Blog

O fenômeno Crepúsculo e a atualização do vampiro

Por Taís Seibt

Estreou no último fim de semana o segundo filme da saga Crepúsculo. Lua Nova bateu recordes de bilheteria pelo mundo, com ingressos esgotados semanas antes da estreia em muitas salas de cinema. O filme arrecadou nada menos que 142,8 milhões de dólares em três dias, terceira maior arrecadação para estreia em final de semana da história, sendo superado apenas por Batman, O Cavaleiro das Trevas, com 158,4 milhões de dólares, e Homem Aranha 3, com 151,1 milhões.

À primeira vista, Crepúsculo parece apenas reunir antigos mitos – vampiros e lobisomens – em uma narrativa romântica para encantar adolescentes, o que de fato ocorreu. No entanto, observando mais atentamente, pode-se identificar inovações na representação vampiresca da trama. Na cena abaixo (do primeiro filme), Edward conduz Bella até o alto da montanha, onde não há sombra, para que ela veja como ele fica sob a luz do sol:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=jw4Tv9Yk7Ts]

Ora, um vampiro convencional teria virado pó, mas Edward, ao contrário, brilha feito diamante, por isso não sai à luz do dia – “perceberiam que somos diferentes”, diz o vampiro.  Como seus antecessores, ele é ágil, forte e sedutor. Lê pensamentos, mas diz-se “vegetariano”, porque se alimenta apenas de sangue animal.

Talvez por conta dessas pequenas sutilezas que lhe foram acrescentadas, o vampiro de Crepúsculo conseguiu reverter a significação vampiresca hegemonicamente representada pelo audiovisual: ao invés de repulsa e medo, Edward consegue despertar no público sentimentos de compaixão, encantamento, simpatia.

Se o vampiro era um ser desterritorializado em relação à maioria dos personagens audiovisuais por ser um mutante do “mal” –  a longevidade desses seres se deve ao DNA mutante, além disso, por se alimentarem de sangue seu aparelho digestivo sofre mutação – agora ele se reterritorializa na pele de mocinho: em Crepúsculo, os vampiros já não são tratados como monstros sugadores de sangue – não todos, ao menos. No entanto, permanece ainda a desvantagem social, pois os alunos do colégio que Edward e seus irmãos frequentam encontram dificuldades de se socializar com os Collens. Mas isso afeta até mesmo os heróis tradicionais.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=awgAyX2ar_w]

3 Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *