O ano termina em 12 dias, mas não o semestre letivo na UFRGS. Ainda sob o efeito do calendário alterado pela pandemia de covid-19, a redação do Humanista faz uma pausa a partir desta sexta-feira (23) e retoma as publicações diárias em 16 de janeiro, com o fim do recesso acadêmico. E 12 dias separam os novos governos de sua posse. Inúmeros são os desafios. Não há como prever o futuro, mas se alguma certeza paira sobre o debate público é a de que o Brasil de 2023 pouco lembrará o Brasil de outrora. A grande questão, contudo, será o quanto poderão os líderes eleitos em 2022 fazer a partir de 1º de janeiro.
O executivo federal e o estadual encontrarão um país profundamente dividido, de veias abertas e em necessidade de ampla reconstrução — resultado de um longo e complexo período marcado pela degradação dos valores democráticos, pelas notícias falsas, pelo anti-humanismo, pelo proselitismo armamentista e religioso e pela volta da apatia como arma política.
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já diplomado, assumir o comando de um Brasil que nos últimos anos tem perdido muito econômica, social e até moralmente. E sua grande tarefa não será apenas garantir a retomada das políticas públicas que tanto beneficiaram o país décadas atrás — e que foram pouco a pouco desmanteladas em governos posteriores —, mas construir um novo caminho para o progresso nacional; levantar uma ponte que inclua, mais uma vez, todos os brasileiros em um projeto de país mais humano, próspero e democrático. Em outras palavras tem, como tarefa, o reposicionamento dos Direitos Humanos como central para o governo em todas as áreas – tarefa cujo cumprimento o Humanista certamente acompanhará a partir de janeiro.
São tarefas que prometem ser extremamente árduas. Do lado federal há diversos empecilhos: a volta do Brasil ao mapa da fome, o desemprego, a alta inflação, os juros elevados, a produtividade estagnada há dez anos, o retrocesso na educação, o processo de desmonte de tudo que é público e a corrupção, entre outras coisas.
Do lado estadual, por sua vez, o governador eleito Eduardo Leite (PSDB), também diplomado, não terá no Rio Grande do Sul um mandato fácil. Ele precisará construir maioria na Assembleia Legislativa para aprovar projetos; cumprir suas promessas em relação a pautas sociais, como a educação; atingir suas metas para o RRF (Regime de Recuperação Fiscal), por ele mesmo assinado; dialogar com o governo federal para trazer benefícios para o estado e ainda buscar a compensação da queda da receita decorrente da polêmica diminuição do ICMS incentivada pelo Governo Bolsonaro.
Apesar das dúvidas e incertezas sobre o futuro da recuperação nacional — que depende, em grande parte, do Congresso Nacional eleito mais conservador dos últimos trinta anos —, muitos agente públicos (inclusive este jornal) acreditam que a democracia deverá prevalecer no seu mais alto padrão nos próximos quatro anos no Brasil, e que as instituições que protegem os direitos básicos voltarão a funcionar normalmente. Estaremos vigilantes.
Esperamos que o país possa caminhar de forma serena, com os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) agindo harmoniosamente em prol da responsabilidade social e constitucional. No seu discurso de diplomação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Lula repetiu 21 vezes uma palavra: democracia. Na redação do Humanista, fazemos um jornalismo comprometido com os Direitos Humanos e com os valores democráticos. E é por esse motivo que ficamos sempre atentos aos assuntos que mais importam em nível federal, estadual e municipal, com olhar especial para as histórias tradicionalmente afastadas do domínio público nos veículos empresariais.
Seguimos contamos com a sua audiência em 2023!




