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Futebol para todas: projeto oferece treinos gratuitos para meninas de baixa renda

Criado há 3 anos, “ABC da Bola com as Meninas” incentiva a prática da modalidade em Porto Alegre (RS)

Embora o futebol seja o esporte mais popular do Brasil, mulheres que querem praticá-lo ainda encontram dificuldades. Isso porque só recentemente o feminino passou a chamar a atenção no país. Desde que a bola rolou pela primeira vez por aqui, no início do Século 20, o futebol para mulheres já foi proibido por decreto duas vezes – em 1941 e 1965.

Somente em 1983, a prática feminina foi regulamentada, permitindo que mulheres pudessem competir, criar calendários, utilizar estádios e ensiná-la nas escolas. Hoje, ainda é difícil encontrar centros de futebol para meninas, principalmente gratuitas. É o caso do ABC da Bola com as Meninas, que o Humanista descobriu ao investigar o cenário de Porto Alegre (RS). O projeto social atende meninas dos 10 aos 17 anos, de baixa renda, em quatro núcleos.  

O espaço na Região Metropolitana de Porto Alegre pode ser considerado uma gota no oceano de águas masculinas, é verdade, mas chega num momento promissor no Brasil e no mundo. No final de março, por exemplo, uma final entre Barcelona e Real Madrid, na Espanha, atingiu o maior público da história do futebol feminino: mais de 91,5 mil pessoas foram ao estádio Camp Nou. O público superou o da final da Copa do Mundo Feminina de 1999, entre EUA e China, que detinha o recorde anterior.

ABC da Bola com as Meninas

Cada marca faz com que o esporte seja cada vez mais reconhecido. Para a professora e pesquisadora de futebol feminino, Silvana Goellner, a modalidade precisa de representatividade, decorrente da oportunidade. “Quanto mais meninas estiverem no futebol, mais essa prática vai se tornando normal como qualquer outra”, explica. 

Para Gabrielle, o amor pelo futebol feminino começou antes mesmo de praticar. Com nove anos de idade, ela já via o irmão, de 13, jogar futebol. Na época, quando Silvia Teresinha Barth, mãe de Gabrielle, decidiu pagar uma escolinha de futebol para a filha, ela e a família moravam em Porto Alegre. Por complicações de saúde, não conseguiram mais pagar os treinos e voltaram para Gravataí, cidade natal da mãe da família. Mesmo distante da capital, a vontade de Gabrielle de jogar não tinha ficado para trás. “Ela ficou triste porque ela queria jogar futebol e eu não conseguia pagar pelas aulas”, explica a mãe. 

Para o filho mais velho e irmão de Gabrielle, Gustavo, a família logo conseguiu uma escola gratuita em Gravataí, mas não havia nenhuma de futebol feminino. Gabrielle treinou por um tempo com meninos, mas não se adaptou. 

Foi procurando projetos de futebol femino que Silvia encontrou o ABC da Bola com as Meninas. Assim que leu sobre o projeto, logo inscreveu a filha. “Ela ficou super empolgada quando contei pra ela que tinha feito a inscrição no projeto. Ela ama jogar futebol, tá na veia dela”, conta. 

O ABC da Bola com as Meninas é um projeto social que iniciou em 2019 com o objetivo de incentivar a participação feminina no futebol desde cedo. Para Silvana, os projetos sociais são fundamentais para inserir as meninas desde crianças no esporte, criar representatividade e dar oportunidade para quem não pode pagar pelos treinos.  

“Nos principais pólos de futebol feminino as meninas começam a jogar com 3, 4 anos. Quanto mais possibilidades tiver para as meninas jogarem futebol desde cedo, melhor será não só a visibilidade da modalidade mas também as condições técnicas e táticas” destaca. 

O projeto surgiu a partir de Duda Luizelli. Ela foi coordenadora das seleções femininas da Confederação Brasileira de Futebol e atua na área há mais de 30 anos. Para Duda, um dos seus grandes desafios é fomentar o futebol feminino no Brasil. “Uma menina hoje muitas vezes não tem onde jogar futebol se não for em um grande clube”, explica. 

Neste ano, o projeto terá sedes de treinamentos também em Barra do Ribeiro, Eldorado do Sul e Guaíba. O ABC da Bola com as Meninas é destinado para meninas dos 10 aos 17 anos. Serão distribuídas 160 vagas nas quatro cidades. Para se inscrever, o pré-requisito é ser estudante da rede pública de ensino. 

Conforme Duda, o projeto pretende dar oportunidade para quem não tem condições de pagar por treinos de futebol. “As meninas ganham todo material: ganham uniforme, caneleira, chuteira” conta. 

Quando Gabrielle começou a treinar, tudo era novidade. Ganhou uniforme completo e a sua primeira chuteira. “Ela foi para o treino com um tênis normal, que era o que ela tinha em casa. Quando ela recebeu a chuteira, ficou muito feliz”, fala a mãe. 

Gabrielle participa do projeto desde o ano passado. Ela está aguardando abrirem as inscrições para iniciar o projeto neste ano. De acordo com a organização do projeto, os treinos iniciam no dia 27 de abril de 2022 e será realizada uma seletiva para preencher as vagas. 

Sobre o projeto 

Idade: meninas de 10 a 17 anos 

Requisitos: estar matriculada na rede pública de ensino 

Como se inscrever: as pré-inscrições estão disponíveis aqui.

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