. “No curso de Relações Públicas, isso é rotina. Já fiz umas quatro pesquisas com todo o processo: entrevistar, coletar dados, fazer análise e relatório final. Não foram publicadas, mas eu gosto bastante”, afirma. Dessa vez, por conta da pandemia, algumas dificuldades surgiram. “Antes, podia conversar com as pessoas presencialmente, então eu sentia que o processo de entrevista em si era diferente, porque conseguia interpretar outras coisas que vão além da fala. Tendo de fazer tudo por videochamada, acaba limitando um pouco, mas está sendo bem legal. O bom do modelo virtual é que pessoas que talvez não tivessem conhecimento da pesquisa agora poderão ter. Sinto muito orgulho desse projeto.”
Gilvana Goulart Vargas, aluna de graduação do curso de licenciatura em Educação Física da UFRGS, é bolsista de pesquisa do Projeto Centro de Estudos de Lazer e Atividades Físicas do Idoso (Celari). O estudo apresentado no SIC surgiu, segundo ela, porque as atividades de exercício físico continuaram a ser realizadas mesmo no período de isolamento social. “As aulas foram desenvolvidas pelo Facebook em um grupo do projeto. A partir disso, resolvemos investigar a caracterização sociodemográfica e a adesão ao exercício físico online dos idosos”, explica.
Mesmo que esse levantamento ainda esteja sendo realizado, os resultados parciais indicaram que, dos 250 idosos matriculados no projeto, 162 estavam na plataforma, e 103 participavam das aulas de exercício físico online. A média de idade foi 72 anos, enquanto a média percentual de frequência foi de 72% em um total de 27 aulas. A maioria dos idosos participantes (94,2%) é mulher, possui ensino médio (75,7%), é aposentada (78,6%) e mora com o cônjuge (44,7%). Pouco mais de um terço dos matriculados (32%) possui renda de 4 a 6 salários mínimos, seguido de outros 31,1% com renda média de 1 a 3 salários. Além disso, 36% dos idosos participaram de 41 aulas do projeto ou mais, o que corresponde a 90% das atividades oferecidas. “Sendo assim, a frequência dos idosos apresentou-se de forma satisfatória, e, ainda que nem todos os integrantes do Celari utilizem a tecnologia, esse recurso é uma possibilidade para os idosos”, conclui.
Para Gilvana, o Salão UFRGS virtual trouxe preocupações mas também novos saberes. “O momento inicial foi de extrema ansiedade, porque tive que aprender a utilizar editores de áudio e vídeo. Mas aprendi tanto no âmbito das tecnologias e softwares como na área da pesquisa e saúde.”
- Veja todos os trabalhos apresentados no Salão de Iniciação Científica: http://www.ufrgs.br/propesq1/sic2020/buscador
- Visite o site do Salão: www.ufrgs.br/salaoufrgs
