Projeto elaborado e executado por: Carol Corso e Marina Lopes
Nosso grupo é composto por duas futuras biólogas que têm curiosidade sobre o conhecimento e compromisso por justiça social. A compreensão dos nossos papéis na Universidade, da importância da representação, expansão da pluralidade e acesso de outros públicos no ensino superior público contribuiu para a escolha do tópico. Por compreender cotidianamente que a construção de políticas públicas para segmento da população que são marginalizados também na educação só se edificam através de muita luta, decidimos fazer um trabalho que engrosse o caldo dessa luta por reparação história que há muito é devida para o povo negro.
A motivação por trás deste projeto além de criar uma divulgação científica acessível de um artigo científico de Maria Cátira Bortolini e Sérgio Penna, que trata sobre o papel da genética na definição de quem deve se beneficiar das política de cotas nas universidades públicas, é também situar a ciência social e biológica dentro da crise na política de cotas ocorrida na UFRGS em Abril de 2018, onde a Reitoria aprovou uma Portaria que definia “ascendência fenotípica” como justificativa válida para quem poderia usufruir da política de cotas. O artigo de 2004 beneficia toda a comunidade universitária e seus possíveis ingressantes, pois responde a questões que se colocam na incerteza de definição dos sujeitos das políticas de cotas. A divulgação deste artigo e seus achados podem elucidar dentro da comunidade acadêmica a compressão sobre conceitos como fenótipo e ascendência fenotípica, permitindo que se construa políticas de cotas embasadas em produções científicas coerentes. Além disso, o amplo conhecimento dos saberes produzidos nesse artigo podem fortalecer e assegurar a legitimidade da política de cotas, e também ampliar a compreensão de como a genética pode influenciar ou não na produção de diferenças entre os seres humanos.
Os processos que se deram para a estruturação dessa divulgação, foi de inicialmente entendermos nossa motivação para que nosso público fosse bem definido. Para alcançar esse objetivo, escolhemos a produção de cards informativos a serem postados na rede social Facebook, que fossem divulgados pela página Divulgando a Ciência. Divulgando no Facebook nesse formato, pretendemos tornar mais dinâmico e facilitado o acesso às informações propostas. O meio de divulgação nos possibilita o acompanharmos do desempenho através das ferramentas disponíveis na rede social (número de pessoas alcançadas, cliques, curtidas, comentários, compartilhamentos).
Para criação dos cards, após reler o artigo e separar informações que acreditamos ser relevantes para a compreensão do assunto, criamos frases curtas e chamativas (adequadas ao Facebook) para estampar as imagens. Elaboramos pequenas descrições que respondem ou explicam melhor as frases, sem que ficassem cansativas ao público, para adicionar a descrição da postagem de cada card. A plataforma utilizada para edição das imagens foi o “Canva”
(https://www.canva.com/pt_br/), que permite o uso dos design e gráficos criados na web ou para impressão. Todas as imagens que não foram disponibilizadas pelo próprio site, foram buscadas no google associadas ao termo “creative commons”, com o propósito de não usar imagens indevidamente, sem o direito de uso.
Decidimos realizar cards com uma identidade visual similar entre si, mas que possam ser compartilhados separadamente e ainda assim possuírem sentido – para caso as pessoas queiram salvar um ou outro card e divulgar em outras redes, como o Instagram. Escrevemos também pequenas descrições para os cards, textos curtos com linguagem informal e de fácil compreensão, além de espaçar o texto em pontos, sempre que possível.
Abaixo, os cards com seus respectivos textos.
CARD 1
“Segundo o artigo Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas? de Maria Cátira Bortolini e Sérgio Pena
(https://bit.ly/2RsQN2S), a genética de populações e a biologia evolutiva têm uma responsabilidade na discussão de raça e ancestralidade. Mais do que levantar novos dados ou quantificar novos parâmetros, a genética deve preocupar-se contrariar argumentos racistas e de eugenia, que são falsamente baseados em informações científicas.
Estruturada por uma revisão de outras pesquisas, a conclusão que os autores chegaram é de que não cabe à genética fazer prescrições sociais; ou seja, não cabe a genética definir quem deve utilizar as cotas raciais da universidade. Isso se justifica pelo fato de que o preconceito racial, o racismo, se articula e fere os rostos e corpos – e não atua dependendo do genoma e da ancestralidade das pessoas.”
CARD 2
“Já fazem mais de 20 anos que a genética comprovou que não existem “raças humanas”, pois:
- Só 0,01% do genoma humano varia entre dois indivíduos;
- No máximo 5% do DNA pode variar entre grupos étnicos diferentes.
Juntando essas informações, a diferença genética entre duas pessoas de etnias diferentes é de 0,005% no DNA. Esse valor tão baixo não é cientificamente significativo para justificar diferenças fenotípicas entre as pessoas.
Na sociedade em que vivemos, classifica-se pessoas de acordo com seu fenótipo, ou seja, características físicas, como cor da pele ou textura do cabelo. Quando se discute “raça” dentro do nosso contexto social, o termo vem associado muito mais à como as pessoas se parecem do que quem compõe sua árvore genealógica.”
CARD 3
“A espécie humana moderna (Homo sapiens sapiens) surgiu na África há cerca de 130 mil anos atrás. Essa afirmação está baseada em evidências como:
- Descoberta de fósseis hominídeos no continente, com datação mais antiga que outros lugares.
- A população africana apresenta os maiores níveis de diversidade genética, ou seja, teve maior acúmulo de mutações no DNA por ser uma população mais antiga, com mais tempo para os eventos de variabilidade ocorrerem.
Conforme a população humana foi migrando para outros continentes, os diferentes ambientes em que a espécie se estabeleceu trouxeram a mudanças para melhor se adaptar àquele local: cor da pele, altura, textura do cabelo e características faciais. E essas características que ficam escritas informação genética foram sendo passadas para as próximas gerações.”
CARD 4
“Estudos filogeográficos com brasileiros brancos revelaram que a imensa
maioria das linhagens paternas é européia, enquanto a maioria das linhagens maternas (mais de 60%) é ameríndia ou africana. Isso ilustra como ocorreu a ‘miscigenação’ no Brasil: homens europeus usufruindo de seu poder colonizador para subjugar ainda mais mulheres africanas e indígenas.
Com esses dados genéticos, conseguimos observar que grande parte da população branca carrega esse DNA. Porém essa população branca, apesar de possuir esse genoma e haver na sua família ancestrais negras e indígenas, não sofrem com preconceito raciais, justamente por serem fenotipicamente brancas.”
CARD 5
“Ascendência fenotípica se refere a existência de parentes (pais, avós, bisavós) na árvore genealógica que apresentam um fenótipo (características físicas) diferente da pessoa em questão.
Você sabia?
No início de 2018, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) publicou um documento permitindo que a política de cotas incluísse o acesso de alunos que comprovassem ascendência negra até a geração dos avós, por mais que não apresentassem características fenotípicas da raça. Contrariando inclusive a conclusão do artigo publicado em 2004 por Maria Cátira e Sérgio Penna, professores da UFRGS.
Contra tal medida, após tentativas frustradas de diálogo e conciliação com os responsáveis, estudantes ocuparam a reitoria em um movimento conhecido como “akilombamento”. Exigiram que a decisão fosse revertida, para assegurar que as ações afirmativas se destinem a pessoas que tiveram historicamente sofrido preconceitos raciais. Após a audiência, com participação do movimento negro e integrantes da administração da UFRGS, foi retirada o argumento de ascendência fenotípica como válido para usufruir da política de cotas.”
CARD 6
“Ajude-nos a difundir essas informações, compartilhe!
Para saber mais, o artigo de Maria Cátira Bortolini e Sérgio Pena está disponível neste link: https://bit.ly/2RsQN2S
#cotasraciais #ascendencia #ancestralidade #genetica”



















