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Janeiro Branco destaca cuidado com a saúde mental

Iniciada em 2014 no Brasil, campanha mostra a preocupação crescente em reconhecer a saúde mental como uma questão de saúde pública; entenda.

Na última década, os elevados índices de sofrimento psíquico da população brasileira preocupam especialistas. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o quarto país latino-americano com maior aumento anual no número de suicídios e o segundo colocado no ranking do continente quando são considerados os números absolutos de mortes autoprovocadas.

Uma iniciativa que ajuda a colocar a questão da saúde mental no centro do debate público é a campanha Janeiro Branco. Idealizada em 2014 pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão, busca envolver a população e autoridades em torno da importância de se abordar o tema e de se desenvolver políticas públicas eficazes. Esta edição do #ExplicaçãoHumanista destaca a importância da campanha.

Desigualdade social dificulta o cuidado

Especialistas são unânimes em afirmar que o sofrimento psíquico é multicausal, não podendo ser explicado por causas isoladas. No entanto, alguns dados relevantes merecem ser destacados, como as enormes desigualdades sociais e regionais presentes no país. De acordo com uma pesquisa da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), cerca de 78,8% dos brasileiros com sintomas depressivos moderados a graves não têm acesso a nenhum tipo de tratamento. A maior parte da população sem assistência está localizada na região Nordeste (cerca de 90,2%), enquanto no Sul esse percentual cai para 67,5%.

Além da desigualdade de acesso, o Brasil também padece de uma insuficiente rede de políticas públicas voltadas especificamente às questões relacionadas ao sofrimento psíquico. Essa realidade acende um alerta vermelho e exige que políticas públicas sejam adotadas para reverter o cenário. Atualmente os transtornos mentais são a principal causa de incapacidade, segundo dados da OMS.

Saúde mental na pauta das políticas públicas

Em abril de 2023 foi aprovada a Lei n° 14.556/2023, que estabelece o mês de janeiro como referência para a realização de campanhas nacionais de conscientização sobre o cuidado com a saúde mental. Dentre os aspectos normativos, a centralidade da promoção de hábitos e ambientes saudáveis, bem como a prevenção da dependência química e do suicídio recebem destaque na nova lei.

Segundo o site da campanha idealizada por Abrahão, o mês de janeiro foi escolhido porque seria o período do ano em que as pessoas estariam mais propensas a realizar reflexões, estabelecer novas resoluções e metas. No mesmo sentido, a cor branca faz alusão às folhas ou telas em branco, onde se pode desenhar, escrever ou reescrever de forma ilimitada novas possibilidades de vida para cada um.

Procure ajuda ou indique para quem precisa

- Desenvolvido pela Faculdade de Medicina da UFRGS, o projeto Pega Leve atualiza um mapa com diversos serviços de saúde mental oferecidos a preços reduzidos.


- Voltado à comunidade da UFRGS, o projeto Medusa busca construir espaços de escuta, diálogo e intervenções com estudantes de graduação e pós-graduação sobre questões relativas à saúde mental e as vivências no contexto universitário.


- Fundado em São Paulo em 1962, o CVV (Centro de Valorização da Vida) é um serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio, disponível à população em geral. Desde 2015, uma parceria com o Ministério da Saúde garantiu a criação de uma linha nacional e gratuita que pode ser discada por qualquer pessoa, 24 horas por dia, através do número 188.

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