Framework de Design

FRAMEWORK DA GESTÃO DO DESIGN PARA APLICAÇÃO EM EMPRESAS (MOREIRA, B. R., 2016)

Com base em que o framework construído?

O framework de Gestão do Design para aplicação em empresas é fruto da reunião das informações obtidas com fundamento na revisão de literatura, em uma pesquisa de campo realizada com noventa designers, em três estudos de caso e em uma Pesquisa Ação que compreendeu cinco empresas. Com base nestes dados, ele foi construído e avaliado por oito especialistas do setor em dois grupos focais.

Justificativa da escolha do diagrama do framework

Como pode ser visto, as relações estabelecidas no framework estão desenhadas com auxílio de uma composição de vários triângulos os quais possuem as mesmas dimensões e semelhantes aspectos. Por essa razão, remetem à ideia da teoria dos fractais. Após analisar inúmeras alternativas para representar graficamente os fluxos existentes no framework pretendido, identificou-se que a metáfora com a teoria fractal poderia fazer-se pertinente, uma vez que busca descrever muitas situações que possuem significativa complexidade.

Assim como o longo processo de inserção das competências do Design em todos os níveis de uma corporação, os fractais também possuem infinitos detalhes e, ao mesmo tempo em que são extremamente detalhados, são similares, independentemente de sua escala. Então, acredita-se que os núcleos, departamentos e processos das empresas também diferem em tamanhos e características, mas necessitam assemelhar-se naquilo que concerne às suas intenções. Nesse caso, devem visar à integração vertical do Design na corporação, a fim de alcançar a aplicabilidade nos níveis estratégico, tático e operacional.

Descrição framework

Como pode se observar na figura a seguir, a proposta do framework começa por uma intenção (localizada no centro do diagrama e representada por meio da figura de um losango) que simboliza o objetivo da ampliação do posicionamento do Design dentro de uma corporação. Por esse motivo, todas as partes dos triângulos fractais (ilustradas por oito fases) estão conectadas com a região central, com intuito de representar a comum intenção de gerir o Design de forma integrada em todas as etapas desse processo.

Acredita-se que a coerência entre as partes pode colaborar para a construção da coerência entre os envolvidos nesse complexo processo e, assim, incentivar o equilíbrio organizacional da companhia por intermédio da intenção do fomento da Gestão do Design (GD).

framework versao final

Nessa perspectiva, estima-se que a reunião de pequenas partes que possuem as mesmas intenções pode refletir-se em resultados mais significativos, unificados e coerentes entre si. No entanto, a intenção é semelhante quando os conhecimentos estão disseminados de forma clara e nivelados na empresa. Por isso, é necessário gerenciar um processo que pretenda, engaje, estruture e execute algumas mudanças corporativas para conseguir estabelecer a GD na corporação.

Portanto, o diagrama apresenta oito triângulos localizados em quatro espaços com sentidos distintos: pretender a mudança (etapas um e dois); engajar para a mudança (etapas três e quatro); estruturar a mudança (etapas cinco e seis); e, por fim, executar a mudança (etapas sete e oito). Dessa forma, considera-se que a intenção se assume como o dispositivo inicial desse processo e que, então, vai sendo materializada, gradativamente, ao longo dessas etapas. Tal mudança pode vir de um departamento, de um colaborador, de um gestor ou de qualquer organismo presente na organização, que tenha a intenção de gerir o Design de forma integrada.

Pode-se observar, também, que a intenção não vem, necessariamente, do topo para a base. Ela pode estar relacionada com colaboradores que não possuem cargos de alta gestão. Além disso, o desencadeamento da manifestação da intenção está relacionado com a vontade da mudança e que, nesse caso, pode ter origem pessoal, setorial ou institucional. Nesse sentido, torna-se difícil definir quais mecanismos podem desencadear essa intenção inicial, porém se acredita que esta pode ser fomentada por fatores como a aquisição do conhecimento e a concorrência mercadológica.

Precedido da intenção, inicia-se um processo de articulação dos vetores positivos com o objetivo de congregar as pessoas que demonstram interesse e pró-atividade em promover a mudança por meio da inserção integrada do Design na corporação. A presença de gestores dentre os vetores é interessante, uma vez que estes detêm força política e decisória dentro da empresa. No entanto, nesse momento, não se colocam na condição de fatores condicionantes para esse processo inicial.

Estima-se que a reunião de vetores positivos possa congregar mais força política, e até intelectual, para estruturar formas de sensibilizar os principais atores, que estão vinculados com os níveis estratégico, tático e operacional (2). Portanto, diferente da etapa anterior, a segunda etapa está intimamente relacionada com a presença de gestores e altos gestores e, portanto, essas adesões são fundamentais.

Todavia, percebe-se, pelas evidências coletadas, que esse ponto se estabelece, talvez, como o mais crítico para o processo de implementação da GD em uma empresa. Esse processo envolve fatores relacionados com a quebra de paradigmas, a pré-disposição para ouvir o novo e, até, com a obtenção do bloqueio das agendas dos gestores, fator que nem sempre é uma atividade simples. Por isso, estima-se, também, que a contaminação positiva dos gestores se caracterize como um dos processos mais longos durante a busca pela gestão integrada do Design. Logo, esta deve ser estruturada cuidadosamente, a fim de integrar forças envolvendo os vetores positivos da organização.

A sensibilização desses atores objetiva refletir na estruturação inicial das formas de engajar o corpo da empresa fundamentadas, primeiramente, em uma relação de sensibilização que visa fomentar o conhecimento intrínseco aos processos e às formas de pensar o Design como uma ferramenta capaz de gerar vantagens competitivas para a empresa. Decorrente da sensibilização, inicia-se o envolvimento com a corporação, com a meta de pensar conjuntamente as formas de aplicação da GD e, consequentemente, a reflexão sobre os problemas frente a essa intenção.

Como foi observado nas pesquisas realizadas no presente estudo, a empresa é composta por diversos colaboradores que, por inúmeros motivos, podem transformar-se em vetores negativos para o desenvolvimento de novas formas de pensar e de articular mudanças. Logo, acredita-se que o engajamento com o corpo da empresa aparece como outro obstáculo para o sucesso de qualquer intenção de mudança, em virtude de buscar reunir diferentes modelos mentais em um mesmo propósito.

Os resultados dessa interação com o corpo da empresa podem proporcionar uma reestruturação das intenções estratégicas da organização por meio de novas formas de pensar o negócio, as quais podem incluir a revisão de metas, valores e objetivos. A partir disso, inicia-se um processo de formalização da mudança mediante a explicitação das intenções da corporação, após a sensibilização e o envolvimento com os colaboradores. Tal processo busca nivelar a intenção entre a empresa e os conhecimentos que se fazem necessários para que a mudança seja colocada em prática. Em função do processo de gestão integrada do Design ser complexo, esse momento deve envolver todos os níveis da empresa.

Por fim, organiza-se e se alinha o processo de engajamento realizado bem como o conhecimento interno fomentado, a fim de estruturar o projeto-piloto. Com base nisso, inicia-se a fase de gestão e avaliação de projetos, a qual compreende, inicialmente, a execução de um projeto-piloto a ser implementado nos moldes da integração das competências do Design em todos os níveis da empresa e vinculados com os princípios pretendidos por essa, para, finalmente, ser sistematizado nos projetos seguintes intencionados pela empresa.

Para saber mais sobre o framework e o detalhamento de cada etapa, baixe gratuitamente o e-book “Gestão do Design na prática: framework para implementação em empresas” clicando aqui.

Gostou?, compartilhe em:
Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Facebook

Comentários fechados.