Projeto elaborado e executado por: Isis Carvalho, Jéssica Susana Tag, Mairia Eduarda Paiva, Victória Tomé da Cruz
Por entendermos que a saúde mental é assunto muito importante a ser tratado na realidade de hoje, e acreditarmos que é algo que deve ser cuidado durante o ano todo, não somente no Setembro Amarelo, buscamos criar um projeto que visa divulgar estudos e conteúdos relacionados à saúde mental. Segundo dados da Organização mundial da Saúde, sintomas e diagnósticos de transtornos mentais estão sendo mais recorrentes entre os brasileiros (como a depressão, que atinge 5,8% e a ansiedade, que atinge 9,3% da população). Considerando as incertezas sobre o futuro e os rumos que as universidades públicas estão tendo pelo corte de verbas, o ambiente universitário é ideal para que o assunto (promoção de saúde mental) seja pautado ao longo de todo o ano.
Além disso, nosso objetivo não é restringir ao corpo discente, mas também a professores e funcionários da UFRGS, já que acreditamos que todos, não apenas estudantes, precisam voltar seu olhar para a saúde mental. Precisamos abordar a sociedade com esse assunto tão importante e pertinente a todos. Doenças como a depressão e ansiedade ainda são vistas como um tabu e acreditamos que, nos dias atuais, ainda há muita desinformação ou informação errada sobre saúde mental.
Portanto, levar informações corretas para dentro da Universidade é de suma importância se quisermos quebrar as barreiras e os preconceitos sobre esses assuntos, visto que abrange um público amplo capaz de levar esse conhecimento adiante. Inclusive, a própria Universidade possui locais de atendimento psicológico gratuito que pouco é utilizado pelo público universitário e é necessário que todos saibam que podem se beneficiar desse recurso.
PROJETO ANO AMARELO
A criação do nosso perfil no Instagram começou pelo nome, o qual gostaríamos que remetesse à ideia de calendário, de ano cronológico, junto a uma cor que os seguidores pudessem relacionar à saúde mental. Setembro é um mês bastante difundido pela mídia por estar fixado no Calendário de Saúde como um período de conscientização e problematização do “suicídio”, o “setembro amarelo”. Sendo assim, como já seria de conhecimento de grande parte do nosso público, optamos por colocar o amarelo também no nome da nossa página: @amarelo.ano.
Como ponto de partida para pensar as postagens que estariam no nosso feed, decidimos selecionar algumas datas que consideramos direta ou indiretamente ligadas à saúde mental, mas que, de certa forma, ainda não são pensadas com essa ligação ou que são de pouco conhecimento do nosso público, como o Dia Mundial de Saúde Mental (10/10) e o Dia da Consciência Negra (20/11), por exemplo. A partir disso, pensamos em elaborar vídeos e textos que pudessem ser informativos e interativos a quem se interessasse em visitar o nosso perfil. Os textos, por sua vez, foram pensados visando informar e contribuir, aos interessados, os locais que atendem pessoas que necessitam algum tipo de escuta e de cuidado, por um custo acessível ou gratuitos.
A ideia original do nosso projeto era distribuir cartazes pelos campi da Universidade, com frases chamativas e com o usuário do nosso perfil no Instagram. Na medida em que fomos produzindo o perfil no Instagram, notamos que seria difícil utilizar dos meios mais comuns, como os cartazes, para divulgar o @amarelo.ano, visto que a execução de tal ideia — incluindo o layout e impressões — demandaria gastos financeiros fora do nosso orçamento atual. Sendo assim, pensamos que a melhor e mais acessível forma de engajar o público no Instagram, seria com a divulgação dentro dos grupos de WhatsApp, Facebook, na própria plataforma e nas conversas com nossos pares no dia a dia. Todavia, notamos como um limitador do nossos trabalho o fato de não termos conseguido acessar um grande número de alunos dos nossos campi, o que era uma das ideias iniciais, pois os seguidores acabaram sendo, na maioria, pessoas do nossos convívio.
O primeiro conteúdo do projeto foi publicado no perfil do Instagram no dia 25 de outubro e contou com a colaboração da psicóloga Jéssica Tag (CRP 07/28615), participante do trabalho. Nessa publicação, introduzimos o projeto e elucidamos com uma fala sobre o Outubro Rosa, mês dedicado a prevenção do câncer de mama e também do Dia Mundial da Saúde Mental, que é o 10 de Outubro. Como resultado, tivemos 13 curtidas na publicação, 117 pessoas alcançadas e 183 impressões, ou seja, a quantidade de vezes que os vídeos foram vistos (Anexo D). A segunda publicação foi realizada no dia 05 de novembro e teve o intuito de nos apresentar; explicamos o objetivo do projeto, o que nos fez criar o perfil do Instagram e convidamos a todos a compartilhar nossas publicações e refletir sobre a importância de valorizar a saúde mental. Já esta publicação contou com 20 curtidas, 128 pessoas alcançadas e 171 impressões.
Para falarmos sobre o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, convidamos o estudante de Relações Públicas, Jefferson Coelho, para conversar sobre a importância desse dia, que não deve ser de comemoração, mas sim, de luta. Jefferson compartilhou a publicação no seu perfil privado e 42 pessoas curtiram, uma comentou e tivemos um alcance de 179 pessoas, 281 impressões e, além disso, quatro compartilhamentos em stories. Além disso, a partir dessa publicação, tivemos 42 visitas no nosso perfil, o que nos deu uma maior visibilidade e, consequentemente, novos seguidores.
A nossa última publicação foi dedicada a divulgar lugares que prestam atendimento psicológico em Porto Alegre a baixo custo e gratuitos, pois entendemos que nem todas as pessoas, sobretudo universitários, têm condições de investir em acompanhamento “tradicional”. Para isso, contamos com uma publicação do Coletivo P53 de 2018. Já esta se destacou das demais e nos surpreendeu com os resultados: 407 curtidas, alcance de mais de 2.405 pessoas, 2.904 impressões, 511 compartilhamentos e mais de quatrocentas pessoas salvaram esta publicação.
Com estes quatro conteúdos publicados procuramos criar posts que fossem relevantes aos nossos seguidores, além de atender à proposta de ser um calendário sobre a saúde mental. Com elas, conseguimos 114 seguidores e mais de 250 interações.
Considerações Finais
Em um primeiro momento, pensamos em questões às quais levaram o nosso projeto a algumas limitações. Por exemplo, a não divulgação mais focada dentro dos campi fez com que a página do Instagram não alcançasse mais largamente o público docente e discente da UFRGS. Além disso, o número baixo de publicações inviabilizaram, por assim dizer, uma maior troca entre os seguidores e nós, administradoras. Entretanto, os resultados obtidos através das informações que a própria ferramenta Instagram oferece, nos fez pensar no que realmente chama a atenção do público, ou o que faz com que eles se sintam mais instigados a compartilharem em seus próprios perfis aquilo que oferecemos de conteúdo. A mais recente postagem da página mobilizou usuários que sequer seguiam o perfil, mas que se sentiram à vontade em levar adiante aquilo que havia sido publicado: locais de atendimento psicológico a baixo custo na cidade de Porto Alegre. A demanda é do seguidor? Ele também conhece quem precisa? As pessoas reconhecem a necessidade de cuidar da saúde mental, mas o custo de uma psicoterapia é um limitante? Os questionamentos seguem, porém uma certeza temos: atingimos um número que nos alegrou, que nos fez pensar que o @amarelo.ano teve seu objetivo alcançado enquanto aquele de informar, de fazer com que as pessoas continuassem pensando em sua saúde mental, ou que soubesse que existe, às vezes bem próximo delas, locais que estão disponíveis a receberem quem precisa de um olhar, de uma escuta e de cuidado.
Ademais, o grupo como um todo foi ativo nas decisões e execuções que o projeto demandou sem que houvesse conflitos internos, o que foi essencial para o bom andamento do trabalho e, consequentemente, à saúde mental de todas as integrantes. Por fim, ficamos realizadas com os nossos resultados, pois sabemos que saúde mental é algo que deve ser cuidada assim como a saúde do resto do nosso corpo e perceber que muitas pessoas foram alcançadas com ele e puderam fazer proveito dos nossos conteúdos já fez com que ele valesse a pena. Também, ficamos contentes com a oportunidade de poder participar da matéria Divulgação da Ciência e da sua existência, tendo em vista todas as problemáticas que a comunicação de ciência sofre atualmente. Dessa forma, conseguimos entender — mais ainda — a sua importância, valorizá-la e buscaremos levar o conhecimento adiante.



























