UFRGS e a Covid-19

Professores da UFRGS, UFRJ e UFPEL criam plataforma para divulgar estudos de atenção primária à saúde

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Site PCATBrazil foi lançado em comemoração aos 31 anos de atuação do SUS

Brasil tem hoje mais de 46 mil equipes de saúde da família | Foto: Gustavo Diehl – Secom-UFRGS

Foi lançado neste mês o PCATBrazil, plataforma que visa divulgar estudos de Atenção Primária à Saúde (APS). O site reúne pesquisas desenvolvidas a partir da utilização da ferramenta PCATool, metodologia elaborada em 2006 pela pesquisadora Bárbara Starfield da Universidade Johns Hopkins (EUA).

Além de permitir o acesso ao download de publicações que adotaram a metodologia de avaliação da Atenção Primária à Saúde do PCATool no Brasil, disponibiliza os instrumentos da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 desenvolvidos pelo IBGE. O Instituto inovou mundialmente ao inserir um instrumento internacionalmente reconhecido para avaliar a APS em escala em pesquisas nacionais de saúde.

Os professores da Faculdade de Medicina da UFRGS Erno Harzheim e Marcelo Rodrigues Gonçalves integram a equipe desenvolvedora da plataforma, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).

Ao avaliar as transformações no sistema de atenção à saúde das últimas décadas, Harzheim observa que a Estratégia Saúde da Família se consolidou como a principal forma de organização dos serviços de APS no SUS. “Houve um grande crescimento no número de equipes e consequentemente de cobertura populacional da APS: hoje são mais de 46 mil equipes de Saúde da Família no Brasil. Essa expansão se traduziu também em impacto sanitário efetivo com diminuição da mortalidade infantil, diminuição da mortalidade evitável em doenças cardiovasculares, redução de internações preveníveis”.

Ele acredita, no entanto, que é preciso avançar no acesso da população às equipes e, também, na qualidade do cuidado prestado. Isso porque, até 2019, o financiamento da APS era focado apenas na remuneração pelo número de equipes e em um programa de avaliação de desempenho com um número gigante de indicadores que se traduziu numa fragilidade em obter resultados melhores em saúde. “A partir do Previne Brasil, mudança do financiamento da APS no SUS instituída em 2019 na gestão do ministro Mandetta no Ministério da Saúde, o foco do financiamento da APS brasileira passou a ser a responsabilização populacional por meio da estratégia de captação e melhoria do processo de cadastramento da população, desempenho clínico com base em um número factível de indicadores selecionados, tanto de morbidade, como indicadores globais de saúde e incentivos para a informatização, a ampliação do acesso e a formação profissional junto aos serviços de saúde.”

Segundo o docente, essa alteração no formato do financiamento deve trazer impacto na saúde das pessoas nos próximos anos e nas características dos serviços, sendo que essas últimas poderão ser captadas por pesquisas que utilizem o PCATool-Brasil.

Desafios da pandemia

Em relação ao contexto atual da atenção à saúde, Harzheim sustenta que a pandemia trouxe um desafio assistencial com mais uma atribuição ligada ao cuidado dos pacientes com covid e suas sequelas. “Adicionalmente, trouxe impacto na oferta de profissionais pelo número expressivo de profissionais que adoeceram e também um desafio tecnológico, já que boa parte do cuidado de pessoas com covid-19 deveria ser feito por telemedicina a fim de evitar transmissão e assegurar o serviço presencial para aqueles com situações mais graves”.

Quanto aos resultados do levantamento realizado pelo IBGE em 2019, o professor afirma que a expectativa é que o Instituto incorpore o PCATool-Brasil em múltiplos estudos de base populacional, inclusive na PNAD. “Com isso teremos não só avaliações, mas monitoramento de representatividade nacional da qualidade da APS. Esta informação é crucial para a reflexão sobre as políticas de saúde, suas mudanças e sua reorientação para trazer mais saúde à população brasileira”, conclui.

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