Trajetórias IFCH: Alan Rafael Dill, do IFCH à University College Dublin

Alan Rafael Dill é Bacharel em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro do Núcleo de Pesquisa em Desenvolvimento, Direitos, Instituições e Políticas Públicas. Atualmente, cursa o mestrado em Transição, Inovação e Sustentabilidade pela University College Dublin. Em entrevista completa para a série Trajetórias IFCH, Alan compartilha momentos importantes de sua formação, experiências profissionais, e reflexões sobre sua carreira.
Entrevista Completa
Poderia nos contar um pouco sobre a sua trajetória até aqui, destacando os momentos mais marcantes da sua formação e início de carreira?
Acredito que parte da minha formação para o estudo da política começou em casa. Tivesse eu nascido e criado em outro ambiente familiar, não sei se teria cogitado cursar Políticas Públicas. Entrei com uma visão idealizada sobre estudar Políticas Públicas e, durante o curso, me dei conta da complexidade envolvida nas ações do Estado. Foi marcante perceber que abordagens dualistas sobre políticas não capturam sua real complexidade.
Durante a graduação, explorei diversas disciplinas, como economia, sociologia, ciência política e direito. Tive também a sorte de me inserir cedo na pesquisa, graças à professora Lígia Madeira, no Núcleo de Pesquisa em Desenvolvimento, Direitos, Instituições e Políticas Públicas. Minha monografia foi um marco importante, utilizando modelagem baseada em agentes para estudar a política de flexibilização do porte de armas no Brasil, em colaboração com o professor Bernardo Furtado, do IPEA.
Outro ponto alto foi meu estágio na Secretaria de Planejamento do Estado, onde trabalhei com uma equipe multidisciplinar em projetos de captação de recursos. Esses dois anos moldaram minha visão sobre o impacto de boas práticas em gestão pública.
Você está cursando um mestrado Erasmus Mundus em Transição, Inovação e Sustentabilidade pela University College Dublin. O que o motivou a escolher esse programa e como foi o processo de escolha?
Após a graduação, inicialmente planejava adiar o mestrado para focar no mercado de trabalho. Porém, com a pandemia, decidi aplicar para um programa internacional que unisse tecnologia, políticas públicas e a Teoria da Complexidade. Encontrei o Erasmus Mundus TISE, gerido por quatro universidades, incluindo parcerias com instituições como o Complexity Science Hub. Foi uma oportunidade que alinhou meu interesse acadêmico com minha vontade de viver uma experiência internacional.
Quais foram os módulos ou disciplinas mais impactantes durante o seu mestrado e que têm influenciado sua abordagem profissional?
Cada universidade no programa trouxe contribuições únicas. Estudei teorias da cibernética aplicadas às ciências sociais, inteligência artificial e análise de dados avançada. Aprendi a executar projetos transdisciplinares, uma abordagem que amplia a visão sobre a complexidade dos problemas sociais.
Sabemos que você ainda não defendeu sua dissertação de mestrado. Poderia nos falar um pouco sobre o tema do seu trabalho, seus objetivos e principais descobertas até o momento?
Minha dissertação explora como a modelagem baseada em agentes pode ser integrada às gêmeas digitais de cidades, com foco na mobilidade urbana. A proposta é simular políticas públicas em ambientes computacionais antes de implementá-las, reduzindo custos e riscos. Embora essa integração seja promissora, há desafios tecnológicos e de governança a serem superados. Acredito que processos colaborativos e inclusivos serão essenciais para tornar as gêmeas digitais ferramentas democráticas.
Durante seu estágio de verão no Complexity Science Hub em Viena, quais foram os principais desafios e aprendizados?
Foi desafiador me adaptar a um ambiente interdisciplinar onde as ciências sociais estavam em minoria. Trabalhei com raspagem de dados para reconstruir a cadeia de suprimentos da indústria de semicondutores na Áustria. O aprendizado foi intenso, especialmente ao lidar com diferentes formas de pensar e colaborar.
Na Secretaria de Justiça do Rio Grande do Sul, você atuou como Analista de Business Intelligence. Poderia compartilhar algumas das suas principais responsabilidades e como elas contribuíram para a sua formação profissional?
Liderei a implementação de painéis e relatórios gráficos que deram autonomia aos servidores e reduziram o trabalho manual em análises de dados. Conectei demandas setoriais à PROCERGS, responsável pelas bases de dados. Foi gratificante ver os resultados em poucos meses, e embora tenha saído para cursar o mestrado, fico feliz em saber que o trabalho continua sendo desenvolvido.
Quais são seus planos e projetos futuros?
Quero seguir desenvolvendo projetos em diferentes áreas, especialmente envolvendo tecnologia. Tenho interesse em temas relacionados à Teoria de Redes e não descarto um doutoramento no futuro.
Qual conselho você daria para os estudantes e jovens profissionais que estão iniciando suas carreiras em políticas públicas e pesquisa?
A carreira se constrói desde cedo. Para quem quer trabalhar com pesquisa, é fundamental integrar grupos que explorem temas de interesse. Já para quem prefere o mercado, buscar estágios e conexões é essencial. Aproveitar a universidade para explorar ambas as áreas é uma estratégia inteligente. O importante é não ficar parado.
Ao olhar para sua trajetória, do que você mais se orgulha até agora?
Orgulho-me de ter deixado contribuições significativas por onde passei. As conexões que construí e as pequenas transformações que ajudei a realizar me mostram que cada detalhe faz diferença ao longo do caminho.

