Humanista

jornalismo e direitos humanos

#HumanistaConfere Filme sobre Marighella já teria arrecadado R$ 6 mi em impostos

Kayan Moura

No último dia 22 de novembro, o site MBL News afirmou que o longa-metragem Marighella, que retrata a vida do político e guerrilheiro Carlos Marighella, produzido pela O2 Filmes e com direção de Wagner Moura, teria arrecadado, até o momento, R$ 6.000.000  via Fundo Setorial de Audiovisual (FSA). Segundo o portal, “O FSA toma dinheiro de impostos de brasileiro que assistem TV por assinatura e usam serviços telefônicos.” O portal Humanista confere esses dados e explica como funcionam as leis de fomento à cultura no Brasil.

 

Matéria divulgada no site MBL News

Em 2014, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) autorizou a captação de aproximadamente R$ 10 milhões por parte da produção do filme pela Lei do Audiovisual. Até o momento, foram arrecadados de fato, R$ 3.500.000. No entanto, uma chamada pública do Fundo Setorial de Audiovisual (FSA) autorizou, em 14 de novembro deste ano, que o longa arrecade mais R$ 2.500.000.  Além disso, tanto a Lei do Audiovisual quanto o FSA não designam os impostos pagos sobre o uso de telefonia e de TV a cabo de forma direta e sem nenhum retorno financeiro, como dito pelo MBL, fazendo com que a publicação seja classificada como exagerada.

Como funcionam as leis de incentivo à cultura no Brasil

A Lei do Audiovisual foi criada em 1993, durante o governo de Itamar Franco. Consiste no apoio indireto a produções audiovisuais,  por meio de abatimento ou isenção de determinados tributos. Isso acontece desde que o contribuinte, seja ele Pessoa Física ou Jurídica, se disponha a destinar seus recursos para o patrocínio, coprodução ou investimento em produções cinematográficas nacionais aprovadas pela ANCINE. Ou seja, o contribuinte pode ter retorno financeiro ao decidir apoiar tais projetos.

Em contrapartida, o FSA, instituído em 2006, é uma espécie de fomento direto às produções cinematográficas brasileiras. Funciona assim: o proponente inscreve seu projeto em um edital da ANCINE e caso o trabalho cumpra com os requisitos propostos pela agência reguladora, passa a procurar patrocínio das empresas autorizadas pelo governo federal, dessa maneira, também conta com o intuito financeiro por parte de quem pretende investir.

Vale ressaltar que há uma confusão das duas leis citadas acima com outra lei de INCENTIVO cultural, a Lei Rouanet, no entanto, essa lei, que assim como a Lei do Audiovisual é uma forma indireta de apoio às artes, não contempla a produção de longas-metragens, sendo utilizada como forma de mecenato – quando um empresário investe em algum tipo de produção artística –  em outros segmentos, como curta-metragens e música, por exemplo.

Carlos Marighella foi um político, guerrilheiro, poeta e escritor baiano. Integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi um dos principais líderes da esquerda na luta contra a Ditadura Militar. A cinebiografia baseada no livro Marighella: O Homem Que Incendiou o Mundo, tem no elenco nomes como Seu Jorge (Cidade de Deus)  e Wagner Moura (Carandiru, Tropa de Elite e O Homem do Futuro), o longa é também a estreia do ator como diretor. O lançamento do filme está marcado para abril de 2019.

FOTO DE CAPA: Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro 

Deixe um comentário

Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support