Alunos recebem prêmio financeiro para desenvolver pauta que destaca a realidade dos catadores da Vila dos Papeleiros e denuncia violência da prefeitura
No dia 7 de maio, foi divulgado no site do Instituto Vladmir Herzog, o resultado dos vencedores das cinco regiões do Brasil da 18º edição do Prêmio Fernando Pacheco Jordão para jovens jornalistas. A região Sul foi premiada com a ideia de produção de pauta dos estudantes da Fabico: Eduardo Silva Barcelos, Pedro Duarte Pereira e Pedro Gonçalves Demarco, orientados pela docente do departamento de comunicação, Thaís Helena Furtado.

O Prêmio Fernando Pacheco Jordão é um concurso anual realizado pelo Instituto Vladmir Herzog com o propósito de incentivar estudantes de jornalismo a produzirem pautas focadas nos Direitos Humanos. Desde 2009, a premiação impulsiona jovens jonalistas de todas as regiões do Brasil a vivenciarem todas as etapas da criação de uma reportagem com foco em diversidade, saúde, moradia, direitos, liberdade, memória e mais. Em 2026, o tema da premiação é “O Brasil e a Agenda 2030 da ONU: desafios do desenvolvimento sustentável”.
São cinco equipes vencedoras, uma de cada região do Brasil, que receberão apoio financeiro de 6 mil reais para a produção dos trabalhos que envolvem pautas partindo de recortes territoriais específicos e evidenciam desafios globais vividos nas dinâmicas urbanas ou rurais, evidenciando também as desigualdades ou a invisibilização de trabalhadores urbanos como é o caso da matéria que está sendo desenvolvida pelo grupo, intitulada “Descartados: a violência da prefeitura de Porto Alegre contra os catadores da Vila dos Papeleiros“. Pedro Demarco contou como surgiu a ideia da pauta “Tinha vídeos da entrada da guarda municipal na VP, apreendendo os carrinhos e no outro dia aparecendo com retroescavadeira pra demolir galpões e espaços de uso dos catadores. E em dezembro teve o anúncio do programa “recomeços” da prefeitura, que afirma uma postura de “capacitação” e de certa forma, regulamentar, os catadores, sendo que eles ja estavam organizados em suas próprias cooperativas. É uma contradição”, evidencia o estudante.
As produções jornalísticas desenvolvidas por estudantes universitários desempenham um papel importante na ampliação do debate público sobre questões sociais. Ao abordar temas como desigualdade, violência, moradia, educação e direitos humanos, os futuros jornalistas contribuem para dar visibilidade a grupos e comunidades que muitas vezes permanecem isolados da cobertura da grande mídia.

“A questão de poder construir pautas na universidade é que tu tem uma aproximação com poder experimentar e da academia no geral. No mercado tudo é muito pautado pela agilidade e na universidade a gente tem um processo diferente […] e se tem um lugar para produzir esse tipo de impacto é na universidade, de se trabalhar com esse tipo de jornalismo, para abrir os olhos, para apontar para uma solução e mostrar que algo está acontecendo justamente porque a gente opera em um ritmo diferente”, disse o aluno Pedro Duarte.
Ao alcançarem reconhecimento em premiações e publicações, essas pautas e produções demonstram o potencial transformador do jornalismo universitário. “Isso mostra que os alunos estão sendo preparados com um ensino de qualidade e que vai ajudar a construir um jornalismo de interesse público, qualquer tipo de reconhecimento mostra o quão qualificado é o curso de jornalismo da UFRGS”, disse a docente que está orientando a produção do trabalho, Thaís Furtado.
As pautas premiadas com o apoio financeiro apresentarão as reportagens produzidas durante a Audição Pública, seguida da Cerimônia de Premiação, que acontece no Centro Cultural em São Paulo nos dias 13 e 14 de agosto de 2026. Acesse o link para conferir toas as pautas escolhidas: https://vladimirherzog.org/jovem-jornalista/vencedores2026/