UFRGS e a Covid-19

Grupo de trabalho busca soluções de conectividade para alunos da graduação

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Foto: Subhash Roy CC BY-NC-ND 2.0

GT Milton Santos define estratégias de inclusão digital e de minimização de risco de contágio. Coordenadora adianta que haverá locais seguros para acesso à Internet em cidades do interior e que estudantes não devem retornar a Porto Alegre para as atividades do ensino remoto

Milton Santos (1926-2001), geógrafo brasileiro negro que se dedicou a estudar as desigualdades urbanas, inspira um grupo de professores, técnicos administrativos e alunos a buscar soluções seguras e eficientes de conectividade para estudantes da UFRGS. O grupo de trabalho, batizado com o nome do geógrafo e gerenciado pela Coordenadoria de Ações Afirmativas (CAF) com colaboração da Secretaria de Educação a Distância (Sead), vem atuando em várias frentes, desde o início do período de isolamento social e da suspensão das atividades presenciais na Universidade, para reduzir a exclusão digital e possibilitar que todos possam acompanhar, com segurança, o ensino remoto emergencial, em especial os cotistas e os beneficiários da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae). A ideia é apresentar em uma plataforma opções de escolha para acessar a internet e usar computadores nas proximidades de suas residências quando a região estiver em situação de bandeira amarela no distanciamento social controlado proposto pelo governo do Estado.

As primeiras ações consistiram em mapear a localização dos estudantes de graduação da Universidade. Conforme a coordenadora da CAF, Denise Jardim, foram buscadas informações no Centro de Processamento de Dados da UFRGS com os locais de moradia de todos os matriculados na instituição, para que fosse possível saber onde se encontram os estudantes em situação socioeconômica mais vulnerável. A primeira ação do Grupo de Trabalho (GT) foi uma campanha de comunicação convidando os discentes a atualizar seus endereços no Portal do Aluno. Com essas informações, o GT começou a gerar mapas indicando a localização dos estudantes. Nessa primeira etapa, observou-se que os alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica estão espalhados pelos bairros de Porto Alegre, por municípios da Região Metropolitana e do interior do Rio Grande do Sul e até por outros estados brasileiros. Denise afirma que o GT trabalha estratégias a partir do conhecimento de que a desvantagem de inclusão digital está presente em todos os bairros de Porto Alegre e de que existe um grande número de alunos vivendo no Centro da cidade, onde há, lado a lado, pessoas com excelente conexão de internet e outros sem condições de realizar atividades acadêmicas remotamente. “Não podemos pensar apenas em disponibilizar equipamentos, mas também na qualidade de conexão a que esses alunos têm acesso”, diz.

Tanto para quem está em Porto Alegre como para aqueles que estão vivendo em outros municípios nesse período, o GT identifica potenciais locais próximos às residências dos alunos em condições de recebê-los com segurança ofertando equipamento e conectividade. Podem ser salões paroquiais, centros comunitários, bibliotecas comunitárias, associações de bairros ou outros pontos com os quais serão propostas parcerias. O secretário de Educação a Distância da UFRGS, Lovois Miguel, apresentou a relação dos polos presenciais utilizados pelos estudantes dos cursos EAD da UFRGS no âmbito do convênio com a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Foram identificados prioritariamente dois, em Rosário do Sul e em Uruguaiana, onde há alunos da UFRGS residentes nas proximidades. A Sead está contatando os coordenadores desses polos para verificar a possibilidade de acolhimento de estudantes dos cursos presenciais que precisam da infraestrutura disponível para acompanhar as atividades do ensino remoto emergencial. Lovois informa que os polos são avaliados pela Capes e têm os equipamentos e estrutura exigidos para receber os alunos de cursos EAD; poderiam, portanto, neste momento receber também os discentes de cursos presenciais.

O mapeamento com todos os locais identificados estará disponível em uma plataforma específica, onde cada aluno poderá localizar o polo mais adequado para frequentar. Por enquanto, o GT ainda está definindo os fluxos para interação e outros aspectos que envolvem a parceria e ainda como a Universidade pode ajudar a criar, nesses espaços, um ambiente seguro contra a transmissão do novo coronavírus.

Enquanto avançam as negociações para definição dos espaços que estarão disponíveis, a coordenadora da CAF faz um alerta aos estudantes que estão fora de Porto Alegre: “É importante saberem que o Grupo de Trabalho Milton Santos está organizando fluxos de atendimento para evitar que voltem a Porto Alegre, evitar especialmente que saiam de lugares protegidos para vir a uma cidade que está com bandeira vermelha”.

Estudantes indígenas

Uma das preocupações do GT Milton Santos é com os 68 estudantes indígenas que moram na Casa do Estudante e regressaram para suas aldeias quando começou o período de distanciamento social. A CAF, por meio do Conselho Estadual dos Povos Indígenas, está em contato com as lideranças das aldeias para que seja providenciada conexão de qualidade nestas regiões. A ideia é melhorar a conectividade, por exemplo, nas escolas indígenas, que serviriam, então, de local de estudo para os alunos da UFRGS. Denise destaca que os esforços são para garantir que os estudantes indígenas possam dar continuidade ao semestre letivo em segurança nas suas aldeias, evitando assim o retorno a Porto Alegre nesse momento de alto risco de contágio.

Nas próximas semanas, serão anunciadas as orientações aos discentes para uso desses espaços parceiros. Enquanto dão prosseguimento às estratégias de inclusão, os integrantes do GT concordam que esse trabalho deixará um legado importante: o aprofundamento da inserção da UFRGS nas comunidades, extrapolando o caráter emergencial da iniciativa e consolidando o compromisso social da universidade pública.

Confira outras ações de inclusão digital propostas pela UFRGS para viabilização do ensino remoto:

UFRGS apresenta plano de assistência estudantil emergencial para retorno das atividades da Graduação

“Reconecta UFRGS” destina computadores a estudantes para o ensino remoto emergencial

Mais informações em: https://www.ufrgs.br/ensinoremoto/

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