Núcleo do PPGAS trabalha para repensar antropologicamente a democracia

O Laboratório de Antropologia Social (Lapso) vinculado ao Programa de Pós-Graduação de Antropologia Social e ao IFCH, surgiu em 2022, da necessidade de pesquisa sobre as dimensões mutuamente constitutivas da moral e da política. Os aspectos morais da política e os aspectos políticos da moral são objetos de pesquisa do núcleo, que trabalha desde cidadania e valores democráticos até a religião e secularismos. 

A proposta do núcleo é rediscutir a "cidadania" a partir da sua produção societária e dos valores político-morais a ela associados em regimes democráticos, repensando estes últimos enquanto forma de vida articulada por valores.

O Lapso é composto por professores, docentes convidados de outras instituições, discentes da graduação, mestrado e doutorado que participam com suas pesquisas. O coordenador cita, como exemplo, uma pesquisa que acompanha o trabalho de um candidato a vereador na região metropolitana e como se constrói a figura de um representante eleito democraticamente.

O processo de construção de conhecimento no Lapso é articulado a partir da observação das maneiras pelas quais a política é crescentemente moralizada e marcada por ideais morais que levam a ações específicas, muitas vezes resultando em conflitos, e é feita também, ao se discutir as posições políticas presentes em decisões éticas e suas justificações.

Atualmente, o Lapso desenvolve pesquisas dentro da sua área temática, inclusive em parceria com uma rede global de pesquisadores. De acordo com o coordenador do Lapso, professor Eduardo Dullo, cerca de oito pesquisadores, entre professores e discentes do curso de Ciências Sociais, estruturam uma pesquisa sobre as perspectivas de futuro de jovens em situação de violência a nível global.

“Iniciada no começo de 2025, e articulada com uma pesquisa global da rede da qual participo, a Hidden Peacebuilders Network, sediada na University of Leeds na Inglaterra e com participantes da África (Burundi, Quênia, Moçambique, Sudão) e da Ásia (Sri Lanka, Filipinas, Índia). Essa pesquisa, que nós começamos a pensar em Janeiro de 2023, num encontro da rede no Burundi, e é voltada para entender as perspectivas de futuro de jovens em situação de conflito, violência, vulnerabilidade, e como essas perspectivas de futuro são alteradas a partir das relações com líderes religiosos locais e ações sociais de organizações religiosas”, explica Eduardo.

A proposta é compreender quais são as atuais perspectivas de futuro dos jovens em momentos de mudanças do ponto de vista político, econômico e climático. Além de procurar entender o impacto de ações sociais e dos líderes religiosos que trabalham para melhorar a vida desses jovens, visando promover inclusão social, uma perspectiva de trabalho assalariado ou de empreendedorismo periférico, muitas vezes com letramento racial, de gênero e sexualidade.

No Brasil, o professor Eduardo coordena a pesquisa, que inicia por Porto Alegre, com possibilidade de expansão para o Rio de Janeiro e Fortaleza. “Essa pesquisa tem um escopo global, com pesquisa de campo feita pelos colegas do Burundi, Moçambique, Sri Lanka e Filipinas, além da Inglaterra, de maneira que o objetivo mais amplo é ter uma comparação global dessas questões, também pensando a partir das diferentes tradições religiosas que estão presentes nos mais diversos contextos”, finaliza.

É possível entrar em contato com o núcleo pelo site ou pelo Instagram (@nucleo.lapso) que também divulga as últimas notícias, eventos e trabalhos produzidos pelo Lapso.