Cumprindo o calendário acadêmico ainda impactado pela pandemia de covid-19, o primeiro semestre de 2023 chega ao fim nesta semana na UFRGS. De maio a setembro, graduandos em jornalismo compuseram a redação do Humanista, propondo e executando pautas e publicando reportagens, explicações, entrevistas e podcasts no jornal laboratório. Os temas abordados foram muitos, mas o norte foi um só: o foco na defesa de direitos humanos.
À primeira vista, relacionar jornalismo e direitos humanos pode parecer corriqueiro. Mas é importante refletir sobre o porquê desta associação ser necessária. Para a ONU (Organização das Nações Unidas), falar em direitos humanos é fazer referência a “direitos inerentes a todos os seres humanos, independente de raça, sexo, nacionalidade, etnicidade, linguagem, religião ou qualquer outra posição”. Na realidade, sabemos que tais direitos “inerentes” não estão garantidos para todas as pessoas.
Ao jornalismo, cabe informar sobre acontecimentos recentes, diversificando perspectivas, fiscalizando o poder – denunciando as irregularidades –, e ampliando visões de mundo. São todas funções essenciais para a tentativa de manter a democracia. A partir disso, é bem possível chegar à conclusão de que todo jornalismo deveria ser orientado pelos direitos humanos.
Ocorre que cada reportagem, podcast ou conteúdo é fruto de um processo feito a muitas mãos. Do repórter ao editor-chefe, diversos profissionais – e no nosso caso, estudantes e professores – participam da construção da notícia. Entram em jogo inúmeros desafios, possibilidades, demandas e interesses. E interesses, aqui, não tem uma significação ruim: é uma lembrança de que é natural que todo jornalismo seja limitado. Os acontecimentos são intermináveis, mas a capacidade de produção não é infinita.
Fazer jornalismo, então, se trata de fazer escolhas. Considerando que nosso objetivo é dar conta de todas essas funções fundamentais, que produzem impactos concretos no cotidiano das pessoas, temos escolhas difíceis a fazer. É por isso que o Humanista acredita ser importante dizer, com todas as letras, que nosso objetivo central é defender os direitos humanos. Assim, deixamos evidente os critérios que orientam nossas decisões – e o leitor pode saber o tipo de jornalismo que pode ser esperado e cobrado desta redação.
Nós, repórteres e leitores, devemos nos perguntar: por quê os direitos humanos não amparam a todos? Como fazer com que se ampliem? E como medidas expandem ou delimitam o grupo a quem esses direitos são garantidos?
Com essas questões em mente, durante o semestre, cobrimos temas diversos: os atravessamentos de raça no mercado de trabalho; os desafios enfrentados pelos povos indígenas e quilombolas; o acesso à saúde para diferentes grupos sociais; os direitos de pessoas LGBT+; as mudanças climáticas e as medidas necessárias para enfrentá-las; o patrimônio cultural brasileiro; o contexto de gênero nas universidades, nas penitenciárias, no esporte; os impactos de decisões políticas nacionais e internacionais; o acesso à cidadania e à cidade. Ainda renovamos os nossos tipos de conteúdo, adequando as produções e sua divulgação às exigências de um jornalismo multimídia.
Repórteres e editores encerram mais um semestre com a sensação de dever cumprido. Não foi uma tarefa fácil: demandas acadêmicas e profissionais disputam nosso tempo; editorialmente, dar conta de temas diversos e complexos é um desafio que coloca à prova conhecimentos e habilidades aperfeiçoados durante a graduação. Após um longo período de afastamento devido à pandemia, voltamos ao ritmo do jornalismo que vai para a rua cobrir os fatos onde eles se desenrolam. E nesse processo, nos mantivemos comprometidos com o jornalismo de qualidade que pretendemos entregar. Esperamos que você, leitor, concorde, e sinta-se à vontade para sugerir, opinar e dar seu retorno sobre as produções.
Para o próximo período, os desafios definitivamente seguirão presentes. Incentivamos os repórteres do semestre seguinte a cobrir temas relativos à negritude, aos povos indígenas e quilombolas, à população LGBT, ao meio ambiente e aos impactos de políticas locais em Porto Alegre e região. Incentivamos também que a redação busque fontes cada vez mais diversas, fazendo justiça à pluralidade do Brasil – nem sempre representada na imprensa. Nosso norte segue o mesmo. E esperamos que você também siga interessado em nos acompanhar.
Agradecemos pela leitura! Durante o recesso, o Humanista segue apresentando publicações, mas sem periodicidade diária. As reportagens, entrevistas, explicações e podcasts voltarão em outubro. Até lá!




