É sempre interessante desenvolver experimentos nas aulas de ciências, certo? Afinal, eles ajudam a demonstrar as leis e teorias a serem ensinadas, além, é claro, de ser um excelente elemento lúdico que pode prender a atenção dos estudantes. É aquele momento em que os estudantes colocam a mão na massa para testar as leis científicas, ilustrar as ideias e os conceitos vistos em aula.  Nada como os estudantes vivenciarem o fenômeno com seus próprios olhos e mãos. Essa prática tem tudo para solucionar as dificuldades e o gosto dos estudantes  nas aulas de ciências. Vocês também designam esta grande responsabilidade às atividades experimentais?

Pois bem, talvez essa possa não ser a solução tão esperada para as aulas de ciências. Uma abordagem como essa, focada em demonstrações e em “provas” de leis científicas, são realizadas na maioria das vezes somente pelo professor na frente da sala ou pelos estudantes com um roteiro muito bem estabelecido e com os materiais necessários bem separadinhos. Desta forma, não há quase nenhum espaço para os estudantes pensarem no que estão realmente fazendo ou refletirem sobre o que significa e o propósito do experimento que estão realizando. O professor até pode falar “está aqui a prova experimental do que comentamos na última aula” sem os estudantes entenderem exatamente o que se está passando. Com este enfoque, não é raro também os experimentos “darem errado” e o professor ficar numa certa situação delicada tendo que justificar o que pode ter acontecido. Vocês já passaram por isso?

Há outras formas de se olhar para o laboratório de ciências. Uma delas é para a formação de uma atitude investigativa. Ao invés da busca por “comprovar teorias”, por que não utilizar os experimentos para se trabalhar uma responsabilidade pela investigação? Mais importante do que se chegar em um “resultado correto” (o que não é nada trivial), não poderíamos trabalhar a atitude investigativa dos estudantes frente a um fenômeno ou a um problema. Habilidade esta que, se bem trabalhada, poderá ser muito bem utilizada pelo estudantes em seu dia-a-dia.

O artigo “Novos rumos para o laboratório escolar de ciências” de 2002 esmiúça um pouco esta possibilidade para as atividades experimentais. Há variadas formas de tornar os experimentos uma atividade mais aberta a participação dos estudantes, desde a proposição de problemas a serem investigados, passando pelo planejamento mais ativo dos procedimentos, até a obtenção e análise dos resultados. Vocês já experimentaram estas outras possibilidade?

Fica a dica da leitura do artigo “Novos rumos para o laboratório escolar de ciências” para saber mais sobre esta possibilidade.