Nas classificações modernas, os répteis não têm sido mais agrupados em uma classe Reptilia, devido ao posicionamento filogenético das Aves. Contudo, por tradição acadêmica, o grupo ainda é informalmente reconhecido. Os répteis, como tradicionalmente reconhecidos, formam um agrupamento heterogêneo de tetrápodes amniotas ectotérmicos que inclui três linhagens principais, os Testudines (cágados, tartarugas e jabutís), os Squamata (lagartos, serpentes e cobras-cegas) e os Crocodilianos (jacarés, crocodilos e gaviais). Os Rhynchocephalia (tuataras) correspondem a uma quarta linhagem, proximamente relacionada aos Squamata, e estão representados atualmente por apenas uma espécie endêmica da Nova Zelândia. Os répteis correspondem ao maior grupo de tetrápodes atuais, com 12386 espécies, sendo que a grande maioria das espécies pertence ao grupo dos Squamata (12072 sp.), com quelônios (366 sp.) e crocodilianos (27 sp.) representando uma parcela significativamente menor desta diversidade (Reptile-Database 2024). O Brasil possui a terceira maior riqueza mundial de répteis, com 856 espécies registradas até o momento (Guedes et al. ,2023). No Rio Grande do Sul, são conhecidas cerca de 130 espécies de répteis.

Os répteis estão amplamente distribuídos no planeta, ocorrendo representantes em quase todos os ecossistemas continentais e algumas espécies, como iguanas, serpentes e tartarugas habitam, também, ecossistemas marinhos. Apesar da grande importância ecológica nos ecossistemas que ocupam, os répteis ainda despertam pouco interesse popular no que concerne à sua conservação, em grande parte, devido ao medo que a maioria das pessoas tem em relação a estes animais. As serpentes peçonhentas são certamente a principal causa deste medo generalizado. Contudo, apesar de potencialmente perigosas, as serpentes que possuem toxinas letais correspondem a uma pequena parcela da diversidade conhecida.
As ameaças a conservação dos répteis têm crescido, principalmente, como reflexo da destruição de seus habitats. Em termos mundiais, hoje são reconhecidas cerca de 1845 espécies de répteis em alguma categoria de ameaça, correspondendo a 21% de todas espécies avaliadas (IUCN, 2024). No Brasil, 71 espécies são oficialmente reconhecidas como ameaçadas (ICMBio, 2024). No Rio Grande do Sul, 17 espécies continentais de serpentes e lagartos estão oficialmente ameaçadas, além das cinco espécies de tartarugas marinhas
Referências:
Guedes, T. B., Entiauspe-Neto, O. M., & Costa, H. C. (2023). Lista de répteis do Brasil: atualização de 2022. https://doi.org/10.5281/zenodo.7829013
ICMBio, 2024. Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE. Disponível em: https://salve.icmbio.gov.br/. Acesso em: 26 de Nov. de 2024.
IUCN 2024. The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2024-2. <https://www.iucnredlist.org>

Se desejar informações mais técnicas, sobre a ecologia e conservação dos répteis, entre em contato com o Laboratório de Herpetologia da UFRGS: @herpeto_ufrgs
Se for utilizar as informações contidas nesta página, em algum trabalho ou estudo, utilize a seguinte citação:
HERPETOLOGIA/UFRGS. 2025. Os Répteis. Laboratório de Herpetologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. On line. Versão 1.0. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/herpetologia>. Acesso em (colocar data de acesso).
Está página é um produto dos projetos de extensão ¨Conhecendo os anfíbios e répteis do Rio Grande do Sul”, com apoio do Programa de Educação Tutorial/PROGRAD/UFRGS, SESU/MEC, da PROREXT/UFRGS, PROPG/UFRGS e Programa de Pós Graduação em Biologia Animal da UFRGS (PPGBAN).

