UFRGS e a Covid-19

Atuação da UFRGS na realização de testes RT-PCR completa um ano

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Trabalho coordenado pelo ICBS já acumula mais de 78 mil amostras verificadas, com um pico de 1200 em um mesmo dia

Fotos: Divulgação

A atuação da UFRGS no combate à pandemia de covid-19 e de suas consequências para a sociedade vem desde o início dos primeiros impactos no país. Uma ação concreta realizada pela Universidade foi a atuação para a detecção de contaminados por meio do teste RT-PCR. De forma emergencial, o Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS), no Campus Centro, foi reorganizado e adaptado para a realização desses testes, como forma de apoiar a demanda que crescia no Rio Grande do Sul. Esse trabalho completa um ano nesta sexta-feira, dia 16 de abril, e já acumula mais de 78 mil testes realizados com um pico de até 1,2 mil apenas em um único dia, contando com a dedicação de docentes, discentes e técnicos administrativos da UFRGS.

No início da preparação para o serviço, o ICBS reuniu os equipamentos que já possui e mobilizou outras ações para aperfeiçoar. Segundo a diretora do Instituto, Ilma Brum: “Nossa Universidade não se furta do papel de colaborar com a sociedade, ou seja, de fazer o que ela sabe fazer de melhor. Temos corpo técnico qualificado e fomos atrás de recursos para viabilizar os testes, como reagentes e novos equipamentos para extração em grande porte.” Durante o período, o ICBS recebeu doação de dois extratores, um do Banrisul e outro da Engie Engenharia, o que possibilitou a significativa ampliação de capacidade de realização da testagem.

As demandas iniciais vieram do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Sul (Lacen) e mudaram durante o ano, quando o Estado conseguiu assimilar melhor a própria demanda. Posteriormente, a UFRGS passa a atender a prefeituras, principalmente a de Porto Alegre, com a qual o convênio soma um total de 58,8 mil testes, com prazo até julho deste ano. Neste ano, o trabalho sempre foi realizado de segunda a sábado, sem nenhum período de paralisação, nem para recessos ou feriados, somando os mais de 78 mil testes aplicados. Ilma Brum indica que o pico do trabalho foi entre 14 de fevereiro e 14 de março deste ano: “No dia 28 de fevereiro recebemos mais de 3 mil amostras e processamos nesse mesmo dia cerca de 1,2 mil”. Nesse período, chegaram a atuar cerca de 150 pessoas: “Entramos numa escala industrial”, compara. São 60 horas de funcionamento do trabalho durante a semana, com algumas horas a mais durante dias em que as amostras chegam mais tarde.

Neste ano de trabalho, o Ministério da Saúde enviou duas remessas de 50 mil kits para os testes, somando 100 mil testes RT-PCR. A remessa mais recente foi nesta semana, fruto da atuação da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais da UFRGS junto ao ministério. Além disso, outros 45 mil testes foram possíveis graças a doações e convênios por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), responsável também por outros insumos na extração. São cerca de 65 mil testes ainda disponíveis para aplicação. A diretora do ICBS destaca ainda a oportunidade ímpar que os participantes do projeto têm: “É um aprendizado, pois estão envolvidos nas diversas áreas relacionadas desse processo, como logística, já que envolve alunos de pós-graduação das áreas de ciências biológicas e ciências médicas e outros cursos de graduação como biomedicina e farmácia, além dos servidores”. Com começo totalmente voluntário, durante o processo, foi possível oferecer bolsa para parte dos integrantes, como forma de manter a regularidade da ação.

Dedicação da equipe

Elisandra Ghisio, gerente administrativa do ICBS, destaca a evolução no processo de testes a partir das doações recebidas. O processo se iniciou “fazendo a extração do material genético do vírus manualmente. A cada duas horas e meia se podia extrair 16 amostras de cada equipamento. Hoje, se consegue extrair mais de mil amostras em questão de minutos com os equipamentos que temos aqui. Isso nos proporcionou, além da rapidez, a exclusão da possibilidade de erro humano”, afirma Elisandra. Os protocolos seguem as normas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), trazendo credibilidade aos resultados dos testes.

O processo até a obtenção dos resultados é delicado e envolve diversas equipes. O ICBS disponibiliza os swabs (“cotonetes” utilizados nos testes) para a coleta dos testes, que é feita nas tendas de testagem. As amostras retornam para o Instituto, onde a equipe de recepção faz a checagem de dados, e outra equipe os cadastra no sistema. A equipe de biossegurança (NB2) faz a inativação do vírus, e então ocorre a extração do material genético. A partir desse momento, é feito o teste PCR. Concluído o teste, o resultado é liberado pela equipe de laudos. Existe ainda a equipe responsável pelo transporte dos testes e materiais necessários, e a equipe administrativa, responsável pela compra dos materiais. Outras equipes são responsáveis pela coleta de resíduos, lavagem de uniformes e descarte de materiais que não podem ser reutilizados. Elisandra salienta a importância de cada equipe envolvida nas etapas do trabalho: “Todos estão muito cientes de suas responsabilidades, já que, se uma pessoa não fizer seu trabalho corretamente, vai interferir lá no resultado final”.

Comunidade interna

No início deste ano, o projeto também assumiu a realização de testes para as pessoas da comunidade da UFRGS que necessitam atuar em trabalhos presenciais: “Houve um rastreio inicial em janeiro, e realizamos bastantes testes com servidores, terceirizados e estudantes que precisavam retomar pesquisas, principalmente os de pós-graduação que dependem de laboratórios. Isso até a chegada da bandeira preta, quando o trabalho foi suspenso”, explica a diretora do ICBS.

Na foto (da esquerda para direita): Geraldo Jotz, pró-reitor de Inovação e Relações Institucionais; Marcelo Lazzaron Lamers, vice-diretor do ICBS; Carlos André Bulhões Mendes, reitor da UFRGS; Gabriela Pasqualini, professora do Instituto de Ciências Biológicas da FURG; Ilma Brum, diretora do ICBS.

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