A trajetória de Iara Passos: interdisciplinaridade e dados como ferramentas de impacto

A trajetória de Iara Passos, egressa do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS e analista de dados na PUCRS, é um exemplo de como a interdisciplinaridade pode gerar soluções inovadoras e relevantes. Com formação em Ciências Sociais, atualmente cursando Estatística na UFRGS e pós-graduação em Data Science pela ESALQ/USP, Iara destaca o papel da combinação de diferentes áreas do conhecimento em sua atuação profissional. Em entrevista, ela compartilha sua experiência e reflexões sobre a integração entre Ciências Humanas e análise de dados.
Como sua formação em Ciências Sociais, Estatística e Data Science complementam sua atuação como analista de dados?
Minha formação em Ciências Sociais me deu uma base sólida em método científico e metodologias diversas, além de uma compreensão crítica sobre contextos socio-históricos e culturais. Isso me permite estar atenta a questões como vieses sociais, dilemas éticos e impactos do uso da tecnologia. Por outro lado, a Estatística me trouxe conhecimentos fundamentais, como inferência, probabilidade, técnicas de amostragem e modelagem estatística. Já a Ciência de Dados complementa essas áreas, adicionando aprendizado de máquina, manipulação de grandes volumes de dados e visualização.
Essa integração permite que eu transite entre diferentes contextos, traduzindo conceitos técnicos para públicos não especializados e aplicando uma perspectiva interdisciplinar em projetos. Um exemplo foi o sistema automatizado que desenvolvemos durante as enchentes em Porto Alegre, que otimizou o gerenciamento de doações, garantindo eficiência e redução de desperdícios.
Como a interdisciplinaridade pode contribuir para análises mais completas e eficazes?
Times diversos são mais promissores porque trazem diferentes perspectivas para a solução de problemas. A combinação de conhecimentos permite criar soluções mais criativas e robustas, considerando múltiplos aspectos de uma questão. Na área de dados, isso significa aliar contextos sociais a análises estatísticas e tecnológicas, o que gera resultados mais completos e alinhados às demandas da sociedade.
Em um mercado desafiador para as Ciências Humanas, como sua formação interdisciplinar ajudou a abrir portas?
Minha formação em Ciências Humanas me deu uma base sólida para pensar criticamente e aplicar o método científico, algo essencial em qualquer área. A complementação com Estatística e Ciência de Dados ampliou minha atuação, permitindo que eu transite entre setores e funções. Para quem está nas Ciências Humanas, recomendo explorar áreas como análise de dados, programação e visualização, que têm grande demanda e podem ser aplicadas de forma inovadora em contextos sociais.
Que ferramentas você considera essenciais para análises complexas e como elas enriquecem suas pesquisas?
Minha preferência é por ferramentas como R e Python, que oferecem grande autonomia para manipulação e análise de dados. Contudo, acredito que o essencial é entender os prós e contras de cada ferramenta e escolher a mais adequada para o objetivo, o prazo e o público-alvo. Muitas vezes, a solução ideal envolve a combinação de diferentes ferramentas. O importante é estar sempre atualizado, buscando novas tecnologias que possam agregar valor.
Que mensagem você deixaria para estudantes de Ciências Humanas que buscam ampliar suas possibilidades profissionais?
Minha principal orientação é não limitar sua formação a uma única área. Busque interdisciplinaridade, aprenda a se comunicar com públicos distintos e esteja sempre atualizado. Cursos complementares, especialmente em Estatística e programação, são fundamentais. Além disso, procure aplicar o que está aprendendo, seja em grupos de pesquisa ou projetos próprios. O diferencial de estudantes de Ciências Humanas é sua capacidade de analisar problemas de forma ampla e contextualizada. Transformar essa análise em soluções concretas é o que fará a diferença.

